Praticamente um ano depois da chegada de seu antecessor, a Motorola decidiu colocar um número dois ao lado do Milestone e atualizá-lo para a disputa brutal dos smartphones. Com mais processador, melhor teclado e Froyo, a última versão do sistema para smartphones que mais cresce – ele tem a responsabilidade de manter o legado do primeiro grande Android brasileiro – e do mundo também. Será que o Milestone 2 está pronto?

Especificações

Preço: R$1.392, na TIM, desbloqueado.

Tela: 3,7" com resolução de 854×480

Processador: 1 GHz Cortex A8

Espaço interno: 8GB + 8GB via microSD

Câmera: 5MP, vídeo em 720p

O Milestone 2 carrega um fardo nas costas. Ele é nada menos do que o filho do Poderoso Chefão, o primeiro grande Android, que a Motorola trouxe ao Brasil poucas semanas depois do lançamento mundial. O Milestone original chegou com Android 2.0 cru e foi o responsável pela enorme expansão do sistema operacional do Google para enfrentar os aparelhos da Apple. Foi ele que fez os olhos de todos brilharem, dizendo “sim, há um mundo diferente nos smartphones”.

Diferente dos tempos de Don Vito Corleone, em que a máfia do Android era limitada a poucos aparelhos, os tempos para o Milestone 2, que tenta ser um legítimo Michael Corleone, são outros: o mercado brasileiro já está inundado de Androids de todos os tipos e tamanhos, o iPhone já está na sua quarta versão e a Motorola teve que fazer uma grande atualização para colocá-lo lado a lado com os concorrentes. Resta saber se isso é o bastante para ele entrar no seu bolso.



De cima para baixo: iPhone 4, Milestone 2 e Milestone 1

Uma palavra: Froyo. Ou se você preferir, pode chamá-lo de Android 2.2. A última versão do sistema do Google é rápida, fluida e mais completa do que qualquer outra. É o salto de qualidade que o Android tanto precisava para sua popularização entre os mais exigentes. Em sua forma original, ele já é um sistema íntegro e equilibrado – não é, à primeira vista, quase nada diferente do anterior – roda os mesmos programas, um pouquinho mais rápido, e tem uma ou outra função a mais (como a função de hostspot Wi-Fi, para dividir a conexão 3G). Tirando da caixa, ele está pronto.

Mesmo assim, a Motorola decidiu colocar a última versão do Motoblur no aparelho. Nós, geeks que somos, deixamos claro que não gostamos desses penduricalhos. Apesar disso, os widgets pré-instalados da Motorola ajudam a expandir o Android, facilitando a vida dos mais leigos: basta preencher login e senha de algumas redes sociais no início e o seu celular está povoado de widgets com updates no Twitter ou Facebook, além de contatos mais integrados. A beleza do Android é que, mesmo com a modificação da Motorola, a é possível que o usuário elimine nos 10 primeiros minutos de uso qualquer rastro do Motoblur. Mas, isso não nos deixa menos temerosos em relação às atualizações do aparelho: do portfólio da Motorola no Brasil, nenhum aparelho com Motoblur foi atualizado para as versões mais recentes.

Navegar pelas seis telas iniciais que o Android 2.2 tem, mesmo lotadas de widgets pesados, é extremamente suave e funcional. Mas nesse caso os méritos não são só do sistema. A atualização do processador, agora um ARM Cortex A8 de 1GHz – praticamente o dobro de seu antecessor –, colabora muito. Para completar, o Milestone 2 já vem com 8GB de memória interna, além de um microSD de 8GB. É bastante espaço, e o que é melhor: com o Android 2.2, dá para gravar apps no cartão, uma exclusividade nos smartphones com Android a venda no Brasil. Tanto no navegador (com Flash 10.1!) quanto em aplicativos pesados, a mudança por baixo do capô é deveras sensível. Os pássaros voando no Angry Birds nunca planaram com tanta beleza. Para completar o trio que agrada todo mundo, a tela de 3,7 polegadas de TFT com 16 milhões de cores é realmente bonita. Não é um SuperAMOLED da Samsung, mas tem ótimo contraste e exibição de cores, além de herdar o Gorilla Glass do Milestone, também conhecido como a benção da imortalidade das telas de LCD.

