Cada vez mais, o bom e velho teclado mecânico está recebendo a atenção que merece: nele, cada tecla possui um componente separado para registrar que você a pressionou. Alguns grupos de entusiastas criam e programam teclados assim, o que culminou no Infinity Keyboard – que teve a participação de 1.300 fãs para ser projetado.

Hoje em dia, a maioria dos teclados possui uma membrana que usa um circuito elétrico para detectar quando cada tecla é pressionada. Isso permite criar teclados mais finos e que não precisam de tanta pressão em cada tecla. No entanto, eles não oferecem o feedback tátil de um teclado mecânico, que se tornou popular entre gamers (por deixar claro quando uma tecla é pressionada) e entre programadores (por reduzir os erros ao digitar). Esses teclados também são programáveis, tornando-os ainda mais úteis.

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E existem experts que constroem esses teclados, indo de amadores a engenheiros. Empresas como a Massdrop, de San Francisco, viram aí a oportunidade de combinar suas habilidades em fabricação e vendas ao conhecimento dos fãs. “É como se fosse um projeto do Kickstarter”, diz Steve El-Hage, CEO da Massdrop. “Você tem pessoas que são realmente apaixonadas e conhecedoras de determinada coisa, mas o conjunto de habilidades necessário para a manufatura em massa é muito diferente.”

O modelo de negócios da Massdrop é simples: procurar superfãs —sejam eles de fones de ouvido ou de teclados— e descobrir o que eles fariam se comandassem a produção, desde o projeto até a fabricação, terminando no preço. Eles então pegam aquele produto teórico e usam uma equipe interna de experts em manufatura e suprimentos, combinam todas as peças necessárias para criar um produto real, e o vendem para um número X de fãs que se comprometeram a comprá-lo.

Foi exatamente isso que a empresa, que já opera há dois anos, fez com os experts em teclados de fóruns como o Geekhack, com quem a Massdrop lançou o Infinity Keyboard.

Construir um teclado melhor, do software aos circuitos

A Massdrop diz que o Infinity é o “primeiro teclado mecânico verdadeiramente programável”. 1.300 fãs de teclados deste tipo colaboraram no projeto, liderados por uma pequena equipe de especialistas da empresa.

Usando uma série de enquetes, encontros presenciais e viagens ao laboratório da fábrica, o grupo escolheu dados de milhares de membros do fórum sobre cada aspecto do design: múltiplos layouts, software, materiais, placa de circuitos. Os projetistas da Massdrop ajudaram a construir cada um dos protótipos.

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Mas foram os especialistas da comunidade que colocaram o design para funcionar: Jacob Alexander desenvolveu um novo software de código aberto que permite aos usuários programá-lo do jeito que eles se adaptarem melhor — desde alterar o layout até criar atalhos para longos trechos de código. Outro participante, Gennadiy Nerubayev, projetou os circuitos impressos nas placas, enquanto Brandon Muzzin projetou a placa de aço inoxidável sobre a qual ficam as teclas.

A comunidade de 1.300 pessoas votou em todos os detalhes do hardware, como teclas mecânicas Cherry MX ou Matias, a placa de aço inoxidável, e as teclas PBT. A Massdrop os ajudou a fabricar protótipos – desde os modelos de papelão até as placas de circuito – e criou um programa de configuração de layout que permite aos usuários customizar facilmente os teclados pela internet.

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Talvez o mais importante é que eles negociaram em grandes lotes a compra dos componentes, bem como o processo de fabricação. “Nossa equipe acha que [a comunidade] está fazendo o trabalho mais difícil, e a comunidade pensa que nós estamos fazendo o trabalho mais difícil”, diz El-Hage.

Um crowdfunding mais esperto

O Infinity custará entre US$ 99 e US$ 129, já que o preço está ligado ao tamanho dos pedidos. Ele chega como um kit que o comprador monta sozinho e customiza com um ferro de solda. Esse preço é possível porque a Massdrop pode garantir, de antemão, um certo número de pedidos ao fabricante (ela tem que incluir seu próprio lucro também).

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De certa forma, isso é realmente parecido com o modelo do Kickstareter, mas sem as várias incertezas do crowdfunding. Como a equipe do Massdrop inclui engenheiros que tem o know-how necessário para criar, programar e prototipar, o trabalho para chegar a um modelo final é mais rápido. Como eles já têm experiência e contatos com fabricantes, não há risco de não conseguir entregar o produto final. E como o produto é projetado a partir das opiniões de entusiastas, ele não é apenas uma ideia brilhante de uma pessoa, e sim a realização das ideias de muitos.

A forma em que os eletrônicos são feitos está mudando. As máquinas de mineração de bitcoins são um bom exemplo dessa transformação: pequenas comunidades de entusiastas procuram e encomendam seu próprio hardware de lugares no outro lado do mundo em ciclos cada vez mais rápidos. Só que alguns caem em verdadeiras ciladas, ou sofrem com atrasos na produção que levam a um produto final completamente inútil. A Massdrop, por sua vez, procura agir como um intermediário ágil entre fabricantes e entusiastas.

É quase como se pegassem a cultura dos antigos fóruns da internet dos anos 90 e a enxertasse em um estúdio de design de produtos dos dias de hoje: os conhecimentos profundos da multidão articulados com os braços de engenheiros e projetistas.

Veja mais detalhes sobre o Infinity aqui.