Alguns smartwatches vêm com processadores poderosos, um monte de espaço para armazenamento e software robusto. Mas eles têm capacidades limitadas comparados com smartphones, graças às suas telas pequenas. Pesquisadores da Universidade Carnegie Mellon, no entanto, criaram um protótipo de smartwatch com um projetor embutido que transforma o braço do usuário em uma superfície sensível ao toque do tamanho de um smartphone.

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Diferente do que você já tenha visto em sites de financiamento coletivo, o LumiWatch é o primeiro smartphone a integrar um projetor a laser e um arranjo de sensores, permitindo que uma tela seja projetada na pele do usuário. É possível cutucar, tocar e deslizar, assim como ocorre em telas sensíveis ao toque. Parece um gadget saído de um filme de ficção científica, mas, por enquanto, não pegue seu cartão de crédito, pois ainda é necessário muito tempo antes dessa tecnologia virar um dispositivo para consumidores.

Deslize para desbloquear. Crédito: Carnegie Mellon University e ASU Tech

A espera, no entanto, deve valer a pena. Smartphones tiveram suas funcionalidades melhoradas com os anos, e suas telas crescerem vertiginosamente. Porém, vestíveis como smartwatches sempre serão limitados pelo seu tamanho.

Imagine usar um aparelho tão pequeno como o iPhone original (pequeno para os padrões atuais) no seu pulso: ia parecer um monstro no seu braço. As telas de smartwatch não têm muito espaço para crescer. Além disso, os dedos humanos também não estão ficando menores, e a interação com uma pequena touchscreen se mostra um processo difícil para quem quer adotar esta tecnologia.

Foi justamente essa ideia que inspirou os pesquisadores da Universidade Carnegie Mellon, que trabalharam em conjunto com a chinesa ASU Tech para desenvolver o LumiWatch.

Com 50 milímetros, o protótipo é um pouco maior que um Apple Watch grande, que tem 42 milímetros. Em vez de uma touchscreen, ele tem um projetor a laser de 15 lúmen, um arranjo de sensores, uma CPU quad-core rodando Android 5.1 e uma bateria que dura até um dia ou uma hora — dependendo do quanto o projetor for usado. Ao todo, o hardware custa US$ 600, o que chega a ser mais barato que muitos dispositivos chiques da categoria.

O projetor do LumiWatch é direcionado para o lado do relógio, criando uma imagem de 1.024 x 600 pixels no braço ou na parte traseira da mão. Em ambas as orientações, ele funciona bem, mas pare um minuto para pensar e dê uma olhada no seu braço e na sua mão. Eles não parecem aquela superfície de sala de projeção daquela sala do seu trabalho? Não chegam nem perto. Um dos maiores desafios de fazer o projetor em um smartwatch não é o hardware, mas a projeção em um ângulo baixo e em uma superfície irregular.

Detalhe do projetor do LumiWatch. Crédito:  Carnegie Mellon University e ASU Tech

Gerar uma imagem projetada que não é completamente deformada no formato do braço do usuário é o segredo por trás do LumiWatch. Uma combinação de software e processamento gráfico por hardware remove o ângulo de distorção, o que dificulta a projeção em superfícies irregulares e ajuda a assegurar que a projeção seja igualmente brilhante por toda a extensão do braço do usuário.

Corrigir a imagem projetada requer uma calibração específica para cada usuário, pois todo mundo usa relógio de uma forma diferente, sem contar que as pessoas têm características físicas distintas. Mas, em vezes de exigir que usuários façam uma recalibração cada vez que for usar, os pesquisadores ressuscitaram o gesto “desligar para desbloquear”. Os sensores do relógio monitoram o movimento do dedo do usuário. Durante esse processo, são feitos automaticamente os cálculos de calibração.

Processo de calibração do Lumiwatch, que é um dos grande diferenciais desse smartwatch. Crédito: Carnegie Mellon University e ASU Tech

Projetores sempre foram a forma mais conveniente de criar uma tela grande e temporária, o que torna a solução ideal para melhorar a funcionalidade de smartwatches, em que apenas em algumas ocasiões você deva necessitar de uma tela maior. Na maioria das vezes, eu só olho quem está me mandando mensagens no meu Apple Watch. Mas, nos raros momentos em que eu precisar responder a uma mensagem, a ideia de ter um teclado temporário no meu braço soa interessante e algo de ficção científica. Eu quero que isso se torne realidade o mais rápido possível.

[Carnegie Mellon University]

Imagem do topo por Carnegie Mellon University e ASU Tech