Russell Kirsch, o inventor do pixel e a primeira pessoa a criar uma fotografia digital, morreu terça-feira (11) em sua casa em Portland, Oregon, de acordo com uma reportagem do Washington Post. Kirsch tinha 91 anos de idade.

Kirsch foi um cientista da computação que trabalhou para o National Bureau of Standards dos EUA nos anos 50 (agora conhecido como Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia) e trabalhou com o primeiro computador programável nos EUA, chamado de Standards Eastern Automatic Computer (SEAC), que foi criado em 1950. Mas só em 1957 que Kirsch e sua equipe começaram a fazer experiências com imagens digitais, uma busca única e desafiadora quando os computadores eram grandes o suficiente para encher salas inteiras.

Kirsch tornou-se pai em 1957, e trouxe uma fotografia de seu bebê de três meses para testar um novo scanner de tambor no qual ele havia trabalhado. Por meio de suas experiências, Kirsch criou a primeira foto digital, que tinha apenas 176 pixels por 176 pixels de acordo com o NIST. (Em contraste, as câmeras modernas e baratas podem armazenar cerca de 20 milhões de pixels por foto). Ao fazer isso, Kirsch e sua equipe, incluindo Leonard Cahn, Chuck Ray e Genevieve Urban, inventaram o que ficaria conhecido como o pixel.

A equipe publicou um trabalho com o Instituto de Engenheiros de Rádio em 1957 intitulado “Experimentos no Processamento de Informações Pictóricas com um Computador Digital” que está disponível para leitura online graças ao Museu de História da Computação. O artigo inclui outros primeiros exemplos de fotografias digitalizadas que se tornaram algumas das primeiras imagens digitais. O maior problema durante os anos 1950 foi o armazenamento. Em 1957 não foi possível guardar tanta informação em um determinado momento, o que levou a usos práticos muito limitados durante décadas.

Notavelmente, o termo “pixel” ainda não foi usado naquele artigo e houve algum debate sobre como chamar aquele pequeno pedaço de informação visual. O termo alternativo “pel” era frequentemente usado nos primórdios, mas o pixel acabou vencendo.

Imagem: Museu de História da Informática

Os computadores eram coisa séria nos anos 1950, mesmo em filmes de cultura popular como o clássico Desk Set de 1957, e essa seriedade realmente aparece nas entrevistas que Kirsch daria anos mais tarde sobre sua experiência no National Bureau of Standards. Cada minuto de operação do SEAC deveria ser contabilizado, e o funcionamento do computador custava cerca de US$ 120 por hora, ou mais de US$ 1.100 ajustados à inflação. Kirsch admitiu ter “roubado” o precioso tempo do computador, o que levou a experiências que mudariam o mundo para melhor.

“Às vezes posso confessar ter roubado tempo de máquina de produtos supostamente mais úteis como os cálculos das armas termonucleares e coisas desse tipo”, disse Kirsch em uma história oral de 1970. “Eu não estava ciente na época do que eu estava roubando esse tempo. Não tenho certeza absoluta de que teria feito diferente se soubesse, mas era possível ter uma certa quantidade de computação disponível a preços muito atraentes, ou seja, grátis.”

É difícil explicar o quão revolucionário foi seu experimento fotográfico, especialmente quando outras realizações na computação ainda estavam a décadas de distância. A ARPANET, a precursora de nossa internet moderna, não fez sua primeira conexão até outubro de 1969 e a fotografia digital não se tornaria algo comum voltado ao consumidor até o final dos anos 1990.

Pergunte aos seus avós como foi tirar um filme para ser revelado, crianças. Era uma experiência.