A briga entre o governo russo e o aplicativo de mensagens Telegram ficou mais tensa: um tribunal de justiça da Rússia determinou que o app deve ser bloqueado em todo o país imediatamente. A decisão foi tomada depois que a empresa decidiu não compartilhar as chaves de criptografia com o FSB, agência de segurança da Rússia, conhecida anteriormente como KGB.

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A empresa vinha lutando desde o ano passado contra essa decisão do governo, e a Justiça tinha determinado que os desenvolvedores deveriam entregar as chaves. Como essa decisão não foi acatada, usuários russos serão impedidos de usar o Telegram. A proibição permanecerá até que as chaves de criptografia sejam entregues.

O Telegram utiliza uma criptografia proprietária, diferentemente de empresas como Google e Facebook, que usam protocolos públicos comprovadamente seguros. A FSB não considera acesso às chaves de criptografia uma violação da privacidade dos usuários.

Em 2016, a Rússia aprovou leis antiterrorismo rigorosas que exigem que serviços de comunicação ofereçam alguma alternativa para que autoridades descriptografem o conteúdo de mensagens. Entre as regras da lei está a exigência de que companhias que operam no país armazenem dados dos cidadãos russos localmente, além de permitir que o estado e serviços de inteligência do país tenham acesso às informações.

A agência de segurança argumentou para a suprema corte que as chaves não são consideradas informações de acesso restrito e que usá-las para coletar informações de suspeitos ainda iria exigir uma ordem judicial.

Ramil Akhmetgaliev, advogado do Telegram, considera o argumento da FSB “sagaz”. “É como dizer: ‘Eu tenho a senha do seu email, mas eu não controlo o seu email, eu apenas tenho a possibilidade de controlá-lo’”, afirmou.

Pavel Durov, fundador do Telegram, respondeu ao bloqueio: “No Telegram, temos o luxo de não nos importarmos com fluxos de receita ou vendas de anúncios. A privacidade não está à venda, e os direitos humanos não devem ser comprometidos por medo ou ganância”.

O app, no entanto, já teve seus métodos de segurança questionados, uma vez que a empresa construiu uma infraestrutura que armazena as chaves de segurança de forma centralizada – algo que não é feito nas mensagens criptografadas ponto a ponto do WhatsApp e do Signal, por exemplo.

De acordo com a empresa de consultoria SensorTower, o Telegram é o segundo aplicativo mais popular da Rússia – que, por sua vez, é o mercado mais importante para a companhia. Falando ao Outline, Randy Nelson, da SensorTower, disse que se estima que o aplicativo tenha sido instalado mais de 32 milhões de vezes no país.

[The Verge]