[Review] DJI Osmo Mobile 2: um brinquedo interessante para youtubers

Há alguns anos, uma imagem panorâmica bem estabilizada era coisa de cineasta. Hoje em dia, existem algumas dezenas de acessórios para celulares e câmeras que estabilizam imagens em movimento, seja para fazer um travelling ou simplesmente sair andando por aí sem que a cena fique toda tremida.

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Foi um mercado que surgiu e ganhou força principalmente por causa dos youtubers. Inclusive, se trata de um produto com um público super específico: se você não grava vídeos para internet, nem faz cinema, esse provavelmente não é um acessório que vai valer a pena. Embora eles não sejam tão caros na gringa, por aqui ainda custam os olhos da cara.

O tal acessório tem nome: gimball. E a DJI (sim, aquela que fabrica drones) tem o seu: o Osmo Mobile 2. E ó, eu não estava zoando quando falei que eram caros. Esse modelo sai por nada menos do que R$ 999 (nos EUA, ele é vendido por US$ 130).

Eu passei algumas semanas com o pau de selfie com estabilizador e nos próximos parágrafos conto como foi a experiência de ser um youtuber por alguns dias.

Configurando

Quando eu abri a caixa do Osmo Mobile 2, a primeira coisa que fiz foi procurar pelo manual. Mas não tem manual. O que é ruim, porque não é um acessório tão intuitivo assim. Uma rápida pesquisa no Google me retornou resultados no YouTube com tutoriais da própria fabricante, disponíveis em inglês.

Então eu descobri que tinha que colocar o celular em um suporte e depois ajustar os dois pesos para equilibrar o smartphone do jeito certo. Foi complicado no início, mas depois que eu entendi a mecânica consegui deixá-lo praticamente reto na horizontal.

O vídeo tutorial da DJI explica que é possível deixar o aparelho na vertical também, o que pode ser útil para quem grava para o Instagram. Ou para quem quiser deixar o William Bonner irritado.

Depois de equilibrar, o processo fica mais fácil. Foto: Alex Cranz/Gizmodo

Com o celular ajustado, foi preciso ligar o Bluetooth e baixar o aplicativo DJI Go 4, que tem incríveis 440 MB. Uma vez conectado, o app rapidamente reconhece o dispositivo e então dá para sair por aí gravando coisas. Antes, é possível fazer uma calibragem no app e deixar o celular perfeitamente orientado – porém, em muitas das minhas tentativas, a calibragem automática falhou.

Curva de aprendizado

O Osmo Mobile 2 tem um joystick que permite fazer “pans” ou “travellings” – termos para imagens panorâmicas em movimento. Além disso, ele tem um slider para zoom, que é bem suave e pode ajudar a fazer cenas bacanas de aproximação. O problema é o posicionamento desses botões, e dependendo da situação será preciso usar as duas mãos.

Eu consegui me adaptar rapidamente ao sistema do joystick, muito embora eu tenha achado ele sensível demais na configuração padrão do app. O lado bom é que você consegue mudar essa sensibilidade dentro das configurações do app, além de poder inverter os eixos dele.

O problema é que nenhuma dessas configurações ficam salvas e toda vez que você desliga o acessório e o conecta novamente ao app, é preciso refazê-las. O que, além de ser chato, pode ser um problema quando se tem pouco tempo para gravar algo momentâneo.

Este é o joystick do Osmo Mobile 2. Foto: Alex Cranz/Gizmodo

O app tem também um recurso de rastreio de objetos. Você toca em uma pessoa ou item que queira seguir, como se estivesse definindo o foco, e o software se encarrega de segui-lo. É simples e funciona com objetos rápidos. É útil, por exemplo, para fazer filmagens de pessoas andando de skate.

Os modos de timelapse completam os truques do aplicativo. Você pode colocá-lo em um tripé e configurar o aplicativo para tirar uma foto a cada intervalo de tempo pré-definido ou fazer um hyperlapse, que basicamente acelera um vídeo estabilizado.

Resultados

O Osmo Mobile 2 cumpre bem o papel de estabilizador de imagens. O aplicativo tem até um modo “corrida” para situações adversas. Os resultados são bons, mas se você olhar atentamente perceberá que a gravação ainda quica um pouco, nada que um rápido efeito de estabilização em softwares de edição como o Adobe Premiere ou até mesmo o iMovie não resolvam – no vídeo que gravamos abaixo, não fizemos nenhum ajuste desse tipo. O joystick é bem suave, totalmente diferente de uma gravação de alguém que mexe o celular manualmente.

A autonomia de bateria dele é bem boa; é mais fácil o seu celular morrer antes do acessório. Só achei que demora bastante para carregar, e além disso não vem uma fonte na caixa – usei a do iPhone mesmo.

É um acessório super bacana para quem está nessa de produzir vídeos para o YouTube ou Instagram, mas achei o preço dele um pouco salgado, o dobro na conversão direta para o dólar. Ele está sendo vendido na iPlace, Magazine Luiza e Kalunga.

Imagem do topo: Alex Cranz/Gizmodo