[Review] Moto Z3 Play: a evolução é tímida, mas os Snaps tentam compensar

Em algum momento, nós pensamos que smartphones modulares seriam o futuro. Esse futuro não chegou, e o mais perto que temos disso é a linha Z, da Motorola, com seus Moto Snaps que encaixam na traseira dos celulares e acrescentam funções como alto-falantes melhores, bateria maior, projetor e até mesmo uma impressora de fotografias. Porém, isso tudo é apenas um complemento; o celular continua sendo o mesmo. Daí a necessidade de atualizar a linha constantemente e, ao mesmo tempo, garantir a compatibilidade com os módulos.

• Moto Z3 Play chega com módulo de bateria e TV digital por R$ 2.599
• Versão mais potente do Moto Z3 Play, com 6GB de RAM, chega às lojas por R$ 2.699

O Moto Z3 Play chegou no começo de junho deste ano para atualizar o que os Snaps não mudam. Ele tem tela maior, processador mais potente e duas câmeras na traseira como principais novidades. E como ele ficou? Usei o aparelho por duas semanas e conto aqui como ele se comporta.

Design

A Motorola não tinha muito o que fazer com o design do Moto Z3 Play. Afinal de contas, ele precisava ser compatível com os módulos das gerações anteriores, ou uma grande parte do propósito do aparelho estaria perdido. Portanto, as alterações foram mínimas. A tela cresceu na vertical, aderindo à proporção 18:9, o novo padrão da indústria. Os cantos do display agora são arredondados — não muda muita coisa na hora de usar, mas tem seu charme.

Com a tela maior e o logo da Motorola na borda inferior do aparelho, não sobrou espaço para o leitor de impressões digitais, que foi parar na lateral direita. É uma localização que me agrada bastante, pois não ocupa espaço na parte dianteira e não fica escondido na parte traseira. Dá para usar quando o celular está sobre a mesa, o que é ótimo. A localização me pareceu boa para o polegar da mão direita ou para o indicador da mão esquerda, o que deve agradar a destros e canhotos. O único problema que encontrei foi me lembrar que o sensor estava ali na hora de colocar o smartphone no bolso — por várias vezes, eu desbloqueei a tela sem querer na hora de guardar.

Se o leitor de digitais foi para a direita, algum dos botões teve que se mudar. A configuração escolhida pela Lenovo/Motorola foi deixar os de volume ali na direita e passar o bloquear/ligar para a esquerda — é o inverso do que a Samsung costuma fazer, por exemplo. Particularmente, eu não gostei. Eu aperto bem mais o botão de desligar a tela do que os de volume e preferiria que ele estivesse ao alcance do meu polegar direito. Além disso, o botão é bem duro para apertar dobrando a pontinha do indicador. Sem contar que ter o leitor de digitais e o botão de ligar e desligar em lados opostos me parece pouco intuitivo. Enfim, eu detestei a escolha.

Aliás, o Moto Z3 Play como um todo deixa a desejar em termos de ergonomia. A proporção 18:9 (ou até mais alongada, como alguns 18,5:9 e 19,5:9 que vemos por aí) tem como grande vantagem não deixar as telas muito largas, fazendo com que uma parte considerável delas esteja ao alcance do dedão. Mas não é o que acontece com este aparelho.

As 6 polegadas de tamanho acabam tornando difícil o uso com uma mão só. Alcançar o botão de voltar, por exemplo, é bem chato. A traseira é plana, o que também dificulta a pegada e dá a impressão de que o celular vai cair da mão a qualquer momento. O peso também parece mal distribuído, pendendo para a parte de cima do aparelho. Basta ver os outros modelos mais recentes da marca para encontrar designs melhores. O Moto G6 Plus, por exemplo, não passa de 5,9 polegadas de tela e tem a traseira curvada.

