Inventado por Dean Kamen e revelado ao mundo em dezembro de 2001, o Segway prometia revolucionar a mobilidade urbana. Mas com o preço altíssimo e as proibições em várias cidades, ele nunca chegou perto de realizar esse sonho. Dezenove anos depois, em 15 de julho, o Segway original sairá de linha oficialmente.

Nunca houve dúvida de que a tecnologia do Segway era revolucionária. Usando sensores e motores elétricos inteligentes, ele executou a tarefa aparentemente impossível de permanecer em pé sobre duas rodas dispostas lado a lado e fazer o trabalho de se equilibrar pelo motorista, que só precisava fazer movimentos sutis de inclinação para acelerar ou desacelerar o veículo.

Andar de um lado para o outro exigia apenas alguns minutos de treinamento, o que tornou o transporte pessoal uma alternativa popular às bicicletas para turistas ou seguranças de shopping.

Mas o Segway PT (a versão Personal Transporter, que apresentava o guidão na posição vertical) nunca realmente atraiu o consumidor em geral, exceto por bilionários que moravam no Vale do Silício e queriam uma nova maneira de jogar polo.

Dean Kamen, seu criador, acabou vendendo a Segway para a Ninebot, uma startup de robótica com sede em Pequim, em 2015. A Ninebot continuou a criar e vender equipamentos que se equilibravam sozinhos com a marca Segway, além de patinetes e outras alternativas elétricas para caros para se locomover e driblar o trânsito.

Na CES 2020, a empresa revelou sua mais recente criação usando a tecnologia de equilíbrio automático: um carrinho de duas rodas com lugar para sentar confortavelmente.

Mas fazia anos que a Ninebot não promovia o Segway Personal Transporter original. Segundo a empresa, ele representou apenas 1,5% de sua receita no ano passado. Os veículos mais acessíveis da empresa, como patinetes e hoverboards, são os carros-chefes em vendas.

Como resultado, a Ninebot decidiu se aposentar o Segway PT, bem como o Segway SE-3 Patroller (uma versão maior de três rodas, geralmente usada por seguranças nos aeroportos) e o Segway Robotics Mobility Platform (RMP).

A decisão também resulta na demissão de 21 pessoas da fábrica da empresa em Bedford, New Hampshire, e marca o fim de uma das abordagens mais ambiciosas e promissoras para finalmente substituir carros.

Sim, o veículo de duas rodas era infinitamente ridicularizado. Era difícil parecer legal percorrendo a cidade em um negócio desses, com suas caricatas rodas enormes — sem contar os tombos.

Se a Segway tivesse conseguido colocar esses veículos nas mãos dos consumidores pelo preço de uma bicicleta legal e não de um carro pequeno, podia ter tido uma chance décadas atrás. Mas pelo menos a tecnologia permanecerá em outros produtos da Ninebot no futuro.