O relógio Pebble original arrecadou incríveis US$ 10,3 milhões no Kickstarter, e veio bem antes do Android Wear ou do Apple Watch. Por um bom tempo, ele foi considerado o melhor smartwatch segundo os críticos em todos os lugares. Durante os últimos cinco dias, eu usei o sucessor dele, o Pebble Time, e nunca me diverti tanto com um smartwatch.

O que é?

Um relógio de pulso com um pequeno computador por dentro, além de uma pequena tela colorida de e-paper com 1,25 polegada que exibe notificações do seu smartphone, acesso fácil ao seu calendário e pequenos apps. Ele funciona com Android e iOS.

Há quatro botões para navegar e selecionar as coisas, um microfone para enviar respostas de voz a textos e e-mails, e saliências removíveis para que você possa encaixar qualquer pulseira padrão de 22 milímetros. Também há sensores para que ele possa agir como uma pulseira fitness básica. Ele é impermeável o suficiente para um bom mergulho. Não há limite para o número de apps que você pode instalar, ao contrário do Pebble original.

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Por que ele é importante?

Apple e Google estão promovendo computadores de pulso poderosos que rodam versões simplificadas de apps para smartphone. A Pebble pensa diferente. O novo Pebble Time não parece ser muito mais poderoso do que uma calculadora gráfica do ensino médio. Mas por causa disso, ele promete durar até uma semana com uma recarga, em vez de apenas um dia ou dois. E talvez mais importante, ele é muito simples de usar.

Por que este não é um review?

Eu não passei muito tempo com o Pebble Time – apenas cinco dias, incluindo um final de semana prolongado. Além disso, você não pode comprar um relógio desses, a menos que você seja uma das 78 mil pessoas que já desembolsaram US$ 159 ou mais durante a campanha do Kickstarter – nesse caso, você vai receber o relógio querendo ou não.

A Pebble não vai vendê-lo no varejo até que todos os pedidos de pré-venda no Kickstarter forem entregues. A pré-venda só começa em 22 de junho, na verdade. Isso é provavelmente bom, porque o Time é um produto limitado no momento.

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Design

Em comparação ao Apple Watch ou ao LG Watch Urbane que eu recentemente tirei do meu pulso, o Pebble Time parece um pouco inferior. Ele é um smartwatch de plástico, enquanto os outros são feitos de metal, embora ele tenha uma elegante moldura de aço inoxidável em torno do vidro – a Pebble não usou materiais inferiores ou algo assim. Na verdade, eu acho que a pulseira de silicone branco é realmente fantástica: ela é quase tão suave como seda como a que eu amei no Apple Watch.

E honestamente, eu gosto da maneira como ele fica em meu pulso, também. Ele é mais fino do que a maioria dos outros smartwatches, e também é leve. É agradável e com boas proporções, se comparado a alguns dos tijolos de metal para o pulso que outras fabricantes estão vendendo. Meu modelo branco não parece caro, mas eu acho que parece elegante.

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O que eu não gosto, sem surpresa, são exatamente as mesmas coisas que não me agradam no Pebble original:

1) os botões são dolorosamente rígidos;

2) o cabo de carregamento tem ímãs minúsculos, fracos, e não fica confiantemente conectado.

Fico estarrecido que os maiores problemas no Pebble original ainda estão aqui, especialmente agora que a competição foi tão longe. Cada dispositivo Android Wear que eu experimentei tem um carregador mais seguro. E senti falta do incrível botão giratório no Apple Watch.

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Ah, e se comparado a outros smartwatches, a tela de 1,25 polegadas no Pebble parece muito, muito pequena, com uma moldura gigante ao redor da borda. Pode ser difícil ler o texto minúsculo (a Pebble diz que será possível ajustar o tamanho da fonte em breve), e pouco texto se encaixa na tela ao mesmo tempo. A luz de fundo é bem fraquinha, também.

O Pebble Time ainda usa uma tela transflexiva – ou seja, que reflete a luz para ficar bem legível sob iluminação forte – mas em condições mais escuras, por vezes pode ser difícil usá-lo. Eu sinto que estou me acostumando com a tela, mas ela poderia ser bem desmotivadora para algumas pessoas.

Usando

A interface de usuário do Pebble faz muito sentido. Tudo acontece em duas colunas: uma para sua Timeline, e outra para apps.

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A partir da face do relógio, você pressiona o botão para cima e para baixo se quiser avançar e recuar no tempo. Ao avançar, você verá os seus eventos de calendário, alarmes e lembretes, além de boletins meteorológicos de manhã e à noite. Ao voltar, há as chamadas não-atendidas, seus alarmes anteriores (quando eu acordei de manhã?), objetivos completos e assim por diante. Você pode ir até dois dias em qualquer direção.

