Mesmo que você não seja um “gamer”, certamente já ouviu falar no Twitch. É um gigante de streaming ao vivo, o local onde aconteceu aquela loucura envolvendo Pokémon há alguns meses. Fazia sentido que o Google quisesse comprar o serviço, mas quem levou no fim das contas foi a Amazon. Não chega a ser surpreendente – o que é interessante é notar que não havia mais empresas dispostas a jogar bilhões nas mãos do criador do Twitch.

Não é (só) sobre jogos

O Twitch construiu seu reino no mundo do streaming de videogames, e faz isso muito bem. Eis alguns números: segundo o QZ, 15 milhões de pessoas assistiram a World Series 2013, final do campeonato de baseball norte-americano. Mas 32 milhões de pessoas assistiram o campeonato mundial de League of Legends. O Twitch Plays Pokémon – um fenômeno composto em grande parte por telas de menus – teve 80.000 pessoas assistindo. Simultaneamente. Durante dias.

Mas o potencial do Twitch tem a ver com o framework que consegue aguentar tanto peso sem grande problema. Não faltam por aí serviços de streaming ao vivo – Ustream, Justin.tv, o YouTube tentou algumas vezes mas nunca ganhou força, graças a má execução, falta de consistência, de eventos para assistir, ou combinação disso tudo.

O Twitch, por sua vez, encontrou um equilíbrio. Ele não é perfeito – streaming ao vivo nunca é – mas ele funciona em tudo e funciona consistentemente, e sempre há algo para assistir. Essa força ajudou a solidificar seu reinado e ainda contou com o apoio do crescimento do mundo dos e-sports. Enquanto isso, o Twitch abre suas portas para outro tipo de transmissões. O Twitch complementa o Netflix como um serviço para zapear por canais em busca de algo interessante. O futuro do vídeo está no streaming ao vivo, e o Twitch é o streaming ao vivo.

Não é (só) pelos grandes eventos

32 milhões de pessoas assistindo um campeonato de videogame é grande coisa, assim como dezenas de milhares de pessoas jogando ao mesmo tempo um jogo de Game Boy pressionando um botão por vez. Mas o Twitch não é sobre isso. Trata-se de roteiristas de jogos conhecendo seus fãs, ou adolescentes desajeitados assistindo algumas partidas de Starcraft 2 com amigos que ele deixou para trás após mudar de cidade. É uma comunidade.

O Twitch pode não ser exatamente uma rede social clássica, mas tem as mesmas características. E vai muito bem. Tem as pessoas que querem compartilhar o mundo de Minecraft e também Fred Durst, vocalista da banda Limp Bizkit, tentando desesperadamente recuperar um pouco da sua fama. A combinação de comunidade íntima com sem-vergonhice de celebridades faz o Twitter ser ótimo, mas o assunto principal definido do Twitch com toda a sua base de fãs, junto com a capacidade de abrir a porta para outros assuntos, fazem com que ele se destaque.

Uma rede social que funcione não é fácil criar a partir do nada – o Google sabe bem disso – então o fato do Twitch ter janelas de bate-papo em todos os streamings é algo bastante atrativo para qualquer empresa. O truque é encontrar o ponto ideal para adquiri-lo quando ele ainda está começando a crescer, mas não é grande o suficiente para se tornar público. Exatamente o ponto atual em que se encontra o Twitch.

É apenas alguma coisa para todos

O Google desejou o poder de streaming ao vivo do Twitch que o YouTube não conseguiu, e também a comunidade super-engajada que faz o Google+ passar vergonha. Com Twitch e YouTube, o Google seria definitivamente o rei do vídeo na internet, e bem a tempo da chegada da Android TV.

Enquanto isso, não havia nada melhor para a Amazon complementar sua Fire TV com sua capacidade de jogos do que comprar seu próximo serviço que serve para jogos e para ver TV. Isso sem contar o Amazon Prime. Lá fora, o serviço de streaming da Amazon já é comparável ao Netflix, e agora terá tecnologia para streaming ao vivo sendo transmitido para milhões de pessoas. Festivais de música da Amazon podem estar vindo aí.

A Amazon venceu a disputa, mas aposto que Google e Amazon não eram os únicos concorrentes. A Apple tem sua pequena set-top-box que dizem que se tornará mais atraente para jogos. A Microsoft tem um console e investe em streaming de vídeo desde o começo dos tempos. Qualquer empresa com alguns bilhões disponíveis para comprar o Twitch seria louca se não ao menos tentasse. E, no fim das contas, Bezos foi quem saiu vencedor.