Depois de anos de tentativa e erro, o Google finalmente atendeu nossos pedidos e fez um tablet com Chrome OS. Ele pode ser o aparelho perfeito para o sistema operacional.

O Google Pixel Slate pode parecer um iPad com um verniz de Pixel aplicado, mas é um dos produtos mais animadores do mercado. O novo aparelho do Google com Chrome OS é o sucessor natural do excelente porém caro Pixelbook.

Ele era fino demais para ser um laptop, mas grosso demais para um tablet — um 2-em-1 que deu certo principalmente por causa de seu sistema operacional. Eu suspeito que o Pixel Slate pode se sair ainda melhor por esse mesmo motivo — falaremos mais disso adiante. E isso não quer dizer que o hardware dele deixa a desejar.

Imagem: Raul Marrero (Gizmodo)

O Pixel Slate terá apenas 7 milímetros de espessura, superando com folga o Pixelbook e sua espessura de 10,16 mm. Assim como o aparelho anterior, ele virá com uma tela de 12,3 polegadas, mas sua resolução pulou de 2.400 x 1.600 pixels para 3.000 x 2.000 pixels. A densidade, claro, acompanhou isso e saltou de 235 ppi para 293 ppi. O Google afirma que a carga completa da bateria dura 12 horas.

Apesar de a empresa insistir que o Pixel Slate não é apenas um smartphone enorme, ele tem duas câmeras, uma frontal e uma traseira.

Sua tela, naturalmente, tem sensibilidade ao toque e suporte à caneta Pixelbook Pen, que custa US$ 100. O Pixelbook e outros aparelhos com Chrome OS, como o Chromebook Pro da Samsung, nunca tiveram respostas rápidas o suficiente para canetas, deixando-os bem para trás do Surface e do iPad.

O Pixel Slate, por outro lado, não parece sofrer do mesmo problema, pelo que vimos no pouco tempo que passamos com ele. Isso ocorre, de acordo com o Google, porque os algoritmos que o Chrome OS usa para antecipar onde a caneta vai tocar melhoraram muito. Mas, para ter certeza disso, vamos precisar passar mais do que essa horinha que tivemos com o aparelho.

Imagem: Raul Marrero (Gizmodo)

O Pixelbook tinha seu próprio teclado embutido. Já o Pixel Slate precisa de uma capa-teclado chamada Pixel Slate Keyboard, que custa US$ 200. É bem mais do que os preços cobrados por Microsoft e Apple para seus acessórios (US$ 130 e US$ 160, respectivamente), mas o Pixel Slate pode ter suas vantagens.

Em vez de botões quadrados isolados, o Google optou por teclas redondas, que, de acordo com o que nos disseram, devem tornar a digitação mais agradável — uma teoria que usuários de máquinas de escrever e fãs das capas da Spherical All (SA) devem endossar.

Nesses dois casos, as teclas empregam depressões redondas para guiar os dedos para o centro da tecla. A capa de teclado do Google tenta fazer alguma coisa parecida, mas com relevos mais rasos.

Imagem: Google

A parte traseira da capa é deliciosamente esperta. Ela usa ímãs para permitir que você ajuste o ângulo da tela quando está usando o aparelho no modo laptop. Ímãs podem ser grudentos demais nos aparelhos 2-em-1, mas, no tempo em que usamos o Pixel Slate, foi bem fácil ajustar isso com apenas dois dedos.

O dispositivo escorrega para o lugar certos em intervalos regulares e ângulos seguros. Não é tão exato como as dobradiças de um Microsoft Surface Pro ou de um HP Spectre Folio, mas para um 2-em-1 que está mais para tablet do que para laptop é uma das melhores opções que já vimos.

Em termos de componentes, há várias opções, dependendo de quanto você quer gastar. O armazenamento varia entre 32 GB e 256 GB, a RAM vai de 4 GB a 16 GB, e o processador pode ser tanto um Intel Celeron quanto um i3, i5 ou i7 da série Y da oitava geração.

Dispositivos com Chrome OS tendem a demandar menos do hardware do que aparelhos com Windows ou macOS. Existem até mesmo muitos laptops que rodam o sistema muito bom com processadores Celeron.

