[Review] Huawei Y9 Prime 2019: uma câmera que salta

Analisamos o Huawei Y9 Prime 2019, um intermediário com câmera de selfies pop-up e um visual bastante chamativo.

Fotos: Alessandro Feitosa Jr/Gizmodo Brasil

Oficialmente, a Huawei vende somente dois smartphones no Brasil: P30 Pro e o P30 Lite. Mas esses não são os únicos aparelhos da marca que chamam a atenção dos consumidores brasileiros. O Y9 Prime 2019 também atrai os olhares de quem está procurando um modelo que tenha visual elegante e especificações decentes a um preço acessível.

As lojas que importam o modelo o vendem por meio da Amazon, MercadoLivre ou outras plataformas e costumam cobrar entre R$ 1.200 a R$ 1.500 no modelo. Para um smartphone com tela de 6,59 polegadas (Full HD+), processador Kirin 710F (octa-core), câmera tripla na traseira, câmera de selfie retrátil, 4 GB de RAM e 64 GB de armazenamento, não é nada mal.

Passei algumas semanas testando o aparelho, que foi enviado ao Gizmodo Brasil pela própria Huawei. Nos próximos parágrafos, conto o que essa salada de letrinhas e números significa na prática e para quem esse aparelho pode ser interessante.

Tela e acabamento

A tela do Huawei Y9 Prime 2019 chama bastante atenção, principalmente por ocupar praticamente todo o espaço frontal do aparelho. As bordas são pequenas, com exceção do “queixo” do aparelho que reserva mais espaço. Sobre o painel em si, as cores são vibrantes e com um nível bacana de nitidez, graças à resolução Full HD+.

Não tem nada de notch (ou entalhe), a câmera fica escondida e só aparece quando você ativa algum app que faça uso dela – esse estilo de câmera pop-up é uma solução bacana para evitar recortes nos painéis, mas confesso que tenho bastante receio em relação à resistência do mecanismo. Durante as semanas que utilizei, nunca tive medo de quebrar, nem reparei nada de estranho, mas é compreensível ficar com um pé atrás sobre da durabilidade disso – as marcas, como sempre, garantem que vai funcionar por muito tempo.

Câmera

A câmera de selfies abre rapidinho ao ser acionada, coisa de alguns centésimos de segundos, e faz um barulhinho típico de engrenagem. A Huawei incluiu um sistema interessante para evitar problemas caso o aparelho caia com o sensor aberto: o acelerômetro do celular percebe o movimento brusco e o software trata de recolher a casinha da câmera – quando isso acontece, um aviso aparece na tela: “Seu telefone pode ter caído. Para evitar danos, a câmera foi automaticamente recolhida. Continuar usando a câmera?”

O sensor para selfies tem 16 megapixels com lente f/2.0. As fotos não saem incríveis, mesmo quando há bastante iluminação, mas dá para o gasto. A primeira coisa que eu fiz quando usei a câmera pela primeira vez foi desativar o modo embelezamento que retira toda a nitidez das fotografias e mesmo assim o nível de detalhes não é surpreendente.

Na traseira, são três câmeras, posicionadas no lado esquerdo superior e com uma escolha curiosa. Dois dos sensores estão agrupados sob um mesmo vidro – um com 16 megapixels e f/1.8 e outro com 8 megapixels e lente ultrawide, de ângulo aberto. O terceiro sensor fica à parte, solitário, e funciona como um leitor de profundidade para as fotografias em modo retrato.

Os retratos, inclusive, geralmente saem bons com apenas uma tentativa. Mas, como é de costume, cabelos esvoaçantes e detalhes demais no plano de fundo podem confundir o software responsável pelo desfoque e deixar parte da pessoa totalmente borrada.

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As fotos tradicionais só atendem às expectativas em ambientes muito bem iluminados. Não fiquei satisfeito com algumas fotografias que tirei dentro de casa, mesmo de dia – pouca nitidez, principalmente se o assunto da foto estiver mexendo (no meu caso, um cachorro, que nem estava se movimentando tanto). Resumindo: não dá para esperar grandes fotografias em todos os momentos, apesar de a Huawei destacar que seu conjunto de câmeras conta com uma série de recursos de inteligência artificial para garantir o melhor clique – vai depender bastante da sua paciência para tirar uma foto bacana, já que elas costumam sair, mas é preciso esperar a IA processar a cena. Para um celular desse preço, as imagens estão dentro do esperado.