Claro, como eu disse, não tinha muito o que Motorola fazer: é um caso de forma seguindo a função, com a conexão com os módulos determinando como o aparelho deve ser. Só que, se você não vai colocar nenhuma das bugigangas para acrescentar funções ao celular, terá um sacrifício no conforto e na usabilidade por nada. Talvez um daqueles anéis que grudam na traseira possa ser útil nesse caso.

Usando

Começar a usar o Moto Z3 Play é muito agradável. Acho que poucas coisas me deixam mais feliz do que ver a grade de aplicativos instalados na página inicial e não encontrar nenhum joguinho que nunca vou jogar, nenhum app de anotações inútil, nenhum serviço de armazenamento na nuvem que nunca vou usar.

A Motorola coloca os aplicativos do pacote Google, um app box com sugestões de aplicativos, a ajuda, o Notificações (com avisos da própria Motorola), uma lojinha para comprar os Moto Snaps e o consagrado Moto, que acrescenta funções muito úteis ao aparelho — falaremos disso mais adiante. São apenas 27 aplicativos, o que quer dizer mais espaço para o usuário e menos tranqueiras ocupando a memória e comendo o processamento.

O visual é basicamente o do Android puro, com pouquíssimas alterações. A área de notificações e atalhos para configurações tem fundo branco, e a barra de navegação tem um tom cinza escuro, diferente do preto geralmente encontrado na interface original do sistema.

A Motorola continua com a política de reunir um monte de funções extras em um único app, o Moto. Lá, você consegue acessar as configurações de todas elas. O movimento de “abrir maçaneta” para ativar a câmera continua sendo um ótimo atalho, assim como o de agitar para acender a lanterna. A lista de todos os recursos é bem grande.

O Moto Tela continua tirando proveito da tecnologia AMOLED para mostrar notificações rapidamente, e esse recurso está cada vez mais completo. Você pode expandir as notificações e responder usando sua voz ou mesmo digitando, tudo sem precisar desbloquear o aparelho ou apertar o botão de ligar a tela. Ele mostra até mesmo a capa do disco que você está ouvindo de uma forma bastante elegante.

Outra opção que você encontra no app é a chamada navegação em um toque. Ela substitui os três botões de navegação (voltar, início e multitarefa) por uma única barra. Aí, você toca para ir para início, desliza para esquerda para voltar e desliza para direita para abrir o menu de apps recentes. É uma adaptação do que, nas gerações passadas e em outros aparelhos da marca, era possível fazer com o leitor de impressões digitais, quando ele ficava na parte de baixo da frente do aparelho.

E funciona legal? Mais ou menos. A barra é bastante estreita. Quem tem o dedo gordo como eu acaba esbarrando em algum item da interface do app aberto. Mesmo assim, como a tela é meio grande e desajeitada e alcançar o botão voltar com o polegar direito é meio chato às vezes, trocá-lo por uma barra centralizada ajuda bastante o uso. Além disso, libera mais espaço na tela para o que realmente importa: conteúdo dos aplicativos.

No mais, o desempenho do Moto Z3 Play é bem bom. Durante o tempo que usei, não notei lentidões nem tive travamentos. Joguei um pouco de Pokémon Quest e o game rodou muito bem.

Câmera

A Motorola abraçou outra tendência da indústria no Z3 Play: câmeras duplas. O aparelho traz dois kits de lentes e sensores. O principal tem 12 megapixels de resolução e abertura f/1.7, enquanto o secundário tem 5 megapixels, abertura f/2.2 e lente grande-angular. Nada de zoom, portanto: a lente secundária está ali para ajudar a capturar mais coisas do assunto da fotografia ou dar aquele efeito de desfoque no fundo para deixar a imagem com cara de profissional.

O software da câmera tem diversos modos para explorar as duas câmeras. Além disso, ele também conta com o Google Lens integrado.

