Ela é gorda. Custa 500 dólares. E tira fotografias fantásticas.

A G11 é a point-and-shoot topo de linha da Canon. Ela ocupa uma posição meio estranha, pairando acima das point-and-shoot médias em basicamente todas as especificações – qualidade de imagem, tamanho, peso e preço – mas fica logo abaixo das DSLRs básicas e, mais recentemente, das câmeras Micro Four Thirds.

Assim, existem duas maneiras de enxergar a G11: ela é uma incrível câmera de rua. Mais discreta que uma DSLR, porém mais potente que a sua point-and-shoot padrão. Você ainda não consegue enfiá-lo no bolso da sua calça jeans, mas tudo bem, porque você vai querer pendurá-la no seu ombro de qualquer jeito. A outra maneira é que você pode comprar uma DSLR básica mais versátil que não é muito maior e por mais ou menos o mesmo preço, especialmente se você voltar pra trás uma ou duas gerações.

Tudo depende das suas prioridades.

Hardware

Tudo nesta câmera é assim: bastante sólido. O corpo integralmente metálico faz você achar que ela é indestrutível, enquanto o seu formato evoca lembrança das clássicas câmeras com as quais você adoraria tirar fotos. Ela é grossa, notavelmente grossa, em parte por causa da tela LCD que salta pra fora. E ela definitivamente está mais em linha com o tipo rangefinder de câmera do que a típica point-and-shoot.

A verdadeira mágica desta câmera está nos discos dedicados de controle. Você verá três em cima: compensação de exposição, velocidade do ISSO e modo de disparo. À primeira vista eles parecem minúsculos e apertados, mas o estalo que fazem conforme você os gira é surpreendentemente profundo e satisfatório. Ter estas configurações ao alcance dos seus dedos a todo tempo é basicamente o motivo pelo qual a G11 parece ser uma câmera um passo acima das point-and-shoots, uma ferramenta para criar fotografias.

O disco traseiro é a parte mais frustrante de controlar a câmera – um anel rodeia um controle tetradirecional com um botão no centro. Cedo ou tarde você vai acabar apertando os botões do controle direcional enquanto estiver tentando girar o disco para ajustar a velocidade do obturador ou a abertura, ou simplesmente acabará por apertar o botão errado por serem pequenos demais. O sistema de menu, fora isso, é uma configuração Canon bem padrão, que se parece bastante com as G10s – não é supersimples, mas nada muito complicado tampouco, e nada que uns dois minutinhos brincando com ele não revele todos os seus segredos.

O visor óptico é absolutamente deprimente. Como eu quero usá-lo, de verdade. Mas me parece intrinsecamente errado segurar uma câmera deste calibre à minha frente para tirar uma foto, pelo menos no nível do meu olho. Enquanto isso, o visor óptico da G11 é tão pequeno e a cobertura é tão ruim (você consegue enxergar a lente através dele!) que ele é praticamente inútil; é como tentar formar a imagem por um buraco de agulha.

Um dos modos de foto, o disparo rápido, até parece ser uma boa ideia no papel, mas é arruinada por este visor. A câmera constantemente ajusta parâmetros enquanto espera por você tirar a foto, assim você pode disparar instantaneamente sem se preocupar com zoar a foto. Infelizmente, você precisa usar o minúsculo visor óptico no disparo rápido e eu acabei tirando muito mais fotos remendadas do que certeiras.

Ou seja, você está basicamente preso ao uso do display LCD que gira e sai pra fora (e é até decente). Honestamente, eu provavelmente preferiria a versão estática, porém maior, de 3”, da G10, a este display de 2,8” e 461.000 pontos da G11.

No entanto, o LCD é realmente brilhante e perfeitamente utilizável mesmo sob luz direta do Sol, com um amplo ângulo de visão. Mas o vídeo nele não fica muito nítido a ponto de você poder usá-lo para foco manual – neste modo, uma caixa com imagem aproximada aparece no centro do display conforme você gira o disco de trás para aproximar o foco. A experiência de brincar com o foco acaba se tornando um jogo ruim de iPhone.

