Ano passado, cientistas fizeram um negócio pra lá de maluco: deixaram um cérebro de camundongo transparente. Agora, eles foram um pouco além, deixando o rato inteiro transparente por meio de injeções de detergente em suas veias. O rato transparente parece um rústico roedor de gelatina (sim, tem foto disso), mas também é uma incrível nova maneira de estudar os órgãos intactos no interior do organismo.

O grande problema para tornar qualquer tecido vivo transparente são os lipídios, uma classe de moléculas que inclui gorduras, ceras e colesterol. Lipídios bloqueiam a luz e estão presentes por todo o corpo.



Em abril passado, como explica Helen Thomsom, da New Scientist, neurocientistas da Universidade de Stanford descobriram uma maneira de substituir os lipídios no cérebro do rato por um hidrogel transparente chamado acrilamida. O cérebro foi banhado em acrilamida e, em seguida, colocado em detergente, que dissolve lentamente nos lipídios. Um campo elétrico acelera o processo.

Isso funciona bem em um cérebro minúsculo de rato, mas a acrilamida não pode penetrar cada canto de um rato inteiro; além disso, um campo elétrico pode danificar os tecidos por causa do calor. Viviana Gradarinu, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, e sua equipe tentaram uma tática diferente: eles levaram um rato morto e bombearam detergente por meio do sistema circulatório. Eles também removeram a pele e os ossos para conseguir olhar melhor. O processo de dissolução por detergente leva cerca de duas semanas e o rato fica desse jeitinho:

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Não vale muito a pena olhar para ele a olho nu, mas sob um microscópio, ele revela órgãos intactos como nunca vimos antes. Colorir o rato transparente também permite aos cientistas visualizar células ou tecidos específicos. A foto no começo do post mostra microestruturas de um rim depois de estarem transparentes e tingidas.

Visualizar estas estruturas teria sido muito mais difícil usando técnicas antigas, como dissecar o tecido e reconstruí-lo em 3D usando um computador. Gradinaru diz à New Scientist que eles também estão trabalhando para mapear completamente o sistema nervoso por todo o corpo do rato. A técnica também pode ser aplicada a seres humanos, para procurar células cancerosas em biópsias de pele. A ideia de um rato transparente é bem legal, claro, mas além disso também traz muitas possibilidades para a ciência. [Cell via New Scientist]

Imagens via Yang et al. Cell