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Roger Waters, 80 anos: 10 momentos dele com o Pink Floyd

Vocalista e baixista inglês se torna octagenário neste 6 de setembro - e segue em alta, com grande capacidade em provocar amor e ódio

Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons

O vocalista e baixista inglês Roger Waters, co-fundador da banda Pink Floyd (que ele deixou em 1984), chega aos 80 anos neste 6 de setembro em alta, mas com grande capacidade em provocar amor ou ódio.

Às vezes, amor e ódio em seus próprios shows, como no Brasil, em que assumiu uma postura anti-Bolsonaro que agradou uma parte da plateia e desagradou outra. Essa parte contrariada parecia desconhecer a trajetória do artista, filho de um professor socialista que morreu na 2ª Guerra Mundial em 1944, quando Roger tinha 5 meses.

Ou quando a Alemanha quis proibir seu show pela presença de uniformes que remetem ao usados pelos nazistas. Quem quis proibir não se tocou que essas indumentárias são fundamentais para criar cenários para as músicas do álbum “The Wall” (1979), que contesta totalitarismos como o nazismo e outras repressões sociais. O uniforme é usado por um personagem despótico, não por um Waters com tendências hitleristas.

Chegar aos 80 ainda causando esse tipo de ebulição é para poucos. Mas, por mais que tenha uma carreira solo sólida, é o que Waters produziu com o Pink Floyd de 1967 a 1984 que garante sua posteridade.

Digamos que, no Brasil, quem foi a um show de Waters (ou irá nos que estão marcados para outubro) queria ouvi-lo cantando músicas que criou para sua antiga banda, não as da carreira solo. O próprio Roger parece saber disso.

Pense na energia que ele investiu em turnês tocando “The Wall” (álbum em que ele compôs todas as faixas, sozinho ou em parceria) inteirinho. Ou que, em 2023, ele aproveitou o 50º aniversário da maior obra do Pink Floyd para fazer uma releitura do álbum em “The Dark Side of the Moon Redux”, cujo lançamento oficial será em 6 de outubro.

Para celebrar os 80 anos, alguns momentos importantes de Waters com o Pink Floyd:

1- “Interstellar Overdrive” (ao vivo em Estocolmo, 1967)

O Pink Floyd original foi formado em 1965 com Syd Barrett na guitarra e vocais, Roger Waters no baixo, Rick Wright nos teclados e Nick Mason na bateria. Syd assumiu naturalmente a liderança com suas composições muito diferentes e sua exploração da psicodelia nos arranjos.

A composição central do álbum de estreia da banda, “The Piper at the Gates of Dawn”(1967), era a instrumental “Interstellar Overdrive”. Uma criação creditada aos quatro membros, mas totalmente Syd no espírito. O baixo de Waters é fundamental para ancorar as viagens de Barrett na guitarra cheia de efeitos “espaciais”.

O vídeo (em preto e branco) é de uma apresentação do Pink Floyd em Estocolmo, Suécia, naquele mesmo 1967.

2- “Take Up Thy Stethoscope And Walk”

Apesar do domínio de Syd Barrett, Roger Waters conseguiu ser o único outro membro do Pink Floyd a incluir uma composição própria no álbum de estreia. Um pouco pop-rock típico da época e sintonizada com o material de Barrett, “Take Up Thy Stethoscope and Walk” encerrava o lado A do LP de vinil original. 

3- “Set The Controls For The Heart Of The Sun (Live At Pompeii)”

Em apenas um ano, o consumo pesado de LSD e as primeiras manifestações de doença mental de Syd Barrett transformaram o líder em um peso morto difícil de carregar. A solução inicial dos outros três membros foi de acrescentar o guitarrista David Gilmour para cobrir os silêncios e falhas de Syd nos shows. 

Como membro oficial, Gilmour já fez parte das gravações de “A Saucerful of Secrets”, o segundo álbum do Floyd, lançado em junho de 1968 após um processo de gravação que se arrastou por um ano.

Syd Barrett participou de três das sete faixas em sua despedida do Pink Floyd. Uma delas é a primeira composição importante de Waters, “Set the Controls for the Heart of the Sun”, item obrigatório nos shows por alguns anos.

O vídeo é do filme “Live At Pompeii”, lançado em 1972, com o legendário show para ninguém que o Pink Floyd realizou nas ruínas em Pompeia, a antiga cidade do Império Romano que foi destruída pelo vulcão Vesúvio no ano 79 depois de Cristo.

