Temos razões para acreditar que a Semp Toshiba tem uma relação de numerologia com o número dois: a empresa anunciou hoje o myPad MP 1003G, o primeiro tablet da empresa no Brasil, que terá um processador Tegra 2 dual core, versão com e sem 3G, Android 2.2 e preço inicial de R$1.399. E surge a questão: faz sentido um tablet assim?

Bem, por incrível que pareça, pode fazer sentido. Apesar de ter cara completa de sistema para smartphones, o Android 2.2 (e o 2.3) não ficam devendo tanto assim em relação ao Honeycomb atual. Sim, hoje, dia 9 de maio, o Android para smartphones faz basicamente tudo que o 3.0 faz — e potencialmente com menos travadas. Claro que comprar um tablet sabendo que ele ficará parado no tempo enquanto o Android evolui não é algo nada bacana, mas se os fabricantes cobrassem menos de R$900 por essas máquinas, um nicho poderia ser criado.

Mas voltando ao myPad, ele tem problemas graves e, particularmente, é um erro. Além de custar R$1.399 no modelo de 32GB só Wi-Fi e R$1.699 na versão com 3G — preços altos se comparados com a concorrência e seus hardwares mais completos — a Semp Toshiba disse que ainda estudará a atualização para Android 2.3 e, segundo os camaradas do Zumo, o tablet virá sem Android Market. Terá uma loja própria da empresa. Isso, meus amigos, não faz o menor sentido.

Outro detalhe estranho é o argumento da Semp Toshiba de que o hardware do aparelho não aguenta o Android 3.0. O myPad tem tela de 10,1 polegadas com resolução de 1024 por 600 pixels, Tegra 2 com 1GHz dual core, 512MB de RAM e não consegue lidar com o Honeycomb? Completam o pacote uma porta USB, outra HDMI, uma entrada para microSD de até 32GB. A lição do aparelho: há espaço para tablets defasados, desde que eles custem muito menos do que R$1.399. E nunca, nunca mesmo, tirem o Android Market de um aparelho. [Zumo]