Para os aficionados em histórias espaciais, a data é inesquecível.

No dia 25 de julho de 1976, a nave Viking 1 da NASA obteve fotos que mexeriam para sempre com o imaginário popular. A missão estava explorando Marte quando registrou na superfície do planeta o que parecia ser um rosto humano. 

Foi o suficiente para desencadear a maior polêmica da agência espacial, com uma lista de teorias sobre a existência de vida extraterrestre.

Ao mesmo tempo em que pesquisadores diziam que a imagem não se passava de uma coincidência causada por luz e sombras, conspiracionistas criavam as mais diversas histórias para justificar o batizado “Rosto de Marte”. 

A teoria mais popular

A mais popular foi desenvolvida pelo escritor Richard Hoagland. De acordo com o americano, uma suposta civilização alienígena teria habitado ou mesmo visitado o planeta. Com isso, a população marciana registraria sua era com um monumento humanoide na superfície, como uma esfinge. Toda a teoria está em seu livro The Monuments of Mars: A City on the Edge of Forever (1987).

Essas teorias conspiratórias tiveram efeito positivo para a NASA. Afinal, o público passou a se interessar mais pela exploração espacial e por tudo aquilo que ainda teria que ser descoberto. Porém, os cientistas não fizeram questão de voltar à cratera para desmentir as teorias ufológicas por pelo menos 20 anos. 

A volta em 1998

Apesar da pressão e dos boatos de que a NASA estaria encobrindo evidências de vida extraterrestre, a agência espacial só voltou ao local em que estava o Rosto de Marte em 1998. Na data, a tecnologia já dava uma forcinha e permitiu que fossem registradas fotos 10 vezes mais nítidas. Como era de se esperar, só havia crateras e saliências. 

Retornos em 2001 e 2006

Mesmo assim, surgiram especulações de que a NASA havia visitado o local na época de inverno do planeta vermelho, e o rosto de Marte teria ficado coberto por neblina. A agência voltou no verão marciano de 2001 e, mais uma vez, nada de monumento humanoide. 

Como se não bastasse, a NASA coletou dados de altimetria a laser, recriando a forma da elevação e provando que não havia sinais de olhos, nariz ou boca. Em 2006, foi a vez da Agência Espacial Europeia (ESA) voltar ao local e confirmar a não existência do rosto humano.

Rosto de Marte
Comparação entre fotografias tiradas em Marte em 1976 (à esquerda) e 2001 (à direita). Imagem: Wikimedia Commons

A explicação: pareidolia 

Apesar das imagens, claro que as teorias não acabaram. Conspiracionistas seguiram na tese que nos 20 anos de ausência da NASA no local, “pessoas” aqui da Terra ou mesmo extraterrestres trataram de apagar o rosto de Marte…

Nesse caso, é bem provável que tenha ocorrido apenas o fenômeno psicológico da pareidolia. Ele é comum a nós humanos e faz com que vejamos rostos em objetos, sombras, entre outros estímulos visuais. 

Cratera Galle
“Cratera do rosto feliz”, em Marte. Imagem: Wikimedia Commons/Reprodução

O Rosto de Marte, inclusive, não é o único relevo marciano que foi personificado. Há também no planeta vermelho a cratera Galle, popularmente conhecida como “cratera do rosto feliz”. É só olhar para a foto acima que fica claro o porquê da nomeação.