O Sony Xperia ZQ foi apresentado durante a CES e nos chamou bastante a atenção. Era um smartphone com tela Full HD, especificações técnicas muito boas e promessa de uma ótima câmera. Ele já está à venda no Brasil há algum tempo, mas será que vale a pena?

Design



A Sony apresentou no começo do ano dois smartphones bastante parecidos: o Z e o ZL. Para o Brasil, ela escolheu trazer uma versão um pouco modificada do segundo – o ZL – adaptado para o padrão do 4G LTE daqui. Além da adaptação do 4G, outro fator que contribuiu para a escolha do ZL e não do Z foi o que a Sony chamou de “preferência do público brasileiro”. O Z é maior e a prova d’água, enquanto o ZL é mais compacto. Os brasileiros preferem smartphones menores, diz a Sony, e por isso o ZQ é baseado no ZL.

E ele realmente é compacto. A tela de 5 polegadas ocupa 75% da parte frontal, e a quase inexistência das bordas laterais fazem com que ele não seja grande, apesar do tamanho da tela. O ZQ também não tem nenhum botão físico frontal – os comandos do Android surgem na própria tela, como no Nexus 4. O LED de notificações e a câmera frontal foram colocados em um lugar diferente de smartphones comuns – eles ficam abaixo da tela.

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Já a parte traseira é levemente curvada e totalmente de plástico. A bateria não é removível, e o chip micro SIM e o cartão micro SD são colocados em uma pequena entrada que se revela na parte inferior do aparelho. Na lateral esquerda, apenas a entrada micro USB. Já na lateral direita estão os únicos botões do aparelho: o controle de volume acima, o acesso rápido à câmera abaixo e, no meio, o botão para ligar.

No hands-on que fiz do Xperia ZQ comentei bastante sobre o botão Power, que recebeu atenção especial da Sony. Ele foi colocado no meio do aparelho em uma posição ruim para quem pega com a mão esquerda, mas esse não é o único problema dele. Mesmo segurando com a mão direita ele parece estranho, e é bastante duro, é difícil apertá-lo. A Sony tentou uma coisa diferente para tornar o botão especial – ele realmente se destaca e é bem fácil encontrá-lo. Mas era melhor que não fosse tão duro de apertar – isso facilitaria muito mais.

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Tela: o Full HD é lindo, mas e o ângulo de visão?

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Como já está se tornando padrão entre os Android high-end, a tela do Xperia ZQ é Full-HD. Isso significa que uma resolução de 1920×1080 foi colocada na tela de 5 polegadas do smartphone (441 pixels por polegada), e a Sony dá bastante destaque para o motor Mobile Bravia Engine 2, com a promessa da qualidade da imagem ser excelente.

Na prática, significa uma tela maravilhosa em alta definição, com cores excelentes e bastante nitidez. Sim, ela é muito bonita, e parece uma das melhores do mercado atualmente, mas ela tem dois problemas sensíveis: primeiro, seu ângulo de visão é ruim, algo incomum para aparelhos topo de linha. Basta virar o aparelho em poucos graus e você começa a perceber a imagem ganhando uma camada esbranquiçada. É como se uma neblina dominasse a tela, e isso aumenta a cada movimento. Por fim, não espere enxergar alguma coisa na tela do ZQ sob a luz do sol: ele vira uma tela preta. Apesar de fazer um belo trabalho em colocar tantos pixels em sua tela, a Sony não corrigiu problemas que impedem que o deleite dos 1080 pixels seja do jeito que imaginamos: apenas queixos caídos, e não testas franzindo de irritação.

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Foto via John Biehler/Flickr

Hardware de ponta…

No papel, o o Xperia ZQ tem ótimas especificações técnicas. O processador é um Snapdragon S4 Pro quad-core de 1,5 GHz, com 2GB de RAM, 16GB de armazenamento interno (e entrada de microSD!), câmera traseira de 13 megapixels, tela Full-HD, conexão LTE, infravermelho e NFC. O que se espera de um high-end atualmente – não falta nada.

Mas, apesar dele ser bastante rápido e rodar apps pesadíssimos – o jogo Dungeon Hunter 4, por exemplo, roda perfeitamente – ele engasga de vez em quando. Você provavelmente vai encontrar um pouco mais de dificuldade para chegar a um app e abrí-lo do que com ele aberto. Como isso acontece em um hardware tão poderoso? O motivo tem nome, e já é previsível: Experience Flow UI, o pomposo nome da skin que a Sony colocou no ZQ.

…software nem tanto.

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A Sony fez grandes mudanças no Android. Muitas mesmo. Ao ligar, você não percebe que está usando o sistema operacional do Google. Apps padrões foram modificados – um chamado Walkman é usado para música, além de outras criações da Sony para vídeos e galeria de imagens, e um app da câmera totalmente remodelado e bem bacana.

Uma das coisas mais legais são os “small apps” – pequenos aplicativos que ficam por cima do que está na tela. São como uns widgets de algumas funções básicas – notas rápidas, calculadora, gravador de som e contador de tempo. E você ainda pode baixar mais alguns na Play Store, incluindo um da câmera digital, conversor de moedas, de unidades e muito mais coisa. A Sony disponibiliza o SDK dos Small Apps, então podemos ver muito mais coisas com o tempo.

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Uma função que começa a dar as caras em high-ends e também está no Xperia ZQ é a comunicação infravermelho e a função de controle remoto: seu smartphone pode virar um controle universal para os aparelhos da sua casa. Muitos dispositivos estão pré-programados – mesmo quando não são da Sony. Assim, sem muito esforço consegui fazer TVs da LG e Samsung responderem aos comandos no smartphone – e elas responderam muito bem.

