O novo Yoga Book, da Lenovo, chama a atenção como nenhum outro tablet ou laptop disponível hoje. As pessoas nem sempre sabem se estou lendo meus quadrinhos ou fazendo anotações, mas sabem que ele é fascinante, e minúsculo, e legal.

Com o seu teclado de toque capacitivo que se transforma em um tablet para desenhos com o pressionar de um botão, o Yoga Book é absolutamente o futuro dos laptops e tablets e do espaço entre eles.

No entanto, o laptop mais fino da Lenovo também tem um grande problema, já que ele só vem em versões com Windows ou com Android – nenhum desses sistemas operacionais está pronto para o futuro que a Lenovo criou.

lenovo yoga book (3)

Para este review, passei uma semana com a versão Android do novo laptop dobrável da Lenovo. Por dentro, ele é idêntico à variante com Windows 10. Ambos possuem processadores Intel Atom x5-Z8550, 4 GB de RAM, 64 GB de armazenamento e resolução 1920 x 1200. A versão com Android começa em US$ 500, e a versão com Windows começa em US$ 550.

Como o Windows 10 não funciona tão bem com processadores de baixa voltagem como o Intel Atom, essa versão terá uma duração de bateria pior do que a versão que testamos, e será menos “ágil” do que a variante com Android.

Dito isto, o Windows 10 tem uma gama melhor de aplicativos, como as versões completas do Photoshop e do Microsoft Office. Enquanto isso, o Android é perfeito para o Atom. Foram quase doze horas de uso regular ao longo de três dias.

Mas o Android não é exatamente perfeito para um laptop. A Lenovo tenta vender o Yoga Book como um tablet, mas eu tenho dificuldade em chamá-lo assim só por usar um processador Atom e o Android.


A dobradiça da Lenovo continua a ser uma das melhores para girar a tela em 360 ​​graus.

Em questão de design, a dobradiça de 360 ​​graus que lembra uma pulseira de relógio se assemelha aos laptops Lenovo Yoga. Assim como seus primos decididamente maiores, o Yoga Book pode ser usado como um laptop, ou girado em um modo “tenda” para assistir filmes, ou fechado ao contrário para uma configuração de tablet.

Em uso regular, eu acabava usando o Yoga Book como um tablet na maioria das vezes. A Lenovo sabia que eu iria preferir o modo tablet? É por isso que ela o chama de tablet? Provavelmente não, porque a empresa está apostando em um diferencial: o teclado “Halo”.

A metade inferior do dispositivo é uma superfície de toque capacitivo. Pressione um botão e o teclado acende. Pressione novamente, e o teclado desaparece para se tornar a aproximação de um tablet gráfico da Wacom – um recurso legal em teoria, mas menos legal na prática quando eu o usei no Android.

Embora ele tenha os mesmos 2.048 níveis de sensibilidade do que um tablet Wacom de alta qualidade, como o Intuos Pro de US$ 225, o Android não tem todos os excelentes aplicativos de um dispositivo Windows e, portanto, não é possível tirar o máximo proveito.

Dito isto, ele ainda é muito bom para mostrar aos amigos, e quando você ligar o teclado, e ele se ilumina como algo de Star Trek, a sensação é de que estou tocando o futuro. Infelizmente, o teclado Halo tem um layout terrível. Mesmo algo tão simples como alternar entre apps me causou frustração.

Em grande parte, o teclado é frustrante porque, apesar da engenharia atenciosa da Lenovo, ainda assim ele não dá uma sensação boa. O teclado Halo tem um feedback háptico moderado, mas não o suficiente para imitar a digitação em teclas convencionais.

O feedback também tem um pequeno atraso, o que leva a erros adicionais. Já aconteceu de eu pressionar freneticamente a mesma tecla esperando por esse buzz rápido contra a ponta do meu dedo.


Eu não sou boa artista, e ainda por cima apaguei acidentalmente parte do que havia desenhado.

Tudo, desde o layout ao feedback, pode ser corrigido com uma atualização – é algo bastante necessário. O outro grande problema com o teclado é que ele precisa de uma revisão de engenharia.

O teclado e o trackpad funcionam razoavelmente bem na variante com Windows; mas no Android, fica claro que o sistema operacional simplesmente não está pronto para laptops. Trabalhar no Android em um dispositivo próximo a um laptop é tão irritante como era no ano passado com o Pixel C, do Google.

O Android agora permite que você tenha vários apps abertos e que rodem na tela ao mesmo tempo, mas ele encolhe os aplicativos para suas versões de smartphone – você geralmente precisa se aproximar da tela e apertar os olhos para ler o conteúdo.

Além disso, o Android também não é bom em alternar entre o modo paisagem e o modo retrato em muitos apps. Eu frequentemente encontrei apps que ficavam esticados e bugados fora do modo retrato. Há também poucos atalhos de teclado no Android, então a eficiência rápida do Windows, Mac e até mesmo do iOS simplesmente não existe aqui.


As teclas são espaçadas de forma diferente o bastante para motivar uma série de erros de digitação.

Consequentemente, o Yoga Book parece menos um laptop pequeno e bacana (ou tablet de produtividade) e mais como um dispositivo estranho com um “truque” para impressionar.

O Yoga Book realmente precisa de um sistema operacional que funcione muito bem em cenários de laptop e tablet (como o Windows 10) e que seja leve o suficiente para não ficar lento em um processador Atom (como o Android). O Chrome OS, agora capaz de rodar apps do Android, pode ser uma ótima opção, mas não é tão amigável ao toque.


A metade inferior do computador é quase tão reflexiva quanto a parte superior.

A verdadeira solução ainda não existe, mas rumores dizem que o Google estaria trabalhando nisso. O codinome “Andromeda” supostamente é uma mistura de Android e Chrome OS: ele seria mais adaptado a laptops, como o Chrome OS, e rodaria todos os apps do Android, tudo sem consumir tantos recursos.

Infelizmente, ele só deve estar disponível em 2017, e não sabemos em qual tipo de dispositivo ele vai rodar. Mas, em tese, ele seria perfeito para o Yoga Book. Este dispositivo ultrafino parece ser o futuro da computação móvel, e está tão perto de ser bom que é enlouquecedor quando é ruim.

Com alguns ajustes no teclado e um sistema operacional diferente, o Yoga Book poderia ser o híbrido de laptop e tablet que você nem sabia que queria. Mas, por enquanto, ele parece mais se apoiar em um truque. Se você quiser impressionar seus amigos com um dispositivo novo, pague os US$ 500, mas não espere trabalhar bem nele.


A caneta está inclusa, assim como a tinta de verdade que a faz agir como uma esferográfica. Sim, você vai desenhar acidentalmente no teclado com a ponta esferográfica pelo menos uma vez.

Destaques

• O design é incrível
• Disponível em versão com Windows a partir de US$ 550, e em uma versão com Android a partir de US$ 500.
• O teclado Halo é uma ótima ideia, mas é lento, e o layout é verdadeiramente terrível e leva a muitos erros de digitação
• O Android ainda não está pronto para laptops
• O Windows ainda não é ótimo para processadores Atom