A Samsung fez um pedido de desculpas formal pelos trabalhadores que adoeceram ou morreram em fábricas de chips e telas da companhia. A desculpa faz parte de um acordo da empresa com as vítimas das enfermidades que incluía câncer e aborto.

“Nosso esforço foi insuficiente para entender melhor a dor pela qual os trabalhadores e seus familiares passaram”, disse Kinam Kim, presidente e CEO da divisão de soluções de dispositivos da companhia, durante um pedido de desculpas público feito na semana passada. A Associated Press apontou que faltou algo importante nas desculpas da Samsung: admitir que as condições do local de trabalho levaram às doenças e mortes sofridas pelos seus funcionários.



Alegações terríveis a respeito de um ambiente de trabalho tóxico atormentam a companhia há tempos e somente em julho deste ano a Samsung concordou em fechar uma compensação junto aos seus trabalhadores.

De acordo com a Reuters, a fabricante sul-coreana concordou a pagar cerca de 150 milhões de wons sul-coreano (aproximadamente R$ 500 mil) às vítimas de doenças causadas pela exposição a produtos químicos até 2028.

Todos os atuais e ex-funcionários da Samsung, bem como funcionários terceirizados que trabalharam nas plantas de produção de semicondutores e telas por mais de um ano desde 1984, podem receber as compensações.

Kim disse que a companhia publicaria as diretrizes de compensação junto com uma carta de desculpas até o final deste mês no site da companhia e que um escritório de advocacia independente, baseado em Seul, iria conduzir o processo de revisão de elegibilidade para todos os trabalhadores afetados.

Hwang Sang-gi, pai de uma mulher que trabalhou em uma das fábricas da Samsung e morreu de leucemia em 2007, que fundou o grupo de defesa sul-coreano Sharps, disse à Reuters que cerca de 200 trabalhadores das fábricas da Samsung adoeceram e que 70 deles morreram.

Em uma coletiva de imprensa, Hwang disse: “Nenhum pedido de desculpas será o suficiente se considerarmos a decepção e humilhação pela qual passamos durante os últimos 11 anos, a dor de sofrer com doenças ocupacionais, a dor de perder nossos entes amados”.