As imagens captadas têm uma qualidade boa. O nível de detalhe nas imagens é ótimo, e os cliques noturnos são bastante aceitáveis. No entanto, há algumas inconsistências. Eu achei a reprodução de cores pouco fiel à realidade, com uma tendência à saturação. Um muro alaranjado daqui de casa, por exemplo, ficou rosado. Nas fotos durante o dia, alguns pontos mais claros da imagem estouram. Curiosamente, isso acontece bem menos com o HDR ativado, então deixá-lo no modo automático pode ser bastante útil.

Sem HDR.

Com HDR.

Sem HDR.

Com HDR.

Bateria

A bateria do Moto Z3 Play tem capacidade para 3.000 mAh. É um número bastante razoável. O processador Snapdragon 636 é bastante econômico.

Com meus padrões de uso (bastante tempo em redes sociais e muito uso de streaming de música no Wi-Fi), a bateria aguentava um dia inteiro com uma pequena sobra — como você pode ver nos prints, algo em torno de 18 horas. Quem é mais moderado deve conseguir chegar ao começo do segundo dia de uso sem carregar.

O sistema operacional conta apenas com as otimizações de gerenciamento de energia nativas do Android, sem a gama de opções típicas da Asus e da Sony, por exemplo. É o preço que se paga pelo Android puro — por mais que eu goste do sistema operacional sem alterações, a ideia de ter modos de economia de energia me agrada bastante, e eu senti falta de algo do tipo no Moto.

Conclusão

Não dá para dizer que o Moto Z3 Play é um smartphone ruim. Para quem procura um aparelho com boas especificações, que consiga rodar praticamente tudo, ele é uma das melhores opções. O desempenho é muito bom, as câmeras são aceitáveis, a tela é bastante impressionante. Ele derrapa consideravelmente no quesito ergonomia, o que prejudica a experiência e torna o uso um pouco cansativo depois de certo tempo.

A questão é que ele não tem nada de muito diferente do modelo passado, o Z2 Play. O novo processador tem uma melhoria incremental, a tela cresceu mas já era grande, a câmera dupla é legal mas não muda muita coisa, a RAM continua a mesma, a memória de armazenamento também.

Mesmo assim, a diferença de preço pode chegar a R$ 400. Hoje, 30 de julho, é possível encontrar o Moto Z2 Play a partir de R$ 1350, enquanto o Moto Z3 Play não sai por menos de R$ 1750. Com essa diferença, dá para optar por um combo do modelo com um módulo como bateria extra, gamepad ou alto-falante. Os Snaps são uma carta na manga para incrementar o telefone com a função que mais lhe interessa.

Moto Z2 Play básico: R$ 1.349
Moto Z2 Play Power & DTV Edition: R$ 1.709
Moto Z2 Play GamePad Edition: R$ 1.619
Moto Z2 Play Stereo Speaker Edition: R$ 1.709

Moto Z3 Play básico: R$ 1.759
Moto Z2 Play Power & DTV Edition: R$ 2.111
Moto Z2 Play GamePad Edition: R$ 2.111
Moto Z2 Play Stereo Speaker Edition: R$ 2.023

(menores preços à vista consultados no Zoom no dia 30 de julho)

Por isso, se você está precisando de um smartphone, o Z2 Play continua sendo uma ótima opção. Daqui a alguns meses, o preço do Z3 Play deve cair um pouco mais e torná-lo um bom negócio. Hoje, ele ainda não é a melhor compra, apesar de ser um bom smartphone.

Especificações

Tela: Super AMOLED FullHD+ de 6 polegadas e proporção 18:9
Processador: Qualcomm Snapdragon 636 (octa-core, 1,8 GHz)
Medidas: 156,5 x 76,5 x 6,8 mm
Peso: 156 g
RAM: 4 GB
Armazenamento: 64 GB
Câmera traseira: dupla, sensor de 12 MP, lente com abertura f/1.7 + sensor de 5 MP, lente de abertura f/2.2
Câmera frontal: 8 MP
Bateria: 3.000 mAh
Conectividade: NFC, GPS, Wi-Fi 802.11 a/b/g/n/ac, USB 3.1 tipo C, rádio FM