A energia de fusão nuclear foi um dia apenas uma ideia da ficção científica — uma fonte de energia ilimitada que poderia iluminar o mundo para toda a eternidade, se soubermos domá-la. E apesar de real, sempre estamos a 30 anos de solucionar o mistério. Ou estávamos.

Recentes avanços na tecnologia de ímãs trouxeram a fusão um pouco mais próxima de nós. Pesquisadores da MIT revelaram o design de um reator nuclear compacto, que usa novos supercondutores de óxido de bário para produzir fortes campos magnéticos capazes de confinar uma fusão.



O reator, que tem metade do diâmetro dos atuais, pode, em teoria, produzir eletricidade o suficiente para 100.000 pessoas. Os pesquisadores afirmam que o conceito por ser realizado em uma década.

Fusão

A fusão, reação nuclear que energiza as estrelas, ocorre quando átomos de hidrogênio se chocam a altíssimas temperaturas para formar hélio. Essas combinações atômicas são acompanhadas de uma tremenda liberação de energia, que se torna autossustentável em temperaturas mais elevadas.

Mas o desafio sempre foi confinar o plasma de hidrogênio, que é tão quente quanto o núcleo do Sol. Poderosos campos magnéticos parecem ser a resposta, mas, tradicionalmente, precisamos de reatores bem grandes para produzi-los.

O reator proposto, descrito na Fusion Engineering and Design, poderia capitalizar o poder excepcional dos campos magnéticos criados com supercondutores metálicos de terra rara, produzindo energia autossustentável de fusão em reatores muito menores dos que conhecemos.

Os pesquisadores dizem que os novos ímãs podem liberar dez vezes mais energia que a tecnologia supercondutora atual, e eles podem funcionar por longos períodos de tempo sem superaquecer (diferente dos reatores atuais baseados em cobre, que funcionam por apenas alguns segundos).

Outra atualização chave: a maioria dos materiais sólidos usados para isolar a câmara de fusão foram substituídos por líquidos, que podem ser drenados e substituídos – da mesma forma que a troca de óleo de um carro. Isso, dizem os pesquisadores, reduzirá a necessidade de caros e longos procedimentos de reposição — o que, eventualmente, fará da fusão uma energia rentável.

“Fonte mais importante do século XXII”

Até então, nenhum reator de fusão nuclear, nenhum mesmo, foi capaz de produzir mais energia do que consome. E este fato é um problema quando o assunto é a promessa da energia reutilizável mais promissora de todos os tempos.

“A energia de fusão é certamente a fonte de eletricidade na Terra mais importante do século XXII, mas precisaremos dela o quanto antes para evitarmos a catástrofe do aquecimento global”, diz David Kingham, CEO da Tokamak Energy Ltd, em um comunicado à imprensa. “Este estudo mostra uma boa maneira de fazer progresso mais rapidamente”.

Quando se trata de fusão, eu ainda faço parte do time que só acredita vendo, mas não deixa de ser animador saber que estamos progredindo. Entre minirreatores de estrelas, cercas submersas que se alimentam da energia das marés e nações inteiras que usam exclusivamente a energia eólica, o futuro finalmente parece começar a ficar mais verde.

[MIT News]