Um ex-contratado terceirizado da NASA foi preso por supostamente invadir diversas contas de e-mail e Facebook de mulheres para obter fotos íntimas e usá-las como chantagem, a menos que as vítimas fornecessem mais fotos nuas. O homem de 28 anos, Richard Gregory Bauer, foi preso na quinta-feira (6).

• Precisamos estudar os efeitos do pornô de vingança na saúde mental

Bauer teria usado táticas de engenharia social para obter informações para invadir as contas das mulheres. Segundo um comunicado de imprensa do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, ele enviou mensagens a algumas de suas vítimas usando seu nome real, fingindo estar conduzindo pesquisas para uma “aula de sociedades humanas”.

As questões que ele fazia às vítimas incluíam perguntas comuns de redefinição de senha, como qual era o nome de seu primeiro animal de estimação, onde seus pais se encontravam e qual foi o primeiro carro que elas tiveram, de acordo com a acusação.

Bauer também é suspeito de convencer mulheres a baixar um malware sob o disfarce de que era um software inócuo com o qual ele precisava de ajuda para testar. Em vez disso, o relatório diz que o malware deu a ele acesso aos computadores das vítimas, o que, por sua vez, lhe proporcionou as informações de login e senha das mulheres.

Bauer teria atacado, dessa maneira, sete mulheres no total, de cerca de fevereiro de 2015 até junho de 2018. O réu não escondeu sua identidade das mulheres quando inicialmente entrou em contato, mas usou os pseudônimos John Smith, Steve Smith e Garret ao assediá-las e ameaçá-las, segundo a acusação.

As alegações feitas contra Bauer na acusação incluem tanto invasões de privacidade quanto exemplos de pornografia de vingança. “Então, um amigo em comum me deu algumas fotos suas e disse que você daria mais”, teria dito Bauer em um e-mail para uma de suas vítimas, com o assunto “Fotos suas” e uma foto topless da mulher. “Eu gostei do que vi. Imagino que seja você? Eu tenho muuuuuito mais. Então, o que você diz sobre me dar mais um pouco? Eu não quero postar isso em algum lugar…”

Em seguida, Bauer supostamente enviou à mesma mulher uma série de mensagens no Facebook, indicando que ele tinha enviado um e-mail e dando a entender que, se ela não respondesse, ele iria distribuir sua foto nua online. Pouco depois, o Departamento de Justiça dos EUA disse que ele enviou um e-mail novamente, afirmando: “Eu acho que você não se importa que seu noivo saiba sobre suas fotos nuas na internet… responda a este e-mail”. Esses tipos de mensagens continuaram por vários meses, e, de acordo com a acusação, Bauer até enviou fotos mais explícitas da vítima para ela e a ameaçou, perguntando como seu noivo e seus alunos se sentiriam se as visse.

Bauer teria feito demandas específicas para suas vítimas para garantir que ele não distribuiria suas fotos nuas sem seu consentimento. “Eu quero quatro fotos de você diariamente”, ele disse em um e-mail enviado a uma vítima, detalhando depois as condições para cada uma dessas fotos, incluindo “nua, seu rosto não precisa estar visível”.

De acordo com a acusação, todas as mensagens de Bauer para as sete mulheres incluem um linguajar parecido, com fotos nuas e íntimas que ele obteve ilegalmente e uma ameaça caso elas não respondam ou não enviem mais fotos, obedecendo às suas demandas. As mensagens variam um pouco de vítima para vítima, incluindo detalhes pessoais, como a sugestão de que o vazamento dessas fotos seria prejudicial à sua vida profissional ou a menção de um ente querido. “Eu não quero envergonhar sua filha”, ele escreveu em um e-mail para uma mulher. “Eu não sabia que você queria que todos os seus colegas da [ENTIDADE A] soubessem que você é uma vagabunda”, escreveu ele em e-mail para outra.

Em janeiro deste ano, Bauer enviou um e-mail ameaçador para alguém que ele acreditava ser uma de suas vítimas, mais uma vez exigindo fotos nuas para que ele não distribuísse as imagens que já tinha. De acordo com a acusação, na verdade ele estava enviando um e-mail para um policial disfarçado.

Bauer foi preso nesta semana em sua residência em Los Angeles, acusado de perseguir, de ter feito acesso não autorizado a um computador protegido e por roubo de identidade com agravante, segundo o Departamento de Justiça. A condenação por todas as acusações pode significar até 64 anos em prisões federais para o homem.

[Ars Technica]

Imagem do topo: Getty