Faltando menos de duas semanas para 2016 acabar, podemos dizer quase que com certeza que esse foi o ano mais quente já registrado. E se o Polo Norte é indício de alguma coisa, o clima excessivamente quente não vai embora logo. Ele só vai piorar.

Relatório ambiental mostra como a situação do Ártico em 2016 é terrível
Gelo do Ártico está prestes a atingir o menor nível da história

Para hoje (22) – o dia após o início oficial do inverno no hemisfério norte do planeta -, a previsão é que as temperaturas no Polo Norte do nosso planeta fiquem entre 20 e 25 graus Celsius acima do normal para essa época do ano, se aproximando de 0 graus Celsius, também conhecido como ponto de fusão da água.

De acordo com o Capital Weather Gang do Washington Post, o clima quente foi causado principalmente por um sistema de tempestades potentes ao leste da Groelândia, que conta com pressões centrais comparáveis a furacões de categoria 3. Essas tempestades parecem estar em conluio com o gelo do mar Ártico enfraquecido, permitindo que mais ar quente e umidade sejam empurrados em direção ao norte e cheguem ao Polo Norte.

É apenas o mais recente indicador de que algo está fora de controle no Ártico neste ano. No começo do mês, a NOAA lançou seu relatório anual sobre o norte do planeta, e as coisas já não pareciam boas. Segundo os pesquisadores envolvidos no estudo, o Ártico enfrentou um ano bastante estranho, com recordes de temperatura mensal sendo batidos e a cobertura do gelo do mar em seu nível mais baixo.

Em um exemplo incrível da estranheza que foi 2016, no mês passado, em uma época em que o Ártico deveria ganhar gelo do mar com rapidez, o crescimento foi no caminho contrário durante um período de 5 dias.

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Imagem: National Snow and Ice Data Center

A cobertura de gelo e as temperaturas do ar estão proximamente relacionadas, com menos gelo significando mais absorção de calor pelo oceano, o que impede que as temperaturas do ar caiam e dificulta ainda mais a formação de gelo. Esse tipo de coisa explica em partes o que está acontecendo agora no Ártico.

Se esse cenário – das temperaturas do Polo Norte subindo acima do ponto de fusão durante o Natal – soa familiar, é porque realmente é. Aconteceu a mesma coisa no fim de 2015. Pelo jeito 2016 vai embora do jeito que chegou: com tudo queimando.

[The Washington Post]

Imagem de topo: NASA