São tempos difíceis para as vaquitas. Conhecidos também como botos-do-pacífico, esses animais estão à beira da extinção. Mesmo. Apenas 10 exemplares existem em todo o planeta. 

A culpa, claro, é dos humanos. As vaquitas, que habitam o Golfo da Califórnia, no México, ficam constantemente presas em redes de emalhar, usadas para capturar camarões e peixes totoaba. Por não conseguir voltar à superfície, o mamífero marinho acaba morrendo afogado.

A diminuição da população traz outro medo aos cientistas: o fim da espécie causado pela endogamia. Esse é o sistema de acasalamento em que membros aparentados acabam produzindo descendentes, o que preocupa biólogos devido a possibilidade dos novos animais nascerem com mutações genéticas nocivas. 

Um estudo publicado na revista Science tranquiliza ambientalistas. De acordo com cientistas da Universidade de Sydney e da Universidade Monash, ambas australianas, a endogamia não apresenta riscos à espécie.

Após analisar os genomas de 20 vaquitas que viveram entre 1985 e 2017, os pesquisadores chegaram à conclusão de que a espécie carrega menos mutações nocivas do que outros mamíferos marinhos. Isso significa que, apesar da prática da endogamia, é mais difícil os descendentes herdarem características negativas que comprometam a saúde do animal.

Mas não adianta focar apenas na reprodução do boto e continuar permitindo o uso das redes de pesca. Se a ferramenta fosse proibida da noite para o dia, a população de vaquitas poderia aumentar para 299 indivíduos até 2070. Por outro lado, caso o uso das redes diminua em apenas 80%, 62% da população de botos ainda poderá ser extinta.