Anteontem rolou um evento bacana da Blizzard no Brasil, com presença de executivos americanos da empresa, para anunciar os detalhes do lançamento de StarCraft II: Wings of Liberty no nosso às vezes esquecido país. Aguardado por milhares há 10 anos, a sequência do clássico chega aqui no mesmo dia que o resto do mundo: 27 de julho; totalmente em português, por R$ 49*. Mas e se você não é um fã maluco da série ou simplesmente nunca se deu bem com esses jogos em que 1 milhão de unidades fica passando pela tela loucamente, como eu? Talvez Starcraft II seja para você: ele é, enfim, um jogo de estratégia em tempo real de respeito que se preocupa com os noobs

Noobs de Starcraft, que fique claro. Eu sou o que chamam por aí de "gamer hardcore". Não me limito a algumas séries, gêneros ou mesmo consoles, tento experimentar de tudo e, e gosto de me tornar bom nos jogos que me proponho a jogar. Mas o meu calcanhar de Aquiles sempre foram os RTSs. Não por ser muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e dependendo da sua interação para funcionar, mas sim porque todos os jogos que eu testei aparentemente assumiam que eu já tinha aprendido a jogar aquilo, talvez com os primeiros Command & Conquer. Foi assim com Supreme Commander, por exemplo. Eu tentei, tentei, e saí do jogo sem entender nem como começava a dar uns tiros. RUSE é outro: mesmo ele tendo uma aura toda simplificada e estilizada, ao menos a versão beta do multiplayer, que eu testei, não faz o menor esforço para te explicar como as coisas funcionam. Os outros títulos da Blizzard podem até ser bons, mas têm uma quantidade enorme de fãs viciados, o que me fez sentir até um pouco de medo da complexidade de WarCraft e do primeiro StarCraft. 

Aí temos também os jogos como Red Alert e Halo Wars, que simplificam a coisa a tal modo que mal podem ser considerados RTS "de respeito". Jogando, eu me sentia como se quisesse aprender a jogar tênis mas tivessem me colocado na frente de uma mesa de ping-pong e dito pra eu acreditar que era a mesma coisa. 

Ontem fiz essa pergunta para o pessoal da Blizzard que lá estava, e eles me asseguraram que StarCraft II vai me ensinar a jogar RTS – até competitivamente, se eu quiser. É uma resposta esperada (ninguém vai promover o seu jogo dizendo que ele é difícil de aprender, afinal), mas o que foi prometido certamente me parece promissor.

(Quando você jogar bem o suficiente, haverá comentaristas analisando sua partida.) 

Em primeiro lugar, o jogo terá um tutorial bastante completo, ensinando o básico do básico ("onde eu clico?"). Isso é algo tão básico, mas que tantos jogos ignoram. Francamente, eu não esperava menos do que isso. 

Por isso que eu me surpreendi positivamente com o que foi confirmado depois: o jogo terá um modo que aparentemente vai se chamar "Desafios", e vai ser composto por uma série de er… desafios que vão testar a sua capacidade diante de alguma situação. Por exemplo: você terá que sobreviver a uma sequência de diferentes grupos de inimigos, sempre usando diferentes tipos e quantidades das suas unidades para contra-atacar de maneira efetiva. Serão missões, supostamente curtas, construídas ao redor de uma situação de jogo que pode ocorrer numa partida multiplayer. Ao se dedicar a vencer essas fases de desafio, você automaticamente vai estar se preparando para quase qualquer coisa que outro jogador possa fazer contra você.

Uma dessas fases de desafio terá uma "missão" que eu achei bem legal: vencer o inimigo usando apenas atalhos de teclado, com o mouse desabilitado. Nada melhor do que um incentivo desses para fazer um noob decorar os comandos com a mão esquerda, né? Afinal, fazer tudo com o mouse pode ser mais simples, mas certamente saber os atalhos de teclado dá uma vantagem de velocidade absurda. 

Além disso, ainda me garantiram que a Battle.net (o ambiente online do multiplayer) fará o possível e o impossível para sempre me colocar contra outros jogadores do mesmo nível que o meu. Ótimo, porque nada é mais desmotivador em matéria de multiplayer do que achar que você está jogando bem e tomar um pau do primeiro aleatório que te enfrentar online. 

Mas e se não tiver jogadores do meu nível? Bom, isso já seria improvável em qualquer outra situação, mas se torna ainda mais impensável quando se leva em conta o preço do jogo no Brasil: haverá uma versão oficial custando apenas R$ 49. OK, esta versão não é a ideal para quem realmente é fã do jogo e sabe que vai jogar por muito tempo, porque ela expira depois de seis meses, ponto a partir do qual é necessário o pagamento de uma assinatura mensal ou bimestral. Haverá outras versões do jogo (provavelmente apenas por distribuição digital) que dão acesso vitalício, mas quem duvida que a presença dessa versão de menos de 50 reais nas prateleiras das lojas do Brasil não vai aumentar absurdamente a quantidade de compras por impulso? Gente jogando com certeza não vai faltar, e muitos deles estarão aprendendo também. Por isso me empolgo.

Quer saber mais sobre o evento de ontem e o que foi dito lá? Tem este post no Continue. Quer me xingar por eu nunca ter jogado [insira o nome do seu RTS favorito aqui]? Pode fazer isso aqui pelos comentários mesmo. Já estou acostumado. [Continue]