O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou nesta quinta-feira (11) que o Instituto Butantan será parceiro do laboratório chinês Sinovac Biotech para a produção de uma vacina contra o coronavírus que está em fase final de testes.

A Sinovac Biotech fornecerá ao Instituto Butantan as doses da vacina para a realização de testes clínicos da fase 3 em voluntários no Brasil. Serão 9 mil brasileiros testados a partir de julho, após a aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e dos comitês de ética em pesquisa. A expectativa é que esses testes sejam finalizados até setembro.

Em uma coletiva de imprensa, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Tadeu Covas, explicou que a vacina da Sinovac Biotech já foi aprovada para testes clínicos na China – por lá, 144 voluntários participaram da fase 1 e outros 600 estão sendo acompanhados durante a fase 2.

A vacina usa uma versão do vírus inativado, ou seja, não há a presença do coronavírus vivo na solução, o que reduz os riscos deste tipo de imunização. “É colocado junto com a vacina o que é chamado de adjuvante, que potencializa o estímulo à resposta imune”, completou Dimas Covas.

Covas disse também que essa vacina utiliza a tecnologia com base celular (VERO), a mesma utilizada pela vacina da dengue produzida pelo Instituto Butantan.

Se bem sucedida nos testes, a vacina poderá ser produzida nacionalmente e disponibilizada aos brasileiros. A parceria prevê licenciamento de tecnologia, autorização de mercado e comercialização da vacina.

Doria afirmou na coletiva de imprensa que o Instituto Butantan poderá produzir a vacina em larga escala e disponibilizá-la por meio do SUS para todo o Brasil até junho de 2021.

A Sinovach Biotech é uma afiliada do estatal Grupo Farmacêutico Nacional da China, sediada em Pequim. Uma reportagem do New York Times aponta que documentos judiciais apontam que a companhia já esteve envolvida em um julgamento de suborno na China – de 2002 a 2014 o gerente geral do Sinovac Biotech deu ao vice-diretor da China responsável por aprovação de drogas quase US$ 50 mil para ajudar a empresa na aprovação de medicamentos. A Sinovac não foi responsabilizada.

Entenda as fases de testes

As vacinas passam por estudos clínicos antes de serem disponibilizadas para a população. Essa vacina em específico está entrando na última fase de ensaios, que é a fase 3. Do site do Instituto Butantan:

Fase 1 – a primeira etapa tem por objetivo principal testar a segurança do produto. São testados poucos voluntários, de 20 a 80, geralmente adultos saudáveis.

Fase 2 – a segunda etapa da testagem em seres humanos analisa mais detalhadamente a segurança do novo produto e também sua eficácia. Em geral, é usado um grupo um pouco maior, que pode chegar a centenas de pessoas.

Fase 3 – na última etapa o objetivo é testar a segurança e eficácia do produto especificamente no público-alvo a que se destina. Nesta etapa, o número de participantes pode chegar a milhares. Mesmo depois da aprovação, nova vacina continua sendo monitorada, em busca de eventuais reações adversas.