No último mês, o Projeto Genoma Humano celebrou 20 anos. O esforço internacional contou com mais de mil cientistas de 40 países, representando a primeira tentativa de sequenciar o DNA humano. O problema, no entanto, é que os dados não refletiram a diversidade de toda a população global, já que a maioria dos indivíduos que participaram do estudo eram de origem europeia.

Desde então, pesquisadores vêm tentando mudar isso. Um dos esforços mais recentes foi anunciado na semana passada, com cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade de Maryland, nos EUA, apresentando um novo banco de dados de 64 genomas humanos sequenciados que representam 25 populações diferentes.

O estudo, publicado na Science, não se baseou no material original do Projeto Genoma Humano. Portanto, deve revelar algumas diferenças não observadas anteriormente. Segundo os pesquisadores, os avanços tecnológicos dos últimos anos também contribuirão para que eles comecem a identificar diferenças em uma escala maior, chamadas variantes estruturais, em vez de se limitarem ao nível individual.

Apesar desse importante passo, a equipe afirma que esse novo sequenciamento ainda não cobre todo o espectro das variações na estrutura do gene. Eles esperam que o desenvolvimento de novas tecnologias possam ajudar a preencher essas lacunas.

Por enquanto, o conjunto de dados atualizados deve ajudar a estudar algumas predisposições genéticas a determinadas doenças ou condições de saúde. Até então, a falta de diversidade representava um fator limitante para entender, de fato, a origem de enfermidades e como desenvolver tratamentos eficientes que atendessem a toda a população.

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Aqui no Brasil, o projeto DNA do Brasil é uma das iniciativas que tenta combater a falta de diversidade no sequenciamento genético. Liderado por Lygia da Veiga Pereira, professora do Instituto de Biociências da USP, o esforço pretende sequenciar 15 mil genomas brasileiros.

[Engadget]