Pediatras no Reino Unido finalmente responderam um dos grandes enigmas da vida: quanto tempo leva para um Lego ingerido sair do corpo humano?

Por que nossos corpos doentes transformam cocô em diarreia?

A resposta é uma cortesia de um estudo publicado na semana passada no Journal of Pediatrics and Child Health. Os seis autores do estudo se voluntariaram a ingerir a cabeça de um Lego (eles até fizeram um vídeo mostrando isso). Então, esperaram o inevitável, meticulosamente analisando o cocô após cada visita ao trono de porcelana. Uma série de métodos de busca e recuperação foi usado, desde colocar o cocô em um plástico e espremer o conteúdo na esperança de encontrar a parte do boneco até usar um pauzinho para fazer uma busca no cocô.

Em média, os autores disseram que levou 1,71 dia para a cabeça do Lego finalmente emergir — no caso dos que acharam. Um dos médicos não conseguiu achar o brinquedo, significando que ou ele desapareceu ou a cabeça ficou presa em algum local no intestino, destinada a sair no momento oportuno ou apenas definhar no corpo por anos. Mesmo com a possibilidade de o item se perder no corpo, dizem os autores, a pesquisa deve acalmar os pais preocupado com os perigos de suas crianças engolirem pequenas peças.

“Um pequeno brinquedo rapidamente passa pelos órgãos de adultos sem maiores preocupações”, disseram. “Isso tranquilizará os pais, e os autores defendem que não deveria se esperar de nenhum pai que examinem as fezes dos filhos para recuperar objetos.”

Dito isso, o estudo não deve ser levado tão a sério.

A pesquisa dos autores foi incentivada por sua colaboração para o Don’t Forget The Bubbles, uma rede de blogs de pediatras e médicos que escrevem sobre temas como icterícia neonatal e vacinas para crianças. Em um post de blog no site discutindo a atenção que seu estudo obteve, os autores admitiram que o experimento não era para ser considerado ciência exata, apenas “um pouco de diversão com a proximidade do Natal”.

Por exemplo, dada a pequena amostragem, o número específico de 1,71 dia estimado para passar uma peça de Lego por seu corpo pode não ser generalizável para o público. E isso é especialmente verdade para crianças, pois suas entranhas são diferentes (menores) das do adulto médio.

Mesmo dentro do próprio artigo acadêmico — formato que é um cemitério para a linguagem vulgar —, os autores se esforçaram para se divertir. Para registrar seus hábitos intestinais antes da ingestão, eles criaram uma pontuação de dureza e trânsito de fezes (SHAT, na sigla em inglês, que também é o verbo cagar no pretérito perfeito). Na sequência, eles registraram o tempo que leva para as fezes passarem usando a pontuação FART (Found and Retrieved Time/”PEIDO”), algo como “tempo de busca e recuperação (da peça)”.

Ainda assim, mesmo escapando sem consequências do experimento e recebendo boa repercussão da mídia, os autores esperam que outros não sigam seu exemplo. Lá no fim do post de blog dos médicos, está um alerta: “Por favor, não tente isso em casa”.

[The Journal of Pediatrics and Child Health via Don’t Forget The Bubbles]