Ao pressionar o botão à direita (seleção), você vai para uma camada mais profunda. Quer mais informações sobre a previsão do tempo? Por que esse alarme disparou? Por sua vez, ao pressionar o botão esquerdo (voltar), você retorna de onde veio. Você pode até interagir com alguns itens da Timeline pressionando o botão direito novamente. Assim é a coluna Timeline.

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Para chegar à coluna de apps, basta pressionar o botão direito quando estiver na face do relógio. Então, você terá uma coluna de rolagem infinita com todos os seus apps. Pressione os botões direcionais para alternar entre eles. Mais uma vez, toque no botão da direita para mergulhar mais fundo, ou o botão esquerdo para voltar.

Isso se parece muito com a mais recente interface do Android Wear, ou até mesmo a interface do Apple Watch, não é mesmo? O Android Wear ainda tem duas colunas: apps à direita, cards do Google Now à esquerda. Cada uma das principais interfaces de smartwatch separa a informação útil, vinda automaticamente, dos apps que você realmente tem que optar por usar a qualquer momento. É uma boa ideia para todos os envolvidos.

A coisa maravilhosa sobre o Pebble é que você sempre sabe onde vai encontrar o que deseja. Em contraste, o Google Now lança cards em você sem aviso, sugerindo informações que acha que você vai gostar – placares esportivos, check-ins locais etc. Deslize-os para o lado, e eles vão desaparecer para nunca mais serem vistos novamente. A Apple esconde suas informações em Glances e dentro de apps, em um método infernal de se navegar. Mas com o Pebble, os placares do seu time estão ali na sua Timeline no momento em que chegarem. Basta pressionar um botão para encontrá-los.

Ah, e você pode segurar o botão superior ou inferior como um atalho para dois apps à sua escolha, que ajuda a resolver o dilema do smartwatch que mencionei antes: isto pode tornar uma tarefa mais rápida do que tirar seu smartphone do bolso.

A falha trágica

A coisa terrível no Pebble é que ele depende totalmente de desenvolvedores de apps para tornar útil essa interface incrível. Graças a parcerias com o Weather Channel, ESPN, Foursquare e alguns outros, eu posso ver placares, boletins meteorológicos e check-ins no meu calendário, além de meus eventos de calendário… e só. Minha Timeline é meio estéril. E isso é porque o Pebble está à mercê do Google, Apple e dos desenvolvedores de apps para todo o resto que este relógio faz.

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A Pebble não é o Google. Ela não tem servidores gigantes e cheios de informação do mundo. Ela não consegue analisar meu calendário e e-mail para exibir automaticamente o meu status de voo no momento certo. Ela não pode facilmente me oferecer instruções curva a curva até minha próxima reunião. Embora o novo Pebble tenha um microfone, não há Google Now ou Siri ou Cortana para me ajudar a emitir comandos de voz do meu pulso.

E você não pode controlar os serviços do Google e da Apple com os botões. Embora o Pebble Time deixe você arquivar mensagens do Gmail e até mesmo responder a elas com mensagens enlatadas, emoji, ou reconhecimento de voz (leeeento), eu não posso ler e-mails inteiros sem pegar o smartphone. Eu não posso responder “Sim” para convites de calendário com um único toque. Eu não posso ativar instruções de navegação mesmo se houver um endereço bem ali na notificação que acabou de ser enviada para o meu relógio. Eu sinto falta dessas coisas.

Mas não tanto quanto eu imaginava.

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O lado positivo

O Pebble Time é divertido. Ele é acolhedor e convidativo de uma forma que os outros relógios inteligentes não são. Parte disso é simplesmente porque ele está sempre ligado: a tela nunca precisa desligar para economizar bateria.

E parte disso está nas pequenas animações impressionantes em toda a interface, que fazem o Pebble ganhar vida. Notificações descartadas são destruídas por uma simpática trituradora de papel. As respostas ganham forma de um avião de papel em voo. Carregue o relógio e ele vira um filtro pingando café. Um bicho-preguiça vem visitar se você não tiver nada programado em um determinado dia. As animações ajudam a esconder qualquer lag na interface, claro, mas elas fazem mais do que isso.

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A outra parte é a incrível criatividade da comunidade de desenvolvedores independentes do Pebble. Claro, eu não posso usar o Google Maps no Pebble, mas algum gênio criou um app que detecta automaticamente quando eu começar a navegação curva-a-curva no meu celular, para então enviar isso ao meu pulso.

Outro cara fez um app do Caltrain, trem que viaja entre San Francisco e o Vale do Silício, que é mais rápido e mais fácil de usar do que o app oficial no meu smartphone. Não há nenhum app oficial do Nest para o Pebble, mas o que eu estou usando aqui controla o meu termostato inteligente de forma perfeita, e tem um visual bacana. Enquanto isso, o LetsMuv acompanha meu sono, emite alertas para eu ficar em pé, e me ajuda a fazer meu smartphone tocar quando eu o perco – tudo a partir de um app.

