Por que “The Idol”, a série de The Weeknd e do criador de “Euphoria”, virou um caos

Fontes revelaram à “Rolling Stone” que a produção teve demissões, problemas no orçamento e mudanças na trama. Sam Levinson, de “Euphoria”, é diretor do projeto
The Idol
Imagem: Divulgação/HBO

A nova série de Sam Levinson (“Euphoria”) e The Weeknd foi citada por muitos veículos  especializados como uma das mais aguardadas para  2023. No entanto, os bastidores das produções estão cercados de polêmicas. A Rolling Stone ouviu 13 fontes ligadas à série, que relataram o caos da produção por trás das câmeras.

Pensando nisso, o Giz Brasil separou tudo o que sabemos até agora sobre “The Idol”, inclusive as polémica. se liga só:

A história de “The Idol” 

A trama de “The Idol” fala da indústria da música e gira em torno de uma popstar em ascensão vivida por Lily Rose Depp, filha de Johnny Depp e Vanessa Paradis. Na produção, a personagem está em busca do sucesso em Hollywood e se envolve com um “guru de autoajuda”. O personagem também é dono de uma boate em Los Angeles. Além de ser líder de um culto moderno, interpretado pelo próprio The Weeknd. 

As cenas do trailer, revelado em julho do ano passado, mostram os romances complicados vividos pelos protagonistas. As histórias têm diversos momentos intensos, envolvendo drogas, sexo, fama, luxuria e os bastidores de Hollywood. Além da dupla, o elenco conta, também, com nomes como Troye Sivan, Rachel Sennott, Hari Nef, Debby Ryan, Suzanna Son, Steve Zissis, Melanie Liburd, Tunde Adebimpe, Elizabeth Berkley Lauren, Nico Hiraga, Anne Heche e Jennie, do grupo de k-Pop Blackpink.

https://www.youtube.com/watch?v=dVaxPykC_es

A saída de Amy Seimetz

Segundo reportagem da revista Rolling Stone norte-americana, os problemas em “The Idol” já tinham começado muito antes das gravações. A atriz e cineasta Amy Seimetz, contratada para dirigir os seis episódios da produção, teve que iniciar seu trabalho com os roteiros incompletos. Não havia  nenhuma ideia de como a história chegaria ao fim, já que o texto do último capítulo sequer tinha sido esboçado.

A ideia da série era escancarar o lado podre da indústria musical, em uma crítica ácida a artistas dispostos a fazer qualquer coisa pela fama. Porém, The Weeknd achou que seu personagem estava sendo ofuscado pela mocinha vivida por Lily-Rose, Amy abandonou a produção em abril do ano passado.

O motivo para a saída, segundo o portal, eram divergências criativas entre a diretora, Abel (The Weeknd) e os executivos da HBO. O estúdio queria uma série na mesma pegada de “Euphoria”, porém com um orçamento e prazo extremamente limitados. E encaixar o protagonismo de Abel com sua agenda lotada de shows também se provou um desafio.

A situação desandou completamente quando o roteiro passou por mais de 20 revisões com drásticas mudanças sendo feitas diariamente. Seimetz chegou a ser demitida sem aviso prévio, após ter filmado cerca de 80% da série. A equipe só ficou sabendo do corte quando a informação foi divulgada pela mídia. 

O rombo orçamentário

Sam Levinson, que tinha acabado de encerrar a segunda temporada de “Euphoria”, assumiu a direção da série que ele tinha criado. Mas ao invés de melhorar, o clima de desorganização piorou. O cineasta usou sua influência para fazer o que bem entendesse com a “The Idol”. Houve quase uma ameaça de não retornar para uma terceira temporada do sucesso do canal caso fosse contrariado. 

Por isso, o produtor teria descartado absolutamente tudo que havia sido gravado por sua antecessora, desperdiçando um orçamento de cerca de U$ 75 milhões. De acordo com duas fontes próximas ao setor financeiro, a produção ainda enfrenta dificuldades com o orçamento. A HBO teria pedido que o valor total ficasse abaixo de US$ 54 milhões – praticamente metade do que é estimado para a terceira temporada de “Euphoria”.

Apesar do baixo orçamento, fontes disseram que a empresa esperava que a série tivesse uma qualidade igual à do seriado estrelado por Zendaya, com aluguel de mansões, estádios e casas noturnas para filmagens, além da gravação de videoclipes para a trama.

As polémicas com Sam Levinson

O relatório divulgado pela Rolling Stone, ouviu mais de 10 funcionários que trabalham na produção e preferiram permanecer anônimos. De acordo com as fontes, Levinson substituiu a perspectiva feminina de Amy Seimetz, diretora original do projeto, pelo que foi descrito como uma pura “pornografia de tortura sexual”.

O diretor teria mudado totalmente a visão desenvolvida pela cineasta para a série. Conforme divulgado pela revista norte-americana, a história passou de “uma estrela problemática sendo vítima de uma figura predatória da indústria” para “uma história de amor degradante com uma mensagem vazia que alguns membros da equipe descrevem como ofensiva”.

Segundo um membro da produção, a historia da produção “era como qualquer fantasia de estupro que um homem tóxico qualquer teria posto na série — e a mulher ainda volta para mais porque isso faria sua música ficar melhor”. Além disso, o maior problema era a constante mudança que Levinson fazia nos roteiros. “Havia uma sensação de caos porque [nós] nunca tínhamos uma ideia do que aconteceria no dia ou na cena seguinte”, contou um deles.

