Embora o governo russo se mostre cada vez mais determinado a seguir os ataques em território ucraniano, a população do país busca acirrar sua resistência às ações do governo.

Boa parte da população russa se manifesta de forma contrária à guerra da Ucrânia. No entanto, cidadãos sofrem com represálias das autoridades do país, onde protestos e manifestações públicas contra a gestão do Kremlin são proibidas desde 2014. Os manifestantes pegos pela polícia podem pegar duas semanas de prisão, ou, em caso de reincidência, até cinco anos de reclusão.

Mas cidadãos russos encontraram algumas maneiras de se comunicar entre si para organizar protestos contra a invasão da Ucrânia. Um desses métodos é bem peculiar: o uso de emojis para convocar atos e manifestações.

Um post que ficou muito popular desde o início da invasão, em 24 de fevereiro, foi uma imagem que mostrava várias linhas preenchidas com um emoji de uma pessoa andando e no centro, uma imagem do poeta Pushkin e um número 7. A postagem emblemática marcava um protesto na Praça Pushkin às 7 horas.

A utilização desse código de emojis para comunicação foi utilizada, principalmente, para convocar manifestações durante a crise da Crimeia em 2014, região ucraniana anexada pela Rússia. Hoje, as autoridades russas não têm muitas dificuldades para ler e entender esses códigos.

Marcar protestos ou dar indícios de manifestações por redes sociais pode ser muito perigoso. Desde o início das invasões, mais de 10 mil pessoas foram detidas pela polícia nos vários atos que ocorreram no país durante este período.

Além de mais pessoas estarem sendo presas por protestarem contra a guerra e o governo censura empresas de mídia independentes, redes sociais estão tendo acesso reduzido ou limitado . São os casos de Twitter, Facebook e Instagram, por exemplo. Com isso, o clima de temor generalizado tende a ampliar, deixando as pessoas com medo de saírem para se manifestar — e diminuindo a organização de movimentos de resistência.