Será que podemos falar das fotos, por favor?

Com a G11, a Canon fez a manobra audaciosa de cortar megapixels – para 10, dos 14 presentes na G10 – para obter melhor qualidade de imagem e desempenho sob baixa iluminação. E foi a jogada certa. Imagens sob baixa iluminação ficaram definitivamente melhores e mais detalhes são conservados a até ISO 800. Tomadas a ISSO 1600 são sem dúvida utilizáveis com resoluções de web, o que é bastante impressionante para uma câmera compacta. No entanto, você deve se afastar do modo de disparo “luz baixa”, já que ele corta o tamanho das fotos à metade para tentar extrair cada gota de luz possível – e isto produziu fotos uniformemente ruins.

A G11 possui uma lente de zoom grande-angular com as mesmas especificações básicas da G10, começando a partir de 28mm e subindo até 140mm, algo versátil o suficiente para capturar praticamente qualquer coisa que você deseje. No entanto, não tenho certeza se ela corrige alguns dos problemas com o modo macro, já que eu não tinha em mãos uma G10 para fins de comparação.

Testes de faixa ISO

Os testes de faixa ISO correm para ambos os lados – no automático programado, permitindo que a câmera decida o que fazer com a configuração de ISO que selecionei, e também outra programação na qual eu decidi a velocidade do obturador, assim você consegue ver quanto você ganha (ou perde, dependendo do seu ponto de vista) conforme você altera a configuração de ISO.

Fotos exemplo

Assim como as câmeras anteriores da série G, você pode tirar fotos no formato RAW, mas se você fizer isso você estará preso ao uso do software da Canon para processá-las. Na galeria de exemplo acima, eu tirei as fotos em RAW.

 

Em um mundo no qual telefones e gadgets do tamanho de 3 caixinhas de fósforo filmam a 720p, o fato do vídeo estar limitado à resolução 640×480 em uma câmera tão grandinha acaba sendo visto com maus olhos. No entanto, o vídeo produzido pela G11 a esta resolução é em geral excelente (basta comparar com o iPod Nano, que também filma). Isso porque ela é carregada de dados – a bitrate gira em torno de 10Mbps, o que é mais que a Flip Mino HD, a 9Mbps para vídeo em 720p. É por isso que suas cores são tão vibrantes perto de tantos vídeos 720p por aí. Claro, 720p por si só já é bom, mas eu sempre prefiro vídeo VGA com ótima aparência em vez de vídeo HD que fica um lixo.

 

G11

Tá, mas eu compro ou não compro?
Eu gosto bastante desta câmera. É o que eu levaria pra rua sempre que não estivesse a fim de carregar uma enorme DSLR e eu não me sentiria como se estivesse sacrificando muita coisa. A verdadeira questão, eu diria, é como ela se sai ao lado da Lumix LX3 da Panasonic, que está na mesma faixa – uma louvável point-and-shoot de 500 dólares – e que bateu a G10 em muitos aspectos (apesar de a G10 tentar enfiar 14 megapixels num sensor de mesmo tamanho da G11, que espreme apenas 10 megapixels nele). A S90, ligeiramente mais barata, oferece o mesmo sensor que a G11 também, e isso dentro de um corpo que cabe num bolso – apesar de você perder algumas peculiaridades como discos dedicados de controle e um visor óptico, já que podemos chamar essas coisas de peculiaridades na G11.

Se você comprar a G11, você não vai se arrepender – você estará ocupado demais tirando fotos.

Fotografias são de alto padrão para uma câmera compacta
Ótimo desempenho sob baixa luminosidade
Feita para esmagar as coisas, sobreviver e esmagar de novo
É enorme
O visor óptico é basicamente inútil