O rover Perseverance pode ter encontrado seu primeiro grande obstáculo em Marte, já que a tentativa da semana passada de coletar rocha marciana não resultou em nada. Membros da equipe da NASA relataram que os sistemas do rover funcionaram perfeitamente – o problema, em vez disso, está na composição da superfície marciana.

Louise Jandura, engenheira-chefe no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, explicou a questão em uma postagem no blog da agência. “A medição do volume e a imagem após a medição chegaram indicando que o tubo de amostra estava vazio. Demorou alguns minutos para que essa realidade fosse absorvida, mas a equipe começou investigar o ocorrido”, escreveu ela.

O time da NASA passou dois dias analisando informações do rover, incluindo dados de medição do núcleo, que foi projetado para extrair amostras de rocha marciana que deveriam ser trazidas para a Terra mais ou menos em 2030.

Eles olharam as imagens do local de coleta, analisaram dentro do tubo de amostra, e até mesmo o caminho que o rover fez desde que a perfuração no solo marciano aconteceu. Uma parte muito importante foi a análise da medição de profundidade do buraco usando imagens tiradas pela câmera WATSON no rover, o que indicou que havia mais pedras no caminho do que a equipe esperava. 

O que deveria ser um pedaço do solo marciano, destinado à Terra é, na verdade, um punhado de poeira totalmente fragmentada e várias pedras em volta de uma pilha de resíduos. Essa coleta não é suficiente para estudar ou  determinar, de fato, como é o solo marciano.

Jandura escreveu que a equipe acredita que as propriedades materiais da rocha a tornaram difícil (leia-se: impossível) de retirá-la, e os cientistas esperam que todo o restante coletado seja igual. “O hardware funcionou como planejamos, mas a rocha não cooperou desta vez”, disse. 

Foto: NASA / JPL-Caltech (O tubo de ensaio vazio no Perseverance)

O fracasso dessa missão se assemelha muito com a falha na Mars InSight, em que a sonda “Mole” não foi capaz de cavar o local devido a uma quantidade inesperada de um sedimento chamado duricrust – camada dura sobre a superfície do solo. O projeto Mole foi abandonado em janeiro depois que os engenheiros tentaram bravamente fazê-lo funcionar.

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Apesar disso, a esperança ainda não foi perdida para a missão do Perseverance. O rover está indo para o próximo local de amostragem, o ponto mais distante em sua campanha científica, o extremo sul do Séítah marciano –  localizado na Cratera Jezero.

O Séítah é um conjunto de dunas acidentadas previamente exploradas pelo helicóptero Ingenuity. Jandura observou que, com base em imagens da região, a equipe espera encontrar rochas sedimentares marcianas mais semelhantes às rochas que a equipe testou com o equipamento do Perseverance. Essa tentativa de amostragem provavelmente ocorrerá no início de setembro.