Na parte do design, o Milestone 2 ficou mais redondo e moderno do que seu antecessor. Também ganhou novas cores e deixou para trás aquele preto fosco e classudo, dando espaço a um acabamento em prata e azul. É visível a tentativa de deixar o Milestone 2 mais descolado e moderno, mesmo com um corpinho de 169 gramas. Mas o melhor ganho mesmo está quando o teclado é deslizado: remover o touchpad que espremia as teclas foi uma ótima escolha. Agora os botões são mais espaçados e também mais sensíveis. Dá para gastar bons minutos escrevendo textos longos sem cansar os dedos. Mais do que nunca, faz sentido usá-lo com frequência, mesmo com a presença do Swype no teclado virtual.

A construção é impecável. A solidez usada no primeiro Milestone é vista aqui numa versão melhorada, mais bonita e resistente. A tela, mesmo de TFT, não deixa a desejar, e o Gorilla Glass é muito bem-vindo. A bateria deu um belo salto em comparação ao velho Milestone, com praticamente o dobro de tempo de uso – sim, dá para ficar quase dois dias inteiros sem usar a tomada. Não é o ideal ainda, mas parece um bom caminho. Sair da casa dos vergonhosos MBs de memória interna para ir direto aos 8GB é ótimo. O microSD de 8GB também é uma mão na roda para aqueles que usam o smartphone como central multimídia. A combinação do Android 2.2 com o processador de 1GHz com arquitetura das mais atuais é para levar ao delírio aqueles que aguardavam ansiosamente a tão falada fluidez do Android. E, dentro do segmento Androids com teclado, ele é simplesmente imbatível.

Apesar de vir com Android 2.2, a Motorola insistiu em colocar seu Motoblur. O skin está menos agressivo do que antes e traz alguns ajustes bacanas para os mais leigos, mas pela ótica do usuário, é difícil entender a escolha da modificação, dada a robustez do novo Android. Isso, sem dúvida, irá atrasar as atualizações para o iminente Gingerbread e possivelmente para o Honeycomb – é preciso atualizar não só o Android, mas também os redesenhos da Motorola, e caímos naquele jogo de pingue-pongue entre fabricantes e Google.

Um detalhe negativo que o Milestone 2 herda da primeira versão é o aquecimento exagerado do aparelho. Em uso constante, é frequente a sensação de estar levando uma frigideira à orelha. A reclamação é comum no primeiro modelo – ele desliga sozinho e derruba ligações por causa da temperatura – e infelizmente continua presente na nova versão. Relacionado a isso, a bateria não é nem um pouco impressionante se comparada à do iPhone 4.

Mas a maior reclamação que o Milestone recebeu durante seu reinado foi em relação a sua câmera. Porém, na época, o iPhone 3GS também tinha uma câmera mais ou menos e nenhum outro Android tinha 5MP dignos a oferecer. Bem, o número de pixels foi mantido e, infelizmente, a qualidade de imagem também. Para completar, perto das fotos do iPhone 4 e do Samsung Galaxy S, as imagens do Milestone 2 têm um pouco menos de detalhe e carecem de vida:

iPhone 4:

Sim, eu sei que vocês vão falar que as fotos do iPhone são saturadas demais. Mas aqui ela está bem mais próxima da realidade. E, em uma versão maior, dá para ver que ela tem mais detalhes. 

Galeria:

  

A situação nos vídeos melhora, mas também deixa a desejar. Mesmo filmando em 720p, as imagens têm ruídos sensíveis:

O Milestone 2 surge em tempos difíceis. De um lado, ele vê o iPhone 4 e sua tela belíssima, a câmera frontal e o design elegante. Do outro, vê cada vez mais concorrentes dentro de seu próprio sistema, como o Galaxy S e sua TV digital embutida e tela gigantesca. É nesses detalhes que o Milestone 2 se complica: ele não tem aquele algo a mais para chamar tanta atenção. Seu hardware é impressionante, mas não é superior a nenhum outro. Sua faixa de preço é mais ou menos a mesma da concorrência (um pouquinho mais barato, para ser mais exato). Em termos de beleza, ele não irá derrubar queixos nas lojas. Isso, claro, não o impede de ser o único Android do mercado brasileiro comparável ao nosso favorito, o Galaxy S, e não há muitas razões para não recomendar sua compra. Mas, diferente do primeiro Milestone, que recebeu em pouco tempo a coroa e o cajado de rei dos Androids, o Milestone 2 é quase apenas mais um no meio da multidão. E tem uma competição difícil agora e nos próximos meses.