Desempenho

Para falar de desempenho, primeiro vamos aos números: o processador é o Kirin 710F, que tem oito núcleos — um conjunto com quatro núcleos de 2,2 GHz e outros quatro núcleos de 1,7 GHz –, e a GPU que o acompanha é a Mali-G51 MP4. É possível dizer que é uma CPU equivalente ao Qualcomm Snapdragon 660, chip mais comum em smartphones vendidos no Brasil — mas vale notar que cada um tem suas particularidades, já que o aparelho da Huawei não é capaz de detectar redes Wi-Fi de 5 GHz, por exemplo. Completam as especificações técnicas 4GB de RAM.

Esses números, na prática, significam um desempenho satisfatório para tarefas cotidianas. Dificilmente você notará algum engasgo ou travamento nas animações — tive essa experiência uma ou duas vezes no Chrome, abrindo sites cheios de imagens. É claro que existem celulares mais potentes, mas o Y9 Prime está preparado para o dia-a-dia, mesmo daqueles que trocam de apps com frequência.

Na verdade, quando falo de desempenho nos smartphones atuais (considerando os intermediários para cima), estou mais preocupado com a longevidade dos aparelhos — quase todos entregam performance satisfatória. Para um celular de R$ 1.200, não dá para esperar que ele manterá todo esse vigor por anos, embora seja difícil de afirmar isso categoricamente.

O smartphone roda o Android 9 com a EMUI 9.0, camada de personalização da Huawei, e tem os serviços Google. YouTube, Chrome, Gmail, todos os aplicativos estão lá. Apesar disso, não consegui instalar o aplicativo da Netflix no celular — um aviso genérico da Google Play dizendo que o modelo não era compatível. Consultamos a assessoria de imprensa da Huawei no Brasil sobre esse caso e até agora não obtivemos respostas.

O aparelho ainda vem com todos os aplicativos e serviços do Google porque foi fabricado antes das sanções impostas pelos EUA. A Huawei faz parte de uma “Lista de Entidades”, impede que empresas americanas façam negócios com a Huawei sem uma licença especial. A justificativa é a de que a companhia chinesa oferece riscos à segurança nacional. Para os próximos aparelhos, como o P40 que deve ser lançado em 2020, a história deve ser diferente.

Bateria

Antes de pegar o Y9 Prime para testar, estava usando um smartphone mais antigo, um Zenfone 4 (lançado em 2017) e que já não tinha muita lenha para queimar quando se tratava de bateria. Passar alguns dias com o modelo da Huawei me permitiu respirar aliviado: ele é bastante competente no gerenciamento de energia e aguenta um dia inteiro fora da tomada tranquilamente, com seus 4.000 mAh.

Tirando o celular da tomada perto das 8h, usando-o um pouco até o meio-dia e fazendo uso mais intenso a partir do começo da noite, consegui chegar ao final do dia entre 30% e 40% restante. Em dias que eu não o usei tanto, cheguei a carregá-lo depois de cerca de 36 horas.

Decepciona o fato de que o carregador que vem na caixa não tem tecnologia de carregamento rápido e demora bastante para o aparelho chegar aos 100%.

Conclusão

Dificilmente você encontrará um smartphone competente como o Y9 Prime por menos de R$ 1.500 — lembrando, o aparelho não é vendido oficialmente no Brasil e importadores costumam cobrar cerca de R$ 1.200. Os concorrentes que me vêm a cabeça (Galaxy A80, Motorola One Zoom) custam a partir de R$ 1.700 no varejo.

A questão da compra de aparelhos via importadores pode ser bem complexa para o consumidor médio. Geralmente, a única garantia na compra de aparelhos via marketplace é que lojas que atuam no Brasil são obrigadas por lei a dar 90 dias de garantia. Fora isso, não tem assistência técnica oficial ou garantia por algum defeito depois desses 90 dias. Logo, é por conta e risco do consumidor se arriscar a comprar este tipo de aparelho.

No caso da Huawei, ainda que a marca tenha presença no Brasil e o aparelho ter sido cedido para teste pela assessoria de comunicação local da marca, não existe assistência oficial ao aparelho.

Desconsiderando esses entraves, o Y9 Prime foi bem competente na minha mão: tela bonita e desempenho dentro da média. Durante o período de festas, sempre recorri aos celulares dos parentes para tirar fotos, com a certeza de que um iPhone 8 faria um trabalho melhor — quem curte fotografia não vai se dar tão bem com o modelo, mesmo com a abundância de câmeras.

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