Na semana passada, um vazamento de pressão de ar na Estação Espacial Internacional (ISS) aconteceu, e foi especulado que a causa pudesse ser um micrometeorito. Agora, no entanto, a agência espacial russa Roscosmos está afirmando que ele foi o resultado de um erro humano ou, possivelmente, até mesmo um ato de sabotagem deliberada. De um jeito ou de outro, o incidente expõe uma supervisão fraca e uma falta de medidas de controle de qualidade na agência espacial russa.

• Detectaram um pequeno vazamento de oxigênio na Estação Espacial Internacional

Na última quinta-feira (30), uma “microfissura” de dois milímetros foi detectada no casco de uma espaçonave Soyuz MS-09, que está atualmente acoplada à ISS. Os seis astronautas a bordo da estação não chegaram a correr perigo, já que o vazamento de pressão de ar era bem pequeno e foi facilmente contido. Uma tira de fita Kapton foi colocada sobre o buraco como uma medida paliativa, seguida pela aplicação de um selante à base de epóxi. A ISS não está mais vazando ar para o espaço, e o buraco parece estar estável.

Atualização do vazamento da ISS: o remendo estaria segurando, mas mais trabalhos serão feitos. O melhor palpite parece ser de que o buraco não foi causado por um golpe de detritos, mas sim um buraco de broca criado durante a fabricação e seja lá o que estava o fechando nos últimos dois meses, saiu há dois dias.

Inicialmente, culparam um micrometeorito pelo vazamento — uma teoria que a agência espacial russa agora descartou. Em uma coletiva de imprensa transmitida pela TV e realizada na segunda-feira (3), o CEO da Roscosmos, Dmitry Rogozin, disse que o vazamento foi causado por um “erro tecnológico”. Aparentemente, o vazamento estava acontecendo por meio de um furo de broca que foi acidentalmente feito durante o processo de fabricação, e o material usado para fechar o buraco de repente foi expelido. Porém, não está claro se o buraco foi produzido na Terra ou no espaço, ou mesmo se o furo foi resultado de um acidente ou de uma ação deliberada.

“Estamos levando em consideração todas as teorias”, disse Rogozin durante a entrevista coletiva. “A teoria sobre o impacto de um meteorito foi rejeitada porque o casco da espaçonave foi evidentemente impactado de dentro. Entretanto, é cedo demais para dizer definitivamente o que aconteceu. Mas isso parece ter sido feito por uma mão vacilante… É um erro tecnológico cometido por um especialista. Foi feito por uma mão humana — existem vestígios de uma broca deslizando ao longo da superfície. Não rejeitamos nenhuma teoria.”

Rogozin disse que agora é uma “questão de honra” para a Energia Rocket and Space Corporation, fabricante responsável pelo módulo Soyuz MS-09, “encontrar o responsável” pelo buraco e determinar se foi um acidente ou “deterioração deliberada” e se o buraco foi criado na Terra ou no espaço.

O buraco no veículo tripulado Soyuz MS-09 antes de ser remendado com um selante à base de epóxi. Arranhões sugerem uma “mão vacilante”, nas palavras do CEO da Roscosmos, Dmitry Rogozin. Foto: NASA

“Agora, é essencial determinar o motivo, para descobrir o nome do responsável por isso”, declarou Rogozin, “e vamos descobrir, sem falta”.

Uma fonte da indústria disse à RIA Novosti, agência internacional de notícias da Rússia, que um funcionário da Energia provavelmente fez o buraco no casco interno do módulo antes de selar a fresta com uma cola especial. É por isso que o buraco não foi detectado durante testes de pressurização antes da integração da espaçonave à ISS. O nave foi considerada apta para a ação e lançada para a ISS em 6 de junho, com três astronautas a bordo. Uma vez em órbita, no entanto, “a cola secou e foi espremida, abrindo o buraco”, disse uma fonte à RIA Novosti. Além de realizar uma investigação interna, a Energia verificará todas as suas espaçonaves de carga Soyuz e Progress em busca de possíveis defeitos.

Fotos tiradas do furo de broca mostram arranhões e possíveis tentativas falhas de perfurar, apontando para a “mão vacilante” sugerida por Rogozin. Parece provável que um único indivíduo tenha sido o responsável pelo buraco, mas seria conveniente demais colocar a culpa diretamente em uma pessoa. A Roscosmos adoraria passar a culpa para a Energia ou para o suposto funcionário, mas a agência espacial compartilha da culpa por não ter identificado ou evitado o defeito. Tanto a Roscosmos quanto a Energia terão que reavaliar seus processos internos para garantir que algo assim não aconteça novamente.

“Historicamente, os russos são mais apressados do que nós para gritar ‘sabotagem’. Mas isso parece extremamente improvável”, disse o astrofísico Jonathan McDowell, do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica, em entrevista ao Gizmodo. Em primeiro lugar, um sabotador poderia ter feito um buraco maior; na taxa máxima de vazamento, a tripulação a bordo da ISS tinha “semanas de ar restante” na reserva, de acordo com um post de blog da Agência Espacial Europeia.

Quanto à teoria de que o buraco teria sido feito no espaço, isso é uma possibilidade, mas parece estranho que um astronauta na ISS não teria confessado ter cometido um erro tão importante quando ele tivesse acontecido. E, se foi um ato deliberado, repetimos, furar um buraco de dois milímetros parece uma tentativa bem patética de sabotagem.

Torçamos para que este pequeno incidente sirva como um momento de aprendizado para todas as partes envolvidas.

[TASS, AFP, Spaceflight Insider]

Imagem do topo: ESA/A. Gerst