The Idol

Imagem: Reprodução/Youtube HBO

Entre as cenas perturbadoras escritas por Levinson, de acordo com a equipe, havia um momento em que a protagonista seria espancada. Ela pediria para apanhar mais, provocando uma ereção no personagem de The Weeknd. Outra trazia a protagonista carregando um ovo na própria vagina. O alimento não podia cair ou quebrar, caso acontecesse o personagem de The Weeknd recusaria para “estuprá-la”.

Abusador

“Era uma série sobre uma mulher que estava se descobrindo sexualmente, mas se transformou em uma série sobre um homem que começa a abusar dessa mulher e ela adora”, descreveu uma fonte. Nenhuma das cenas foi filmada. Mas, devido às alterações nos roteiros e às refilmagens, muitas pessoas da equipe disseram não saber o que é usado no corte final de “The Idol”. Além disso, falaram que Levinson está “desenvolvendo um histórico de sets caóticos” e que evitaria trabalhar com ele no futuro.

“Entrei em ‘The Idol’ pensando que poderia ser uma colaboração interessante, mas saí bastante convencido de que [Levinson] não é muito colaborativo”, disse uma fonte. Segundo ela, a HBO deu um “um cheque em branco” para que o diretor transformasse a série em “uma terceira temporada de ‘Euphoria’ com pop stars”.

“Eu estava tão esgotado no final”, afirmou outra fonte. “Eu estava tipo, ‘Não posso ter um emprego que me faça chorar todos os dias porque tenho duas horas para dormir e estou sendo puxado em 100 direções porque ninguém sabe o que está fazendo, ou ninguém sabe o que quer porque não sabemos o que estamos filmando.”

“Este foi um forte exemplo do quão longe [Levinson] pode levar a HBO, que continuará encobrindo-o porque ele traz dinheiro”, refletiu uma delas. “Ele é capaz de sair ileso e todo mundo ainda querer trabalhar com ele… As pessoas ignoram os sinais e o apoiam de qualquer maneira”, completou.

De acordo com The Wrap, outro respeitado portal americano, os funcionários que denunciaram a situação foram demitidos. E para piorar, o ambiente de trabalho era tão hostil que a maioria da equipe restante teria pedido demissão após Levinson assumir o projeto de Seimetz.

O cronograma de “The Idol”

Outro problema foi o cronograma para a produção, que começou a ser filmada no final de 2021 e entrou em hiato em abril de 2022. Segundo a revista, Levinson raramente aparecia no set no início das gravações e a disponibilidade de The Weeknd era limitada, já que ele começou sua turnê mundial em julho.

Após o hiato, as gravações retornaram em maio de 2022, já sem a diretora. O elenco teria celebrado o fim da produção com uma festa em julho, mas retornado para mais filmagens em outubro. Por conta desses atrasos e refilmagens, “The Idol” ainda não conta com previsão de lançamento.

The Idol

Por conta de atrasos e refilmagens, “The Idol” ainda não conta com previsão de lançamento – Imagem: Divulgação/HBO

Respostas sobre as polemica de “The Idol”

Representantes da HBO comentaram a polêmica ao The Wrap, negando as acusações sem comentar nenhum ponto específico, apenas garantindo que as mudanças foram feitas para garantir a qualidade do programa. Confira o comunicado:

“Os criadores e produtores de The Idol vêm trabalhando muito para criar uma das séries originais mais empolgantes e provocantes da HBO. A abordagem inicial da série e a produção dos episódios iniciais, infelizmente, não alcançaram os padrões de qualidade da HBO então escolhemos fazer mudanças. Ao longo do processo, a equipe criativa tem se comprometido em criar um ambiente de trabalho seguro, colaborativo e de respeito mútuo, e no último ano, a equipe fez mudanças que julgou necessárias para alcançar os melhores interesses da produção, do elenco e da equipe. Estamos empolgados em compartilhar The Idol com o público em breve.”

Já Lily-Rose Deep, que é a protagonista da série, afirmou à Rolling Stone que o criador de Euphoria é “o melhor diretor” com quem já trabalhou. “Nunca me senti mais protegida ou respeitada em um espaço criativo, minhas sugestões e opiniões nunca foram tão valorizadas. Trabalhar com Sam é uma verdadeira colaboração em todos os sentidos — o que conta para ele, mais que qualquer coisa, não é só o que os atores pensam do trabalho, mas como se sentem performando aquilo,” garantiu Depp.

Por outro lado, Abel Tesfaye, o The Weeknd, respondeu às alegações de maneira irônica. Por meio de uma publicação nas redes sociais, o cantor soltou uma cena inédita de “The Idol”, onde Tedros, personagem vivido pelo artista, chama a revista de “irrelevante” quando Jocelyn, interpretada por Lily-Rose Depp, recebe uma oferta de capa. 

“Te irritamos?,” questionou na legenda da publicação. “Ninguém se importa com a Rolling Stone”, dispara Tedros. “A Rolling Stone tem seis milhões de seguidores no Instagram, metade provavelmente comprada, e Jocelyn tem 78 milhões de seguidores, todos verdadeiros. Então, ela faria um ensaio fotográfico, marcaria eles e ganharia mais seguidores. Mais dinheiro para Rolling Stone, nada para Jocelyn”.

Rayane Moura

Rayane Moura

Rayane Moura, 26 anos, jornalista que escreve sobre cultura e temas relacionados. Fã da Marvel, já passou pela KondZilla, além de ter textos publicados em vários veículos, como Folha de São Paulo, UOL, Revista AzMina, Ponte Jornalismo, entre outros. Gosta também de falar sobre questões sociais, e dar voz para aqueles que não tem

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