A Spring Design criou o Alex, leitor de e-book com duas telas: uma e-ink preto-e-branco, e outra LCD colorida com Android. Ele não conseguiu concorrer com Kindle e Nook, e não é mais vendido. Por sua vez, a Fusion Garage apostou desde 2010 em dois tablets para atacar o iPad: o JooJoo e o Grid, ambos com software terrível. A empresa acabou e agora deve US$40 milhões. Enquanto isso, Microsoft, Samsung e Apple torram bilhões desenvolvendo novos gadgets. A lição é: startups de hardware, parem de tentar – o negócio agora é software.

John Hermann, ex-Gizmodo US, aponta no BuzzFeed que está cada vez mais difícil para empresas novatas apostarem em hardware. O problema é que, mesmo que seu produto seja um sucesso, é difícil lucrar no começo. Você precisa de ainda mais dinheiro, e poucos estão dispostos a apostar.

Ele cita entre outros o caso da empresa Roku, que faz hardware para streaming na TV: a caixinha multimídia vende bem, mas perde dinheiro. Apesar do sucesso, eles precisam de US$50 milhões para “expansão”, e estão pedindo para operadoras de TV – e não para investidores de risco (que trabalham com venture capital), porque não esperam nada deles.

Com software, a história é outra. Ano passado, 45 empresas de tecnologia entraram na bolsa de valores, captando cerca de US$75 bilhões no total. Sabe quantas delas criavam hardware? Zero. E há bons motivos para se investir em startups de software, como diz John:

Investidores amam startups de software por dois motivos: elas não custam muito para administrar, e se elas estourarem, o sucesso é enorme. Reunir usuários é barato e fácil – geralmente você dá a eles algo de graça, pelo menos no início – e as despesas gerais com a empresa são baixas. Se não der certo, bem, quem se importa? Valeu a pena. Poderia ter sido grande.

Fora que é difícil competir com os gigantes: juntas, Apple, Samsung e Microsoft investiram mais de cinco bilhões em P&D em apenas três meses. E os casos de “sucesso” entre as novatas de hardware são raros: a Spring Design, por exemplo, só conseguiu muito dinheiro licenciando suas patentes para a Barnes & Noble (depois de disputa judicial) – mas seu e-reader já saiu do mercado. É por isso que John Herrman diz: o próximo iPad não virá de uma startup. O texto é ótimo e está bem aqui: [BuzzFeed]