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E isso sem mencionar as inúmeras faces para relógio que você poderá usar:

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Por mais que eu esteja preocupado que esses desenvolvedores migrem para o Android Wear ou Apple Watch, onde os lucros podem ser maiores, eu acho que a Pebble está fazendo a coisa certa com sua loja de apps. Ao navegar por ela, você encontra ferramentas impressionantes e jogos que você pode adicionar ao seu pulso – nada mais.

Eu não consigo entender por que a Apple e o Google decidiram esconder apps de relógio dentro de apps para smartphone em suas respectivas lojas, mas é isso que eles fazem. Ou seja, você não pode simplesmente navegar pela experiência em relógios, e mesmo se você encontrar um app bacana, não dá para saber se ele é bom no pulso – afinal, você também estará lendo comentários sobre o app para smartphone.

A melhor parte sobre o Pebble é descobrir o que seu pulso pode fazer.

Notas de teste

  • Eu só testei o Pebble Time com um smartphone Android, não um iPhone. A Pebble admite que o software para iPhone fica um pouco atrás do disponível para Android. Ele não pode fazer respostas de voz para e-mails ainda, por exemplo.
  • Eu não pude testar a duração da bateria por um tempo suficiente, mas eu vi o meu Pebble Time morrer depois de apenas três dias de uso (notoriamente pesado).
  • No entanto, ele carrega rápido: se eu o plugar enquanto tomo banho de manhã, a bateria chega aos 100%. Entre isso e os três dias garantidos de autonomia – que podem chegar a sete – eu me sinto confortável em dormir com ele em vez de carregá-lo toda noite.
  • Isso significa que eu posso usá-lo para controlar o meu sono e vibrar meu pulso para me acordar todas as manhãs, em vez de usar um telefone barulhento. Alarmes silenciosos são ótimos.
  • Ter o Evernote para listas de tarefas é muito bacana, assim como no Apple Watch e Android Wear.

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  • Ele é resistente à água a até 30 metros, mas eu só tomei banho com ele uma vez.
  • Ele não é bom para uso sem as mãos, como um dispositivo Android Wear. A falta de comandos de voz significa que ele não é tão útil no carro.
  • Por mais que eu goste de ter botões reais, em vez de uma tela sensível ao toque, estes botões não são muito bons, e a interface baseada em colunas poderia realmente usar uma roda de rolagem.
  • Por que não posso segurar os botões cima/baixo para percorrer a Timeline ou as notificações, como eu posso quando uso a rolagem na lista de apps?
  • Ao contrário do Pebble original, você não pode marcar mensagens no Gmail como lidas – somente é possível arquivá-las.
  • Alguns apps para o relógio exigem apps no smartphone – como a rádio Pandora – e irão pedir para que você o baixe mesmo se você já o tiver instalado.
  • Eu gostaria que as pulseiras padrão de silicone – das quais eu gosto bastante! – tivessem uma fivela almofadadas como no Apple Watch, para que eu pudesse usá-las durante todo o dia sem medo de arranhar a minha mesa, laptop e outras superfícies.

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Devo comprar?

Bem… você não pode comprar, a menos que já tenha comprado. Até que os apoiadores do Kickstarter recebam seus pedidos, este smartwatch não estará disponível para compra – ele entrará em pré-venda só em 22 de junho. Em segundo lugar, eu acho que vale a pena esperar para ver se a plataforma recebe algumas atualizações de software que resolva as suas deficiências, e para desenvolvedores de apps que compraram o dispositivo no Kickstarter melhorarem seus apps.

Em terceiro lugar, o Pebble Time Steel de US$ 300 também sairá em breve com um corpo mais luxuoso de metal e maior duração de bateria, e aposto que você gostaria de saber ele se vale o dinheiro extra. Em quarto lugar, pulseiras inteligentes estão chegando. Em quinto lugar, o Android Wear e o Apple Watch poderiam ficar melhores no momento em que tudo isso acontecer.

Mas eu já posso dizer – faltando apenas um teste mais longo para a duração de bateria – que o Pebble Time é uma escolha melhor do que o Pebble original ou o Pebble Steel. Em quase todos os sentidos, ele é melhor.

Honestamente, este é o smartwatch mais divertido que eu já tive, e de certa forma ainda faz mais sentido do que a concorrência. Claro, eu não iria comprar um por US$ 200. Ainda não. Mas se você está convencido pela ideia de smartwatches, é difícil fazer muito melhor.

Voltaremos novamente ao Pebble Time quando ele for lançado no mercado.