Por que estamos escrevendo sobre um livro de fitness no Gizmodo? Porque, para alguns de nós, o corpo é apenas mais um gadget.

Eu conheci Tim Ferriss, autor do livro Four Hour Work Week (PB: Muito famoso nos EUA, com dicas bem práticas de “maximização do tempo”) , em um ginásio sujo de boxe tailandês, por volta de 2002. Nenhum de nós havia escrito nada profissionalmente ainda. Ele tentou me vender “pílulas para o cérebro”, mas eu não comprei. Mas a primeira impressão do cara inteligente, exuberante e atlético estava feita. Anos depois, quando o vi conquistando a imprensa com o seu livro, que veio a se tornar um sucesso, dei risada e não me surpreendi.

A maior parte das pessoas conhece Tim como o cara que descobriu conselhos para diminuir o ciclo de trabalho. Eu dei uma folheada no livro quando ele saiu, e ele afetou a mim e à minha equipe no Gizmodo US. Eu assimilei que não é necessário para mim ou para a equipe trabalhar 18 horas por dia, ou mesmo perto disso; é mais importante para mim que todo mundo termine as coisas importantes primeiro, aquelas que fazem a diferença em tráfego ou editorialmente, enquanto as coisas mais granulares podem ficar para estagiários ou novos contratados. O que não der pra terminar ao fim do dia não tem problema, desde as coisas importantes tenham sido feitas.

Mas essa não é a coisa importante sobre o Tim. Como eu mencionei antes, eu conheço o cara dos nossos tempos de atletas, então eu sabia que o livro dele sobre o corpo seria importante se ele aplicasse à escrita o seu método característico de entender como um sistema funciona e então explorá-lo de maneira a conseguir o maior impacto possível para qualquer quantidade de esforço. De certo modo, Tim é o hacker menos geek que eu conheço.

As raízes de Tim como um hacker do corpo começaram quando ele era um lutador, passando fome para perder peso, e no fim das contas bolando truques para enxugar mais alguns quilos com sofrendo o menor impacto possível. Quando eu o conheci, eu fazia parte de um centro de treinamento de boxe onde éramos obcecados com o peso. Não por vaidade, mas por praticidade: se você pesasse menos, poderia competir em uma categoria onde enfrentaria caras mais “fracos” e baixinhos, ganhando assim uma vantagem.

O livro do Tim não é só sobre perda de peso, apesar de alguns capítulos fascinantes – baseados na sua própria experiência pessoal e em trabalhos que ele cita – sobre como hackear nossos corpos para facilitar os ganhos musculares, dormir melhor e melhorar o sexo. Há capítulos sobre queimas gigantes de calorias baseadas em exposição à água gelada. Há capítulos sobre como importar ferramentas de outros países para consertar ferimentos “permanentes”. Ele também argumenta contra princípios considerados verdades simples, como o fato de todas as calorias serem iguais, ou que fazer dieta e se fortalecer é tão simples quanto fazer exercício ou comer pouco. Não é tão simples assim, diz ele. Em outros casos, diz que é mais simples ainda do que isso. Tim mesmo diz que vale a pena encarar as suas teorias com ceticismo, mas experimentar algumas para testar se dão resultado.

No mundo de hoje, os geeks podem ser pessoas realizadas. Mas, bem como sugere o estereótipo, há geralmente muito pouca interseção entre as capacidades alcançadas pela mente e pelo corpo de um geek. Não acho isso precise continuar assim, e talvez um pouco de perspectiva seja a chave para começarmos a explorar o modo de usar do nosso corpo. Eu acredito que o corpo seja um gadget. Podemos não ter partes de metal ou nada parecido com ficção científica, mas somos maravilhas bioquímicas e mecânicas. E podemos ser hackeados.

Se você também acredita que o corpo é um gadget, aprenda como hackeá-lo.

PB: Por um caso comprei o livro uma semana antes de ler isso. É sensacional e desafia toda a lógica das dietas e fórmulas para emagrecimento / melhora de performance. Tim é maluco e, apesar de parecer um pouco fora de lugar posts sobre isso no Giz, se vocês acharem legal falaremos mais dos métodos dele. O que vocês nos dizem?