Em 2013 você se importaria ou mesmo veria potencial em criar um novo editor de textos? Tipo o Word, ou o Google Docs? Bret Taylor e Kevin Gibbs, sim. Eles lançaram o Quip, um app simpático, multiplataforma e gratuito. Demos uma olhada e contamos para você o que achamos.

Quando o Google Docs saiu ele chamou a atenção não por ter mais recursos ou ser mais bonito que o Word, a força massiva da Microsoft em ambientes profissionais e acadêmicos. O apelo estava em outro lugar: na onipresença, no trabalho colaborativo e na gratuidade.

O sucesso levou a Microsoft a portar sua suíte de ferramentas para escritório à web. O Office Web Apps existe, quebra o galho, mas ainda fica atrás da solução do Google em agilidade e facilidade. O Quip? Ainda é cedo para dizer, mas ele pode ir além.

O Quip funciona na web e em dispositivos móveis — iOS e Android, embora nesse último, por ora, esteja em “preview” e não permita criar ou editar documentos. A interface é consistente em todos os locais, e se baseia em paradigmas tradicionais: folhinhas para indicar documentos, pastas para indicar coleções de documentos. Tudo pode ser compartilhado (o cadastro e os contatos vêm de uma Conta Google), e o trabalho colaborativo é, à primeira vista, exemplar.

O Quip na prática

Tela inicial do Quip na web.

A tela inicial do Quip se divide em duas partes: à esquerda fica a caixa de entrada, com todas as novidades que aconteceram nos seus documentos. À direita, a área de trabalho, que dispõe, em ordem de utilização, todos os seus trabalhos.

Uma pasta pode ser compartilhada e o trabalho, feito a quatro ou mais mãos. Ao acessar um documento, ele divide espaço com uma coluna lateral à esquerda que funciona como um misto de relatório de atividades e bate-papo. Toda modificação feita em um documento é exibida ali, e há espaço para discussões na forma de comentários, inclusive com anexos. Faz bastante sentido mesclar (e registrar para a posteridade!) todas essas “meta informações” de um documento.

Por que você precisa conhecer (e usar) o Medium

Mas e o documento em si? A melhor analogia ao Quip a que cheguei foi a dele ser um “Medium para trabalho colaborativo e/ou interno”. As opções de formatação são super limitadas: não dá para alterar a fonte (é uma serifada bem bonita), nem mudar a cor; as dimensões da página também são livres. Qualquer coisa mais elaborada disponível no Word não existe aqui. O foco é na redação; a apresentação você confia ao bom gosto dos desenvolvedores.

Falando assim parece que o Quip é um Bloco de Notas online, mas não é bem o caso. Existem opções de formatação divididas em duas áreas principais.

Estilos do Quip.O cursor ativa um indicador azul à esquerda e, na direita, um mostrador do tipo de conteúdo que está sendo redigido. O padrão é o parágrafo, mas dá para alternar entre:

  • Título
  • Subtítulo
  • Intertículo
  • Lista não ordenada
  • Lista ordenada
  • Checklist

Para fazer isso, basta clicar no ícone à direita do parágrafo ou alternar entre os estilos com a tecla de aspas simples, aquela ao lado do “1” e acima do “Tab” no teclado.

Inserções no Quip web.As demais opções aparecem ao inserir uma @ (arroba) no texto. Imediatamente um menu suspenso com quatro opções é exibido:

  • Imagem: para enviar uma imagem e inseri-la no documento
  • Tabela
  • Pessoa: permite citar um dos seus contatos no documento. Ele é avisado pela caixa de entrada, email ou mensagem de texto no celular
  • Documento: link para outros documentos da sua coleção

Opções básicas de formatação do texto (negrito, itálico e sublinhado) estão disponíveis via teclas de atalho convencionais (Ctrl + B, I e U, respectivamente). No iOS, elas surgem selecionando o texto que se deseja formatar, naquele balãozinho característico. Ainda no sistema móvel da Apple, as opções citadas mais acima, de estilos e inserções, surgem em uma linha extra no teclado virtual.

Muita gente está reclamando das limitações e acredito que, em certa medida, uma abertura mínima para coisas como tipo de fonte faça falta mesmo. Não precisa ser o carnaval que o Word pode virar, mas dá para expandir certas coisas sem perder a aura elegante e funcional que o serviço apresenta.

Dá para aposentar o Word?

O Quip vem com alguns documentos de exemplo mostrando cenários de uso. Proposta a um cliente, menu de jantar e uma lista de tarefas para uma viagem. Todos bem legais, poderiam ser usados numa boa em situações reais. Há uma troca aqui: as possibilidades de formatação do Word por um sistema ágil que te livra de ter que lidar com a apresentação. Para muita coisa, e muita gente (me inclua aí), é uma troca válida. Para quem tem talento em editoração, ou a necessidade de lidar com margens e espaçamento (ABNT, por exemplo), não.

Quip Preview no Android.

Um dos co-fundadores do Quip é Bret Taylor. Ele tem um histórico bem bacana: foi co-criador do Google Maps, fundou o FriendFeed e, depois que esse foi comprado pelo Facebook, tornou-se CTO da rede social, de onde saiu em junho para, agora sabemos, fundar o Quip.

Até agora ele não deu uma bola fora sequer e o Quip tem potencial para ser mais um golaço de Taylor e seu sócio, Kevin Gibbs, outro ex-Googler, com trabalhos nos data centers do Google e na função auto-completar do buscador na carreira.

O Quip se apresenta como um editor de textos para a Era Pós-PC, centrado em telas sensíveis a toques e ambiente social, três áreas onde o Word não convenceu e o Google Docs apenas cumpre seu trabalho. Se em empresas e ambientes educacionais o editor de textos ainda tem raízes profundas, e raízes que o Quip dificilmente cortará, é de se pensar se nos espaços que sobram esse tipo de aplicação ainda tem relevância. Ele é multiplataforma, sincroniza em tempo real e tem um sistema sólido de colaboração, ou seja, é bem bom. Você pretende usá-lo? Se sim, para quê?