Uma pesquisa realizada por uma equipe internacional coordenada pela Universidade de Exeter, na Inglaterra, e publicada pela revista Science Daily, buscou as circunstâncias e o momento da domesticação das galinhas. Além disso, revela a mudança na maneira como foram inseridas nas sociedades ao longo do tempo.

O cultivo de arroz foi o ponto importante para entender como enxergarmos as aves hoje. Primeiro, especialistas descobriram que uma associação com as plantações provavelmente iniciou um processo que levou as galinhas a se tornarem um dos animais mais numerosos do mundo.

Em segundo lugar, o cultivo de arroz seco na Ásia atuou como um ímã atraindo as aves selvagens das árvores e iniciando um relacionamento mais próximo entre as pessoas e as aves selvagens que resultou em galinhas.

O processo de domesticação estava em andamento por volta de 1.500 a.C. na península do Sudeste Asiático. A pesquisa sugere que as galinhas foram transportadas primeiro pela Ásia e depois pelo Mediterrâneo ao longo de rotas usadas pelos primeiros comerciantes marítimos gregos, etruscos e fenícios.

A pesquisa também identificou que na Idade do Ferro (1.200 anos a.C.), as galinhas não eram vistas como alimentos. Quando morriam –naturalmente–, eram enterradas individualmente e muitas também foram posteriormente encontradas em escavações enterradas com pessoas. Tempos depois, numa klinha do tempo, houve a popularização das galinhas e seus ovos como alimentos graças ao Império Romano.

A equipe de especialistas reavaliou restos de frangos encontrados em mais de 600 locais pelo mundo, em 89 países. Foram examinados os esqueletos, locaios de sepultamento e registros sobre as sociedades e culturas onde essas ossadas foram achadas. Os ossos mais antigos de uma galinha doméstica definitiva foram encontrados no Neolítico Ban Non Wat, no centro da Tailândia, e datam entre 1.650 e 1.250 a.C.

A professora Naomi Sykes, da Universidade de Exeter, disse: “comer galinhas é tão comum que as pessoas pensam que nunca as comemos. Nossas evidências mostram que nosso relacionamento passado com galinhas era muito mais complexo, e que durante séculos as galinhas foram celebradas e veneradas.”