O Galaxy Nexus, da Samsung, é o aparelho mais potente do mercado a contar com um barômetro em suas especificações. Parece estranho colocar um sistema de medição de pressão atmosférica em um aparelho onde o espaço físico é extremamente valioso, não? Só tem um detalhe: ele pode fazer coisas incríveis.

Tradicionalmente, barômetros são usados para detectar — e prever — mudanças de curto prazo na condição climática. Quedas de pressão indicam que vem chuva por aí. Sinais de aumento excessivo de pressão mostram que o céu ficará bem azul. Mas sem dúvida o Google e a Samsung não fizeram ginástica para colocar isso no aparelho para que ele faça previsões de tempo mais apuradas, certo? Bem, na verdade, talvez. Mas isso é só uma parte.

Central de temperatura

E se o barômetro for usado não para oferecer previsões de tempo personalizadas, e sim para oferecer dados para uma rede de crowdsource visando o bem de moradores/viajantes/pedestres de várias cidades? Imagine ter um servidor interpretando milhares de leituras de pressão em um raio pequeno para entregar previsões de tempo bem específicas e precisas.

Eu imagino que tal ideia funcionaria bem em uma área de população moderada para densa, onde há sempre uma constante e sólida rede de leitura barométrica. Quantos celulares seriam necessários em uma área específica para criar dados aceitáveis? De acordo com o New York Times, o app de temperatura que melhor trabalha com crowdsourcing é o Weather Underground. Eles coletam dados de 20 mil estações ao redor dos EUA. Com um barômetro em cada telefone? Eles poderiam coletar dados de 20 mil sensores barométricos em um só bairro ou cidade.

Há também no Android Market um app chamado pressureNet, que coleta os dados barométricos do tablet Xoom, da Motorola (que também tem o sensor), e os junta em um mapa. Com o aumento no número de usuários e dados, os criadores prometem usar as informações para prover previsões detalhadíssimas. Mas como o app tem apenas 10 dias de idade, sua utilidade ainda precisa ser provada.

Há uma certa preocupação de privacidade nessa proposta — mas quando não há, não é mesmo? Mas tal app teria que coletar sua localização, além dos dados barométricos, para fazer sentido. E, no plano geral, o Google teria que acessar esses dados, e isso assusta bastante gente.

Para outros, a localização será exatamente onde o barômetro deve brilhar.

Navegação 2.0

Outro uso popular para barômetros? Navegação. O GPS funciona muito bem quando o céu está bem azul, mas quando as nuvens fecham, ou você mora em uma metrópole envolta por um emaranhado de fios, o “muito bem” vira “capenga” em segundos. É por isso que acelerômetros, chips Wi-Fi e, sim, barômetros, surgem como apoio e aumentam a capacidade de navegação, ajudando o GPS em determinados locais.

O barômetro usa as leituras de pressão atmosférica para determinar sua altitude e, de forma mais apurada, saber quão rápido você está se movendo em uma área. Levando em consideração que os smartphones estão basicamente transformando os GPS clássicos em um aparelho obsoleto — e que o Android tem um dos melhores apps de navegação possível — faz sentido imaginar o Google investindo tempo e esforço para deixar essa tecnologia ainda melhor.

Apps para quem vive nas ruas podem ficar ainda mais úteis para quem escala ou faz o tipo de aventura em que a topografia é algo importante.

Então, sim, a adição de um barômetro pode ter deixado muita gente confusa. Mas pelo menos ele pode revolucionar o modo com que usamos apps de previsão de temperatura e navegação. E o que mais? Descobriremos em breve.