O Onychomys torridus é um roedor minúsculo que pode ser encontrado no México e nos Estados Unidos. Curiosamente, ele não morrerá se for picado por um escorpião, diferente dos humanos, que não possuem tolerância ao veneno de certos animais. O que torna o pequeno ratinho mais resistente do que nós? Acompanhe.

Foi essa questão que pesquisadores europeus da Universidade de Leiden, nos Países Baixos, resolveram investigar. Eles não desenvolveram uma pesquisa do zero, mas sim revisaram uma série de outros estudos para obter uma visão geral de todos os animais tóxicos. Os resultados foram publicados na revista Biological Reviews.

Algo que chamou a atenção dos cientistas foi que as adaptações genéticas que permitiam aos animais lidar com toxinas apareciam mesmo quando as espécies não pertenciam a grupos relacionados. Esse fenômeno recebe o nome de evolução convergente –que caminha para um mesmo ponto.

Para entender o que acontece com os animais, é preciso lembrar do comportamento do próprio corpo humano. Quando você coloca a mão em uma panela quente, ocorre em seu organismo a transmissão de sinais, que acabam mostrando ao seu sistema nervoso que você deve tirar a mão o mais rápido possível para não se queimar.

Ao ser mordido por uma cobra, por exemplo, as toxinas também se ligam aos receptores, que deveriam enviar o sinal ao sistema nervoso de que algo está errado. Porém, o veneno bloqueia esse processo biológico

Com os animais resistentes, a história parece ser outra. De acordo com os pesquisadores, os receptor desses seres sofre uma alteração que impossibilita a ligação das toxinas. Ou seja, o veneno não causa estrago. Ao mesmo tempo, os receptores dos animais continuam atuando para a função original de enviar sinais ao sistema nervoso. 

As mudanças foram vistas pelos cientistas tanto em mamíferos quanto répteis e insetos. Ela era ainda mais frequente em espécies que coexistem com animais tóxicos há milhões de anos e têm a chance de serem atacadas pelo adversário. Mais um resultado da evolução das espécies.