Pesquisadores da Universidade de Washington em St. Louis, nos Estados Unidos, acreditam que pessoas que tiveram casos leves de Covid-19 podem continuar produzindo anticorpos contra o coronavírus por toda a vida.

A pesquisa, publicada na última segunda-feira (24) na Revista Nature, analisou amostras de sangue de 77 participantes, coletadas em intervalos de três meses a partir de um mês após a infecção pelo vírus Sars-CoV-2. A maioria deles teve casos leves da doença, mas seis precisaram ser hospitalizados. Também foi observada a medula óssea de 18 pessoas do grupo entre sete e oito meses após a infecção. Depois de quatro meses, cinco deles passaram por novas coletas. Por fim, os cientistas também recolheram amostras desse mesmo tecido em 11 pessoas que nunca tiveram Covid-19.

Os resultados mostraram que os níveis de anticorpos no sangue dos participantes com a doença caíram nos primeiros meses, estabilizando-se depois. Mas a novidade foi que havia células produtoras dessas substâncias em 15 das amostras de medula óssea de pessoas com Covid-19 leve. Essas células produtoras de anticorpos apareceram também após quatro meses nas cinco pessoas que forneceram uma segunda amostra de medula.

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As células imunológicas funcionam assim: primeiro, multiplicam-se durante a infecção viral no sangue. Depois, exercem sua função até morrerem e então o nível de anticorpos finalmente cai. Mas uma pequena parcela, chamada de células plasmáticas de longa vida (LLPCs, na sigla em inglês), migra para a medula óssea. Lá, elas secretam continuamente níveis baixos de anticorpos na corrente sanguínea.

“Há relatos de que os anticorpos diminuem rapidamente após a infecção com o vírus que causa COVID-19, e a grande mídia interpretou que isso significa que a imunidade não durou muito”, disse, em nota, o autor Ali Ellebedy“Mas isso é uma interpretação errônea dos dados. É normal que os níveis de anticorpos diminuam após a infecção aguda, mas não chegam a zero; eles se estabilizam. Aqui, encontramos células produtoras de anticorpos em pessoas 11 meses após os primeiros sintomas. Essas células viverão e produzirão anticorpos pelo resto da vida das pessoas. Essa é uma forte evidência de imunidade duradoura”.