Os vikings eram ativos em uma região do Canadá quase 500 anos antes de Cristóvão Colombo cruzar o Atlântico, sugere uma nova pesquisa.

Na ponta mais ao norte da península mais ao norte de Newfoundland, Canadá, é um assentamento viking pré-histórico conhecido como L’Anse aux Meadows. O local tem sido explorado por arqueólogos desde 1960, mas era difícil a definição de uma data exata.

Agora, uma nova pesquisa publicada na revista Nature está dando uma nova direção ao tema. Uma equipe liderada pelo arqueólogo Michael Dee, da Universidade de Groningen, na Holanda, fornece evidências de que os vikings estavam ativos em L’Anse aux Meadows em 1021 d.C. -exatamente mil anos atrás. Em um e-mail para o Gizmodo, Dee afirmou que as descobertas de sua equipe representam a “primeira e única data conhecida para os europeus nas Américas antes de Colombo”, que cruzou o Atlântico em 1492 d.C.

Que os vikings eram marinheiros competentes não é segredo. Acredita-se que os colonizadores nórdicos tenham chegado à Islândia no final do século 9 e à América do Norte no século 11, embora o momento exato da última conquista tenha permanecido uma questão de debate. Perguntado sobre por que demorou tanto para os arqueólogos datarem o local, Dee contou:

“Para datar sítios arqueológicos são necessários registros escritos contemporâneos ou um número considerável de artefatos que possam ser colocados dentro de um determinado intervalo de tempo”. E continuou: “L’anse aux Meadows não produziu nenhuma dessas coisas. O melhor método de datação científica é provavelmente a feita por radiocarbono, mas tende a ser capaz de fornecer apenas datas para os séculos mais próximos”, disse Dee, que acrescentou que o método usado no presente estudo só se tornou disponível nos últimos anos.

Até o momento, os pesquisadores analisaram três pedaços de madeira coletados no local, todos provenientes de árvores diferentes. Essas partes eram sobras do corte de madeira e associados à atividade Viking em L’anse aux Meadows; os distintos cavacos mostravam sinais de corte e fatiamento e eram claramente produzidos por ferramentas de metal, que os indígenas que viviam na área naquela época não eram conhecidos por possuírem.

A equipe então usou características distintas do registro de carbono atmosférico para restringir a datação por radiocarbono das árvores derrubadas. O incrível grau de precisão de datação foi possível devido a uma enorme tempestade solar que ocorreu em 993 d.C., que deixou uma assinatura de radiocarbono distinta em anéis de árvores ao redor do mundo.

As árvores sugam carbono da atmosfera e o canalizam para seus anéis de crescimento anuais. Recentemente, descobriu-se que um pico na concentração de anéis de crescimento de radiocarbono correspondia à tempestade solar.

Imagem microscópica de um fragmento de madeira encontrado em L’Anse aux Meadows. Imagem: Petra Doeve, Universidade de Groningen

“Medindo a concentração de radiocarbono dos anéis das árvores na madeira Viking, fomos capazes de encontrar esse mesmo pico”, disse Dee, o que significa que o anel se originou em 993 d.C. A partir daí, “bastou contar os anéis até a borda da casca para calcular quando o último anel fosse depositado”, ou seja, quando a árvore fosse cortada, explicou ele. Os pesquisadores aplicaram essa técnica a todas as três peças de madeira, com todos os resultados retornando uma data de corte de 1021 d.C.

“Nossa nova data estabelece um marco para a consciência europeia das Américas e representa o primeiro ponto conhecido em que os humanos perambulavam pelo globo”, escreveram os cientistas em seu estudo. Consequentemente, a nova pesquisa traz implicações para novas análises das primeiras atividades transatlânticas, como a troca potencial de material genético entre vikings e povos indígenas, a introdução de novas espécies vegetais ou animais e a disseminação de doenças.

Os vikings estavam presentes na América do Norte em 1021 d.C., mas muitas perguntas ainda permanecem. O número total de excursões ao continente não é conhecido, nem a duração total de sua estada. Ainda assim, não parece que os nórdicos tenham passado muito tempo na América do Norte.

“Eles provavelmente estavam lá procurando madeira e outros recursos para levar de volta à Groenlândia”, explicou Dee. “Havia talvez cem nórdicos no local. Sabemos por alguns vestígios de plantas encontrados na região que eles também se aventuraram mais ao sul nas Américas, mas não sabemos exatamente onde. Pela quantidade de lixo deixada e porque nenhum túmulo nórdico foi encontrado, a maioria dos arqueólogos pensa que eles estiveram em L’Anse aux Meadows por um curto período de tempo.”

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Olhando para pesquisas futuras, Dee espera que os arqueólogos possam encontrar os restos de plantas mais exóticas, que apontem para outros locais da América do Norte explorados pelos nórdicos. Independentemente disso, a nova pesquisa atesta as realizações notáveis ​​dos vikings e seu amplo alcance global.