A Saraiva, maior varejista do mercado editorial, nutre uma inimizade com a Amazon desde antes de a empresa estrear no Brasil. Agora, uma estratégia agressiva pode reaquecer essa disputa.

Segundo a Folha, a Saraiva ameaçou interromper a venda de títulos de 18 editoras que estiverem em forte promoção na concorrência, especialmente na Amazon: “caso o site americano ou outro concorrente dê descontos maiores que os seus, ela vai devolver livros às editoras”.

O jornal teve acesso a uma apresentação em PowerPoint mostrando livros da Amazon vendidos a valores menores do que o preço de custo da Saraiva.

No Brasil, é proibido por lei “vender mercadoria ou prestar serviços injustificadamente abaixo do preço de custo”; a Amazon diz à Folha, no entanto, que segue a lei brasileira. E até o momento, não sabemos de nenhuma editora que reclamou com o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) sobre essa suposta prática.

No ano passado, a Amazon passou a vender livros importados no Brasil a preços mais competitivos que os praticados nas grandes redes de livrarias.

Por exemplo, o livro físico Capital in the Twenty-First Century custa R$ 195 na Saraiva e R$ 77 na Amazon – é quase o mesmo preço que na loja americana, mas sem frete internacional nem IOF. (Livros são isentos de impostos de importação.)

Não há dúvida que a Amazon pressiona as editoras por preços baixos. Em 2014, ela entrou numa guerra com a editora Hachette nos EUA, e deixou de vender alguns de seus best sellers; passou a estimar prazos enormes apenas para a entrega desses títulos; e colocou preços bem acima da concorrência.

No entanto, isso parece mais uma tentativa da Saraiva em controlar o mercado de livros, refletindo um desejo antigo de estabelecer preços fixos. Em 2014, grupos como a CBL (Câmara Brasileira do Livro) e a ANL (Associação Nacional de Livrarias) pressionaram por uma lei que obrigaria livros novos a terem valor único em qualquer loja por tempo limitado.

Na época, a Amazon oferecia frete grátis para compras acima de R$ 69 e até 40% de desconto nos livros. O presidente da ANL disse à Folha: “isso é uma prática canibalista, para arrasar o mercado. Por isso é importante a regulamentação, o preço fixo”. A proposta perdeu ímpeto desde então.

Será que estão tentando implementar uma lei informal do preço fixo? A Saraiva diz que não comenta estratégias comerciais.

[Folha]

Foto por amy/Flickr