O governo Trump aparentemente esqueceu que está brigado com a Huawei. Isso pode parecer estranho, provavelmente porque todos nós nos acostumamos a ouvir o governo americano falar sem parar sobre como a empresa de telecomunicações chinesa é uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos. Mas parece que esses comentários não importam mais, porque ele permitiu que algumas companhias americanas voltem a vender certos itens para a Huawei.

De acordo com a Reuters, a Qualcomm recebeu uma licença do Departamento de Comércio dos EUA para vender chips de celulares 4G para a Huawei na sexta-feira (13).

Em agosto, o governo Trump deu o que alguns chamaram de “golpe letal” ao proibir que qualquer empresa, não apenas as americanas, de vender à gigante chinesa itens desenvolvidos ou produzidos com tecnologia e software dos EUA sem obter uma licença. Considerando que as empresas norte-americanas dominam a fabricação e os softwares de design, a medida visava essencialmente cortar o acesso da Huawei a esses componentes.

No entanto, nos últimos meses, os EUA começaram a permitir que um número cada vez maior de empresas vendesse componentes para a Huawei desde que não fossem usados ​​para seus negócios de 5G, de acordo com o Financial Times.

Além da Qualcomm, a lista inclui Samsung (telas OLED) e Intel (processadores para seu negócio de computação em nuvem). Também inclui supostamente a Sony (chips de câmeras de smartphone), informou o Times.

A Qualcomm disse à Reuters que recebeu uma licença para vender vários produtos da Huawei. A empresa revelou que também tinha outros pedidos de licença pendentes com o governo dos EUA. “Recebemos uma licença para vários produtos, que inclui alguns produtos 4G”, disse um porta-voz da empresa ao Gizmodo por e-mail.

O porta-voz não confirmou ao Gizmodo se recebeu licença para vender chips móveis 4G e não fez mais comentários.

A Reuters relatou que a empresa se recusou a comentar sobre os produtos 4G específicos que recebeu autorização para vender, mas disse que eles estavam relacionados a dispositivos móveis. A Huawei era um cliente importante da Qualcomm até o ano passado, quando o governo dos EUA a adicionou à chamada Lista de Entidades, proibindo as exportações sem licença para a empresa chinesa.

A Qualcomm disse que isso fez com que a Huawei se concentrasse mais em seu mercado doméstico e na venda de dispositivos que não contavam com chips da Qualcomm, informou o Wall Street Journal.

A divisão móvel da Huawei foi uma das mais atingidas pelas sanções. Em agosto, Richard Yu, presidente da unidade de consumo da empresa, disse que a Huawei “não tinha chips nem suprimentos” para a produção de smartphones. As proibições também impediram a Huawei de fabricar seus próprios chips de ponta da linha Kirin, que ela projeta internamente.

As recentes aprovações de licenças pela administração Trump podem sinalizar uma mudança na sorte do braço de smartphones da empresa. Os negócios de consumo da Huawei representam mais da metade de sua receita, de acordo com o Times.

O governo dos EUA há muito argumenta que a Huawei é uma ameaça à segurança nacional do país porque seus produtos poderiam ser usados ​​para espionar norte-americanos a mando do governo chinês, mas nunca forneceu qualquer prova disso — o que soa familiar. A Huawei negou que seus produtos possam ser usados ​​para espionagem.

[Reuters]