Um homem de 42 anos em Nova Jersey (EUA) foi levado para a emergência de um hospital após uma convulsão. Os médicos só conseguiram decidir o tratamento adequado para o paciente vendo dados coletados pela pulseira Fitbit Charge HR dele. É a primeira vez na história que este tipo de gadget é usado dessa forma.

Quando o paciente chegou ao hospital Our Lady of Lourdes Medical Center, a equipe clínica notou que ele tinha fibrilação atrial – isto é, batimento cardíaco irregular e rápido – mas não tinham certeza se ela era crônica ou se foi desencadeada pela convulsão, que aconteceu 20 minutos antes de o paciente chegar à sala de emergência.

Esta informação é crucial, porque determina se a equipe médica pode ou não realizar uma cardioversão elétrica no paciente para aliviar a arritmia – a cardioversão usa eletricidade para repor o ritmo cardíaco de volta ao normal.

Se a arritmia fosse crônica, o procedimento poderia desalojar um coágulo, enviá-lo para a aorta e possivelmente desencadear um AVC (acidente vascular cerebral). No entanto, se os médicos não cuidassem da arritmia, ela também poderia resultar em um AVC.

Felizmente, a equipe médica notou que o paciente estava usando uma pulseira fitness. O Fitbit Charge HR confirmou que a fibrilação atrial foi, de fato, desencadeada pela convulsão, então os médicos puderam seguir em frente e realizar a cardioversão, salvando a vida do paciente.

pulseira salva vida
Captura de tela mostrando o início da arritmia (AEM)

Eis o que a equipe clínica escreveu no relatório, que agora aparece na revista especializada Annals of Emergency Medicine:

Durante o exame do paciente, observou-se que ele estava usando uma pulseira fitness (Fitbit Charge HR, Fitbit, San Francisco, CA) sincronizada com um app no smartphone do paciente, gravando sua pulsação como parte de um programa de condicionamento físico. O app foi acessado no smartphone do paciente, e revelou uma pulsação de linha de base entre 70 e 80 batimentos/min, com um aumento persistente imediato a uma faixa de 140 a 160 bpm no momento aproximado da convulsão do paciente. A pulsação se manteve elevada até a administração do remédio diltiazem em campo.

Até o momento, pulseiras de atividade física só vinham sendo usadas por médicos e profissionais de saúde para incentivar pacientes ou monitorar a atividade deles. Isto marca a primeira vez na história médica em que as informações num sistema pulseira-smartphone foram usadas para ajudar médicos a tomarem uma decisão específica.

Esses gadgets não são perfeitos, e certamente não têm qualidade de nível médico, mas podem informar sobre problemas graves. No futuro, wearables poderiam até disparar alarmes quando uma emergência de saúde acontecer, como um ataque cardíaco. Ainda é cedo para esses dispositivos, mas eles já estão se mostrando úteis para salvar vidas.

[Annals of Emergency Medicine via Medgadget]

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