Realmente, o PlayBook, tablet da BlackBerry, é um pouco estranho em certos sentidos. É preciso fazer tethering com seu BlackBerry para baixar seu e-mail ou seu calendário. Estranho. Mesmo assim, ele é bem bacana.

Ele é mais ou menos como o tablet de sete polegadas idealizado pela maioria, algo que poderia ser muito genérico se não fosse tão bem executado. Fino como um iPhone 4, os cantos são arredondados, mas não tão arredondados. A traseira tem acabamento sutilmente emborrachado, mas não tão emborrachado. A moldura preta brilhante sem botões? Trata-se na verdade de uma superfície de toque de verdade para gestos, como no Palm Pre. Sobra apenas uma câmera frontal de 3 megapixels no topo.

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Para uma versão beta que ainda não está totalmente otimizada, o sistema rodou muito bem. Os aplicativos abrem e se expandem, encolhem e se fecham, vão e voltam enquanto você navega pelas páginas sem nenhuma lentidão. Puxar o topo da tela abre o menu de aplicativos. Para esquerda ou para a direita, os outros aplicativos abertos são exibidos. E movendo para baixo, o trocador de apps aparece, onde aplicativos abertos podem ser eliminados (como no Palm webOS). Páginas carregadas com Flash funcionam bem. É legitimamente impressionante.

A questão é: quem, além dos usuários de BlackBerry, irá querer comprá-lo? O sistema dos aplicativos de calendário e e-mail é completamente conectado a um BlackBerry. Sem um BlackBerry, não há aplicativo nativo de e-mail ou calendário – sendo possível acessá-los apenas pelo (realmente bom) navegador. E isso pode desanimar muita gente. E nós ainda não pudemos ver como o novo App World está, nem os futuros aplicativos que podem transformá-lo num tablet sensacional – ou num monstro.

Essa peça de hardware viverá ou morrerá baseada na loja de aplicativos e da capacidade de coisas a se fazer. A RIM foi esperta e deu aos desenvolvedores várias plataformas para trabalhar no PlayBook – Adobe AIR, HTML5/aplicativos web (que eles batizaram de WebWorks), um SDK nativo (disponível apenas para desenvolvedores especiais), e há muitas possibilidades – mas quantos desenvolvedores realmente se empolgarão com a ideia?

A RIM tem algo em mãos que pode muito bem ficar acima dos trilhões de outros tablets toscos que serão lançados neste ano. Eles só precisam pensar agora no próximo e importante passo.