Algumas semanas atrás, os seres humanos do planeta Terra entraram num frenesi sobre a possibilidade de o telescópio espacial Kepler ter descoberto uma megaestrutura alienígena. Desde então, os astrônomos por trás disso caçaram evidências que pudessem dar credibilidade à teoria.

Surpresa! Eles não encontraram nada.

Eis um resumo: há alguns meses, cientistas cidadãos analisaram dados coletados pela missão Kepler da NASA e perceberam algo estranho: uma estrela que cintila de forma não-periódica – sua emissão de luz por vezes caía em até 20%.

Muitas estrelas escurecem em intervalos regulares devido ao trânsito de planetas em órbita – é exatamente o tipo de coisa que a missão Kepler foi feita para detectar – mas a estrela KIC 8462852 é diferente de tudo o que já vimos antes.

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Quedas no brilho da KIC 8462852 ao longo de um período de observação de 1.500 dias. Os dois gráficos inferiores são versões ampliadas do primeiro, centrados no dia 800 e 1.500. Imagem por Boyajian et al.

A estrela é tão estranha, de fato, que o astrônomo e notório caçador de alienígenas Jason Wright sugeriu que ela poderia estar sendo obstruída por uma megaestrutura alienígena. Isto poderia ser uma esfera de Dyson, um conjunto de enormes painéis solares construídos para aproveitar a luz emitida pela estrela. Em um estudo recente, Wright disse que a KIC 8462852 era “o mais promissor alvo estelar para o SETI descoberto até hoje”.

Sim, há outras explicações possíveis para a KIC 8462852. Talvez ela tenha se deformado por girar muito rápido, ou talvez ela seja orbitada por fragmentos de cometas. Ou, apenas talvez, o padrão de luz da estrela poderia ser o resultado de algum processo astrofísico que ainda não entendemos. Como Neil de Grasse Tyson disse no The Late Show na semana passada, “só porque você não entende o que está olhando não significa que são aliens”.

Astrônomos do SETI começaram o boato. Agora, a comoção do público os levou a continuar a investigação usando o Allen Telescope Array, localizado nas Cordilheira das Cascatas (EUA). Durante as duas últimas semanas, o ATA – constituído por seis antenas de 42 metros – ficou focado na KIC 8462852, caçando por sinais de rádio que pudessem acabar com a nossa solidão cósmica de uma vez por todas.

Isso inclui emissões de banda estreita na ordem de 1 Hz, o tipo de “sinal de saudação” que uma civilização pode enviar se quiser anunciar sua presença. O SETI também foi à caça de sinais de banda larga, que poderiam ser causados por propulsão dentro do sistema de estrelas. Ou seja, se uma nave espacial potente estivesse viajando ao redor da estrela, este é o tipo de sinal de rádio que esperaríamos encontrar.

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Infelizmente, o SETI não encontrou nenhuma evidência de impérios galácticos, cubos Borg, anéis de Forerunner ou quaisquer outros projetos alienígenas que a humanidade imaginou.

Isto é, os astrônomos não encontraram quaisquer sinais promissores entre a faixa de frequência entre 1 e 10 GHz. Isto exclui grandes transmissores omnidirecionais, os de uso terrestre total com cerca de 100 vezes a energia da humanidade no caso da banda estreita, e 10 milhões de vezes o nosso uso de energia no caso da banda larga.

Estes podem soar como limites extremamente elevados, mas o SETI nos lembra que qualquer sociedade capaz de construir uma esfera de Dyson teria acesso a quantidades de energia inconcebivelmente vastas, aproximando-se 10^27 watts. Mesmo se eles estivessem apenas usando uma pequena fração desta energia para sinalizar sua existência, isso ainda seria detectável.

“A história da astronomia nos diz que, cada vez que pensávamos ter encontrado um fenômeno devido a atividades de extraterrestres, estávamos errados”, disse Seth Shostak, astrônomo do SETI, em um comunicado. “Mas embora seja muito provável que este comportamento estranho da estrela é devido à natureza, não alienígenas, é prudente verificar essas coisas.”

Você só vai saber se olhar. Mas agora que olhamos, e não encontramos nada, o jeito é avançar para a próxima teoria cientificamente duvidosa e sem fundamento! Que tal uma prova para a existência de universos paralelos?

Imagens por NASA/JPL e Slawek Wojtowicz