O telescópio Hubble revolucionou nosso entendimento do cosmos, mas ele está em órbita há quase um quarto de século e se aproxima do fim do seu serviço. Não é algo ruim, é bom lembrar, já que a tecnologia de telescópios evoluiu consideravelmente desde que ele foi lançado para os céus em 1990. E até o fim desta década completaremos um observatório com a capacidade de fotografar com dez vezes a resolução do Hubble e sem nenhuma das suas complicações causadas por estar no espaço.

Ele é chamado de Telescópio Gigante de Magalhães (GMT, na sigla em inglês), e por um bom motivo. Durante a última década, os telescópios Baade e Clay operaram no Observatório Las Campanas no deserto do Atacama no Chile como parte do Projeto Magalhães, um esforço colaborativo entre a Instituição Carnegia, Universidade do Arizona, Universidade de Harvard, Universidade de Michigan e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Com 6.5 metros, medidos a partir de suas aberturas, esses telescópios estão entre os 16 maiores da Terra, sendo que o maior mede 10.4 metros.

O GMT vai ter uma abertura de 24,4 metros – isso é quase 2,5 vezes mais do que o maior atualmente, quase quatro vezes mais do que o atual do projeto Magalhães, com uma resolução quase 10 vezes superior ao Hubble. Tudo isso sem precisar ser lançado em órbita.

Como moldar uma peça de quase 25 metros de largura de vidro de borossilicato ainda está além das nossas mais avançadas técnicas de produção, o GMT usa uma matriz de espelho segmentado composto por seis espelhos de 8,4 metros funcionando em conjunto. Eles são moldados precisamente e estranhamente planos.

Produzido pelo Laboratório de Espelho de Observatório de Steward, em Tucson, no Arizona, cada espelho como um molde de favo de mel. Ele é “girado” em um enorme forno rotativo gigante, usando a força centrífuga para espalhar o vidro em um fosco oco da mesma forma como a crosta da pizza é feita. Não apenas isso corta o peso massivo de cada espelho, também permite que eles sejam resfriados durante a noite para reduzir a distorção térmica. Cada um deles demora um ano para ser polido.

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Assim como na maioria dos telescópios ópticos, a luz incidente reflete dos espelhos primários, e novamente de um conjunto de espelhos secundários, e depois dentro do dispositivo de carga acoplada do telescópio. O que a maioria dos telescópios ópticos não têm é óptica adaptativa. Essa técnica revolucionária de estabilização de imagem usa estrelas guiadas por laser para atuarem como pontos de referência. Ao medir a quantidade de distorção atmosférica dos lasers e ao deformar os espelhos secundários de acordo, o sistema pode capturar imagens mais claras do céu noturno, com menos distorção do que outros telescópios terrestres.

Ele “vai permitir que a gente olhe para buracos negros quase em qualquer parte do cosmos,” explicou o diretor do projeto Patrick McCarthy ao Motherboard. Ele vai estudar a formação da galáxia, caçar matéria escura e pistas dos início do universo. Não apenas isso, os pesquisadores esperam que o GMT consiga, com suas imagens em ultra-resolução, descobrir planetas do tamanho da Terra e evidências de vida neles também. [Motherboard – Carnegie Univ – GMT Project – Wiki 12]