Então, o Pixel Slate de US$ 600 com processador Celeron, 4 GB de RAM e SSD de 32 GB não é alarmante, apenas um pouco caro. O Chromebook Plus v2 da Samsung custa US$ 100 a menos e vem com caneta e teclado. Some isso e o Pixel Slate é, na verdade, US$ 300 mais caro!

A versão de US$ 1.600 com i7, SSD de 256 GB e 16 GB de RAM é ainda mais cara. É um dos produtos com Chrome OS mais caros já feitos — o Pixelbook de topo de linha do ano passado ainda o supera. Assim como acontecia com os aparelhos passados com o mesmo sistema, pede a pergunta: quem vai gastar tudo isso em um Chromebook?

Em uma conversa com a equipe do Pixel Slate há algumas semanas, ficou claro para nós do Gizmodo que o Google espera que desenvolvedores embarquem no sistema.

A última versão do Chrome OS tem suporte a aplicativos do sistema, de Android e de Linux, Ele se destina não apenas a estudantes fazendo trabalhos ou blogueiros velhos que jogam Fallout Shelter (oi), mas também programadores e administradores de sistema que que passam muito tempo no Linux e querem uma máquina poderosa e atraente que rode aplicativos de Linux de modo nativo.

O Chrome OS foi difamado com justiça por ser incapaz de oferecer produtividade de verdade, como a de um macOS e de um Windows. Não há, por exemplo, versões completas do Photoshop ou do Microsoft Word. Mas agora tem pelo menos o GIMP (que ainda não serve muito bem para comparar) e LibreOffice.

Também há a capacidade de desenvolver e implantar aplicativos de Android e Linux no mesmo aparelho. O Google afirma que este é o dispositivo que permite desenvolver e testar apps de Android, e isso pode ser bastante chamativo para desenvolvedores, que até agora estavam presos ao macOS, Linux ou Windows, e precisavam rodar seus testes ou em um dispositivo virtual ou em um hardware separado.

Imagem: Google

O Linux no Chrome OS, no entanto, está disponível desde agosto. Outra mudança é um pouco mais nova, e é tão boba que custa a acreditar que ela tenha demorado tanto para chegar, mas também é maravilhosa. O Chrome OS agora tem dois ambientes de desktop.

Um lembra um ambiente tradicional de desktop e estará ativo a qualquer momento que o usuário conecte o teclado US$ 200 e use o aparelho como um laptop tradicional.

O outro lembra mais a gaveta de aplicativos do Android. Coloque o Pixel Slate no modo tablet e todos os apps de Android, Chrome e Linux aparecerão prontos para serem ativados com um toque de dedo ou da caneta opcional Pixelbook Pen, que custa US$ 100.

Concorrentes (ok, só a Microsoft) já tentaram separar interfaces de desktop e de tablet anteriormente, mas, ao contrário da Microsoft, a equipe do Chrome OS tem o verdadeiro benefício de uma década de design em interfaces de tablets e smartphones para usar como base.

A Microsoft fez uma interface de tablet do zero, como pudemos ver. O Chrome OS pode se basear no Android, usando não apenas sua interface já aprovada, mas também sua gama de aplicativos que funcionam melhor no modo tablet.

Tudo isso se junta para mostrar que o novo aparelho tem muito potencial. Apesar disso, reiteramos que o Pixel Slate não é barato. Ao contrário de outros aparelhos com Chrome OS, o Google está cobrando um preço de aparelho premium. US$ 800 para ter apenas um tablet e uma capa com teclado é muito para um aparelho com Chrome OS.

No entanto, ainda é barato quando comparado a outros aparelhos de concorrentes como Apple e Microsoft. Um iPad Pro de 10,5 polegadas e teclado sai por US$ 810. Um iPad Pro de 12,9 polegadas custa US$ 970. Um Microsoft Surface Pro 6 básico começa em US$ 1.030, já com a capa de teclado.

Quando comparado a esses aparelhos, o Pixel Slate básico parece mais acessível. Mas a robustez do Chrome OS na comparação com o iOS e o Windows vai depender do quanto ele melhorou, algo que não saberemos até testarmos melhor o dispositivo daqui a algumas semanas.

Se você já comprou a ideia, porém, o Google Pixel Slate começou a ser vendido hoje. Ele não está disponível oficialmente no Brasil.

[Google]

Imagem do topo: Google