Mas nem tudo é perfeito. O app de controle remoto em si não é dos melhores. Ele sempre fica em modo paisagem, o que faz com que a hora de configurar um aparelho para ser controlado por ele seja uma tortura: você precisa caçar a marca do aparelho em uma caixa que mostra três itens por vez, sem opção de procurar de outra forma. E se seu aparelho não estiver na lista, a tarefa é mais árdua – como é quando você tenta configurar qualquer controle remoto universal.

O controle remoto também tem um small app, mas não é lá uma ideia muito boa usá-la: o infravermelho fica na lateral do Xperia ZQ (por isso a exigência do modo paisagem para usá-lo), mas ele aparece no modo retrato. Então você precisa usar o smartphone em modo retrato, mas ao mesmo tempo em modo paisagem (???) para o small app do controle remoto funcionar. A solução? Usar o app normal.

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A barra de notificações é mais limpa do que em outras skins – TouchWiz e LG, por exemplo. Na parte de cima, alguns atalhos para configurações rápidas (modo silencioso, Bluetooth, Wi-Fi, conexão de dados e configurações do aparelho). Essas configurações rápidas poderiam ser melhores. Em alguns outros aparelhos, se você segura o botão do Wi-Fi por alguns segundos, acessa a área para configurar o Wi-Fi. Mas isso não acontece no ZQ. É uma coisa pequena, mas que facilita bastante (e faz falta para quem está acostumado).

Bateria

A bateria tem 2370 mAh, o que não parece grande coisa em comparação com os 2600 mAh do Galaxy S4. Vale lembrar que, por ser um smartphone com tela Full-HD e 4G LTE, a bateria tem que ser mais do que excelente: o consumo dela vai ser muito maior do que era nos smartphones apenas 3G.

E ela também não é removível, o que significa que você não pode andar com uma extra caso a sua acabe. Isso é um grande problema, e a Sony colocou a solução no software do Xperia ZQ.

Um modo chamado Stamina desliga completamente as conexões de dados quando a tela está apagada para a bateria durar mais. O seu smartphone funciona apenas como um telefone celular. E esse modo também tem um truque bacana: você pode definir alguns apps para continuarem usando a conexão de dados mesmo com a bateria desligada. Assim, continuará recebendo notificações de e-mail, WhatsApp, Facebook e o que mais você quiser, mas sem consumir tanta bateria como de costume.

Com o modo Stamina ligado, consegui ficar dois dias sem precisar carregar o Xperia ZQ: isso com mudo moderado, um pouco de redes sociais, algumas chamadas.

O teste da bateria, no entanto, ficou um pouco prejudicado pela falta de 4G: não consegui testar o 4G que começa a aparecer em São Paulo, e, portanto, é difícil falar como ele afeta a bateria. De qualquer forma, o 4G está disponível para pouca gente, com cobertura baixa e preços altos, então por um tempo o 3G continuará sendo o mais usado por aqui. Para ele, a bateria do ZQ é excelente.

Câmera: muitos pixels, pouca emoção

A câmera do Xperia ZQ tem 13 megapixels e o sensor Exmor RS, com a promessa de fotos com bastante detalhes e poucos ruídos. Mas na prática ela não é tão boa assim não. A qualidade é muito boa, mas especialmente fotos em baixa luminosidade saem com bastante ruídos.

Já em relação a vídeos, ela grava em 1080p a 30fps em HDR – mas essa função não melhora muito a qualidade em relação aos vídeos normais.

Mas há um ponto que merece destaque: o app da câmera é bastante intuitivo com uma interface excelente. Trocar de modos é bem simples, assim como acessar as configurações. Além disso, na mesma tela você tem a opção de tirar foto e gravar vídeo.

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Vale a pena?

O que o Xperia ZQ é? Um aparelho bom. Pode parecer um elogio, mas na soma de tudo, não é: por R$2.049, preço acima de outros high-ends e pouco menos do que Galaxy S4 e iPhone 5, nós esperávamos mais do ZQ. A sensação é que ele está sempre um pequeno passo atrás do que seus concorrentes: a tela é full HD, mas tem pequenas falhas que incomodam, e que você não encontra em outros concorrentes atuais. A câmera chega cheia de promessas, mas decepciona e é um passo para trás nos historicamente bons sensores da Sony. O Android é recente, mas a modificação da Sony pesa mais do que a média das skins. É preciso levar em consideração um punhado de fatores importantes antes de comprar o Xperia ZQ, e por isso não achamos que valha comprá-lo agora, não por seu preço cheio.

Ele não é o topo de linha que se espera e foi superado por concorrentes em pouco tempo. A impressão final é que ele poderia ser bem mais do que é – talvez com menos mudanças da Sony, talvez com uma câmera melhor.

Observações de uso do Xperia ZQ:

  • O Wi-Fi dele me pareceu um pouco problemático. Era bem fácil simplesmente perder o sinal no aparelho ao caminhar pela minha casa – o que não acontece com outros dispositivos
  • A câmera frontal, na parte inferior da tela, faz o mínimo que se espera dela. Só que o seu posicionamento é terrível: para uma vídeo-chamada, ou você usa o smartphone deitado ou vai ter que tomar cuidado para não fazer sua mão entrar na frente da câmera o tempo inteiro.
  • Durante a apresentação, a Sony destacou o fone de ouvido MH-EX300AP, alegando que ele é bem melhor do que os presentes em outros smartphones por aí. Ele realmente é muito bom. Só que não é o fone de ouvido do Xperia ZQ: ele sai das lojas acompanhando um MH750, consideravelmente inferior.