O foco do Windows 8 e da sua versão simplificada para processadores ARM, o Windows RT, está nos tablets. A interface clama por dedos para ser controlada e a Microsoft enfatiza essa natureza sempre que pode. Os tablets Windows só começaram a chegar ao Brasil agora, mas a preços astronômicos.

Semana passada a Dell anunciou o Latitude 10, primeiro tablet com Windows 8 a ser vendido oficialmente em solo nacional. Com processador Intel Atom, 2 GB de memória e tela de 10,1”, é um tablet de configurações simples, mas preço premium: R$ 2.598.

Tablet é tablet, e os com Windows estão caros

Você pagaria tudo isso por um tablet? No nosso post sobre o Latitude 10 rolou uma grande polêmica sobre o preço. Alguns leitores questionaram a comparação com o iPad e tablets Android, argumentando que o fato de o modelo da Dell rodar o Windows 8 (e todos os apps legados) o coloca em outra categoria. É uma questão delicada, mas o nosso posicionamento, explicado diversas vezes nos comentários daquele texto, é de que apesar desse diferencial, ele continua sendo um tablet.

Não é por ter mais e melhores apps, por exemplo, que o iPad é colocado em uma categoria diferente da dos tablets Android; nesse sentido, o mesmo se aplica ao modelos com Windows 8:  fato de o sistema rodar apps específicos para a indústria e sistemas comerciais é um plus, não algo de outro mundo. O lançamento da versão com 128 GB do tablet da Apple, aliás, tem com público-alvo profissionais que usam intensivamente o equipamento a trabalho. Classificar iPad e tablets Android como ferramentas menos capazes que as Windows, ou “só para consumo/entretenimento”, em 2013, é complicado. A abordagem dos três sistemas operacionais tem suas diferenças, mas eles cobrem muitas necessidades dos usuários. Uma ou outra ainda permanece exclusiva de certas plataformas, mas convenhamos: a maioria de nós conseguiria trabalhar feliz com qualquer um deles.

Asus Vivo Tab RT

A esperança de tablets Windows mais baratos era Windows RT, a versão do Windows compilada para os econômicos (nos sentidos econômico e energético) processadores ARM. Mas ela ganhou um duro golpe com o lançamento do Asus TF600T, lá fora conhecido como Vivo Tab RT, no varejo nacional. O Magazine Luiza o está vendendo por incríveis R$ 3.499. Três mil, quatrocentos e noventa e nove reais.

É um valor bem caro, ainda que ele inclua a dock/teclado com bateria estendida. Assustadoramente caro. E mesmo que você continue não aceitando que tablets Windows 8 estejam na mesma categoria de iPads e Galaxies Tab, estamos falando de um com Windows RT, esse da Asus aí. Por que tablets Windows custam tanto?

Por quanto sai lá fora?

Para colocar esses valores em perspectiva, comparamos eles com os preços praticados no varejo norte-americano. Por lá a Dell entrega o Latitude 10 básico, com as mesmas especificações do modelo brasileiro, por US$ 579. Já a Asus comercializa o Vivo Tab RT pelo preço sugerido de US$ 599, mas em sites de e-commerce, como a Amazon, ele é encontrado por menos de US$ 500. Com a dock/teclado, chega a US$ 577. No Reino Unido o tablet da Dell sai por £ 430. Fazendo a conversão direta, eles custam cerca de R$ 1.000.

Dell Latitude 10, nos EUA.

A concorrência cobra valores similares nos EUA e, ao trazer seus tablets para cá, não ultrapassa a barreira dos R$ 2.000. Pegando boas promoções ou aproveitando cupons e outras regalias, não é tão difícil conseguir um iPad ou Galaxy Tab por um valor muito próximo ao que custa lá em cima. O iPad de 16 GB, que nos EUA sai por US$ 499, aqui custa R$ 1.749 — ou menos procurando bem, com os descontos que vez ou outra aparecem nas lojas do varejo. O Galaxy Note 10.1, que nos EUA tem preço sugerido também de US$ 499, aqui sai por R$ 1.899 — caro, mas não se compara ao valor do Vivo Tab RT.

E, veja bem: o preço-base, tanto de tablets iOS, Android ou Windows, é praticamente o mesmo nos EUA. Ainda que você classifique os modelos com Windows 8 e/ou RT em outra categoria, é difícil justificar uma disparidade tão grande de valores. O único caso extra-Windows de preço catapultado durante o processo de nacionalização é o do Nexus 7, mas aí há detalhes bem peculiares que colocam essa situação em outro patamar — em especial a interferência do Google no preço praticado nos EUA. É um caso atípico, mas, e isso é importante, “explicável”. E talvez aí more a explicação: aparelhos importados em pequenos lotes (ninguém quer se arriscar muito e encalhar produtos) somados a uma série de impostos e a parte do lucros das empresas, que não querem abrir mão. Some tudo isso e chegamos aos valores estratosféricos — e nada justificável para o consumidor.

Queremos que os tablets Windows vinguem. Apesar da escassez de apps, o sistema é liso, bonito e gostoso de usar. Mas há entraves surgindo a todo momento, do espaço livre irrisório disponibilizado ao usuário a preços surreais — e justamente em um momento onde Google e Apple, as empresas que dominam o segmento, empurram os preços para baixo com modelos menores e mais baratos. É preciso mais para que a transição do Windows, de desktops para tablets, seja bem sucedida. Muito mais.