A operadora americana T-Mobile tem uma campanha “Uncarrier” para conquistar mais clientes com um pacote de bondades. A novidade mais recente é o Binge On: são 24 serviços de vídeo que o usuário pode consumir sem descontar da franquia de dados.

Isso inclui Netflix, Crackle, Vevo, HBO Go, Hulu, WatchESPN, entre outros. Na verdade, até os serviços de streaming de operadoras concorrentes (como Verizon e AT&T/DirecTV) estão na lista. A T-Mobile promete qualidade de vídeo em 480p ou superior, e não cobra a mais por isso.

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Há uma ausência notável nessa lista: o YouTube. No entanto, a operadora diz que está trabalhando com o Google para inseri-lo no programa: o CEO John Legere diz que atualmente o site não atende às especificações técnicas do Binge On. Inclusive, o executivo também disse que até sites pornográficos seriam bem-vindos – desde que não ofereçam conteúdo pirata.

O Binge On foi feito para ser usado em smartphones e tablets, “ou mesmo quando você usar o seu dispositivo como um hotspot para assistir a um filme em seu laptop”, explica a T-Mobile. O streaming é otimizado dentro dos apps e também através de navegadores.

Neutralidade de rede

A ideia de fazer streaming gratuito de vídeo é bem atraente, mas como fica a neutralidade de rede? Este princípio diz que todo conteúdo – como websites, vídeos e torrents – devem ser tratados de forma igual, para que não ocorra uma concentração de poder na internet.

A oferta da T-Mobile provavelmente deixa os usuários mais inclinados a usar os serviços do Binge On, em vez de um serviço menor ou algum futuro Netflix tentando entrar no mercado de streaming.

Isso também pode ter um impacto nos usuários. Do mesmo jeito que a operadora oferece vídeos de graça, ela pode criar planos que cobram a mais por isso. Nesse caso, o acesso a diferentes serviços da internet deixa de ser um direito – a neutralidade de rede – e passa a ser um privilégio.

Mas Legere diz que isso não será um problema, permitindo que qualquer serviço participe do Binge On – desde que atenda às especificações técnicas. A empresa explica no FAQ: “ninguém paga para participar, e nenhum dinheiro é trocado. A T-Mobile vai examinar todos os pedidos para garantir a legalidade, a identificação do streaming de vídeo e requisitos técnicos, incluindo otimização para visualização móvel”.

Outras benesses

Ao longo dos últimos anos, a T-Mobile vem sendo agressiva para atrair clientes. Por exemplo, ela oferece dados ilimitados em mais de 140 países (incluindo o Brasil) para quando o usuário sair dos EUA – é em rede 2G, mas ainda assim. E caso o cliente vá para o Canadá ou México, tudo funciona como se ele estivesse em casa: ligações, dados e SMS são descontados do plano sem contar como roaming.

Se você quiser migrar de outra operadora, ela oferece até US$ 650 para você pagar a multa e romper o contrato. Se sobrarem dados no seu pacote mensal, eles continuam válidos por até um ano.

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E também há o Music Unlimited: serviços de streaming como Spotify, Rdio, Google Play Música, Apple Music, Soundcloud e muitos outros não descontam da franquia. Aqui, existe também uma preocupação com a neutralidade de rede, mas a T-Mobile diz que “qualquer serviço de streaming legítimo e licenciado de música pode trabalhar conosco para inclusão nesta oferta”.

Com tudo isso, ela conseguiu subir uma posição e sair do 4º lugar em número de clientes – mas a diferença em relação a Verizon e AT&T ainda é grande. No entanto, a concorrência está reagindo. Por exemplo, a AT&T renovou seus pacotes e agora oferece mais dados.

[T-Mobile]