4- “The Nile Song”

Em 1969, o Pink Floyd trabalhou com trilhas sonoras. Contribuiu com o badalado “Zabriskie Point”, do diretor italiano Michelangelo Antonioni. E produziu tudo para o mais obscuro “More”, do então principiante diretor francês Barbet Schroeder. 

A trilha preencheu um LP inteiro. Das poucas faixas cantadas, destaca-se “The Nile Song”, um rock pesado e ruidoso composto por Waters e com vocais de David Gilmour. Por mais alguns anos, isso se repetiria até Roger ganhar confiança como vocalista e cantar em mais faixas por álbum.

5- “Cymbaline”

Outra faixa de “More” que merece atenção é “Cymbaline”, de Waters, cuja melodia e andamento mereceria o rótulo de “Pink Floyd padrão” e não ficaria deslocada em “The Dark Side of the Moon”.

6- “If”

Em “Atom Heart Mother” (o “disco da vaca”), de 1970, Waters assina sozinho apenas uma faixa, a soturna e delicada “If”. Nesta, ele reuniu coragem para cantar sem o truque de botar Gilmour e Wright vocalizando junto para dissipar a voz dele no resultado final.

7- “One of These Days (Live At Pompeii)”

O álbum “Meddle”, de 1971, tinha duas longas faixas compostas coletivamente pela banda. “Echoes”ocupava todo o lado B do LP. E “One of These Days” abria o lado A com o baixo nervoso de Waters dando a marca registrada da música. 

A versão do vídeo é do filme “Live At Pompeii”.

8- “San Tropez”

Também em “Meddle”, Waters emplacou mais uma faixa em que faz a voz principal. “San Tropez” é uma música leve e simpática que lembra muito o estilo da época da clássica banda inglesa The Kinks.

9- Shine On You Crazy Diamond (Parts I-V)

Em “The Dark Side of the Moon” (1973), a maior obra do Pink Floyd, Waters compôs muito – coletiva e individualmente. Mas deixou para David Gilmour os vocais nas músicas que ficaram mais famosas, “Time” e “Money”. 

 

No álbum “Wish You Were Here”, de 1975, ele não repetiu o mesmo erro e cantou nas duas faixas chamadas “Shine On You Crazy Diamond” (a “Parts I-IV” que abre o álbum e “Parts V-IX, que encerra). 

 

A autoria é dividida com David Gilmour e Rick Wright. Mas é o primeiro álbum em que Waters tem créditos de compositor em todas as faixas.

10- “Another Brick in the Wall (Official Video)” 

Depois do conceitual “Animals” (1977), em que Waters compôs tudo sozinho exceto uma faixa com parceria de Gilmour, veio o ainda mais conceitual (além do LP, viria um filme com atores e animações) “The Wall”, lançado no fim de 1979. Das 26 faixas, Waters só cedeu parceria em quatro. 

O Pink Floyd era cada vez mais dominado por Roger Waters e criou-se uma situação bizarra: após anos de discórdia, o tecladista Rick Wright foi demitido da banda que ajudou a fundar, mas recebeu créditos de músico assalariado pelo material que deixou gravado. 

A “Waters Band” criou o segundo álbum mais popular do Pink Floyd, com alguns de seus clássicos mais duradouros, como “Comfortably Numb” (que continuaria no repertório na fase liderada por David Gilmour após a saída de Waters em 1984) e, é claro, “Another Brick in the Wall”.

O videoclipe já trazia algumas cenas e animações que fariam parte do filme “The Wall”, lançado em 1982.

Bônus: Roger Waters – “Time” 

“No cinquentenário de “The Dark Side of the Moon”, Waters decidiu regravar o álbum inteiro com uma visão bem pessoal e arranjos diferentes do disco original do Pink Floyd. Até as duas composições que não são dele (“Speak to Me” e “The Great Gig in the Sky”) estão presentes.”

Com o álbum prontinho para chegar inteiro ao público em 6 de outubro, Waters já antecipou o “Lyric Video” de “Time”. Ficou bem diferente pinkda versão de 1973. 

É provável que muitos fanáticos pelo Pink Floyd torçam as fossas nasais, mas Waters fez sua nova versão. A música que compôs aos 29 anos revisitada com a cabeça e a vivência de um octogenário.

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