A FCC (Federal Communications Commission), órgão de telecomunicações dos EUA equivalente à Anatel, aprovou os planos da SpaceX de colocar uma frota de satélites transmissores de internet, chamada de Starlink, em “uma órbita menor do que era originalmente planejado”.

A SpaceX tinha planos de lançar 4.425 satélites Starlink (o plano de longo prazo é lançar quase 12 mil) em faixas entre 1.100 a 1.325 km. Esse plano ganhou a aprovação da FCC no início de 2018, mas a empresa decidiu mais tarde que gostaria que 1.584 desses satélites fossem colocados em órbita a uma altura muito menor do que 550 km.

A SpaceX argumentou que uma altitude menor permitiria reduzir a latência para 15 milissegundos e reduzir o número total de satélites em 16 sem interferir na cobertura, diz o Verge. Também foi dito que altitudes menores permitiriam que qualquer satélite em órbita menor começasse a queimar rápido em vez de entupir a órbita da Terra com lixo espacial, assunto que despertou preocupação da NASA em um estudo recente.

A OneWeb, uma empresa competidora no ramo de satélite, e a Kepler Communications, uma operadora de satélites, se opuseram à iniciativa, alegando que o Starlink poderia causar interferência de sinal na elevação mais baixa e, potencialmente, representar um risco de colisão. Em seu documento, a FCC diz que “a modificação proposta pela SpaceX não apresenta problemas significativos de interferência e é de interesse público”.

A FCC informa ainda que a SpaceX diz que “como seus satélites têm propulsão e são manobráveis para prevenir colisões, eles são considerados de risco zero para qualquer outro satélite que esteja nesta região orbital”, além de a empresa afirmar que “operar satélites a 550 km de altitude garantirá uma taxa de sucesso de 100% de descarte após a missão em 5 anos, mesmo imaginando as piores condições”.

O órgão também concluiu que os riscos estimados de colisão da SpaceX no caso dos sistemas de propulsão ficarem inoperáveis “está bem dentro dos limites aceitos (…) mesmo com as premissas da pior das situações, que vão muito além de qualquer cenário realista”.

Gwynne Shotwell, presidente da SpaceX, disse ao Verge em um comunicado que “esta aprovação ressalta a confiança da FCC nos planos da SpaceX de fazer uma constelação de satélites da próxima geração e conectar pessoas ao redor do mundo dom serviço de banda larga confiável e acessível”.

Não é tão fácil

Embora a internet via satélite pareça uma boa ideia no papel, muitas outras empresas enfrentaram problemas com projetos semelhantes.

O projeto Aquila, do Facebook, não deu certo após drones não funcionarem bem, depois a empresa passou a se preocupar com satélites com o objetivo de em algum momento conseguir fornecer acesso.

O Google estava trabalhando no Project Loon, que tem como objetivo transmitir internet 4G para regiões remotas do mundo usando balões de ar quente, mas enfrentou vários acidentes e ainda está enfrentando um processo por violar patente.

A Amazon recentemente anunciou sua própria iniciativa, que lembra bastante a ideia da SpaceX.

Não há garantia de que esses projetos atendam as expectativas tão cedo. Como o Gizmodo já observou antes, um resultado possível, mesmo que tenha sucesso, é que as empresas de tecnologia aproveitarão a oportunidade de criar monopólios nos países com menos infraestrutura de internet, gerando uma série de externalidades negativas no processo.

A SpaceX tem um cronograma apertado. Como o Verge escreveu, “a aprovação da FCC da constelação de satélites está condicionada à SpaceX ser capaz de lançar pelo menos metade deles nos próximos seis anos”. Da parte da SpaceX, a empresa disse que já produziu um monte de satélites Starlink e que deve começar a lançá-los em maio.

[Verge]