Pesquisas sugerem que falar com os bebês usando entonações diferentes pode ajudá-los em interações sociais, dando uma força para que os pequenos aprendam como se comunicar. Geralmente, os pais utilizam essa chamada “voz de bebê” para falar com seus filhos. 

Mas existe um outro grupo de usuários da voz de bebê: os casais. Pois é, pode parecer estranho e até meio brega ter dois adultos conversando em tons e ritmos exagerados, mas este é um fenômeno global. 

Nessa fase da vida, ninguém mais precisa aprender a falar. A voz de bebê, usada por pelo menos dois terços dos amantes mundo afora, serve aqui para demonstrar amor e carinho. Pelo menos, é o que diz a teoria do afeto, criada pelo pesquisador Kory Floyd. 

A voz aguda, a fala suave e a entonação exagerada são comportamentos vocais específicos que sinalizam afeto. Coincidentemente, essa é também a forma que os adultos falam com crianças. Alguns animais também são vítimas da vozinha adotada por seus tutores. 

Mas a história não para por aí. Como explicou Ramesh Kaipa, professor associado de Ciências da Comunicação e Distúrbios na Universidade do Estado de Oklahoma, nos EUA, a voz de bebê cria um universo único para o casal.

Ter um jeito próprio de se comunicar, seja usando voz aguda ou chamando o parceiro de “docinho”, faz com que o casal se isole do resto do mundo e das conversas adultas rotineiras para entrar em algo que pertence apenas à dupla. 

Essa forma de comunicação personalizada pode ser vista dentro de relacionamentos românticos ou mesmo em amizades íntimas. Até mesmo os nomes criativos e apelidos dados aos animais, como “Pipoca” ou “Amora”, entram nessa história.

 A voz de bebê é, acima de tudo, sobre vínculo.